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21/01/2009 - 21:29

RESUMÃO DE TERÇA: O QUE HÁ COM NOSSA MODA JOVEM?

Terça foi o dia da moda jovem aqui na Bienal. Tivemos Carlota Joakina, 2nd Floor, Triton e Cavalera, no line up (a Colcci, , que foi no domingo, vai entrar no bolo). Minha questão é a seguinte: nossa moda jovem está em crise e precisa de reforço. Tomo a liberdade de fazer essa crítica porque “entrei na moda” pelas mãos de Brenda Fucuta, diretora de redação da Capricho, em 2000 (sem muita certeza da data certa, perdi a carteira de trabalho!). Antes disso, ainda no colegial (como chama agora, mesmo?), quando entrava nos desfiles sem convite e ficava no standing feliz da vida, era fascinada pela estética da Zapping. Supertual para a época, falava diretamente com o público – quem se lembra do desfile no supermercado? Era tudo o que eu queria usar na época. O tempo passou, a Zapping sumiu (não preciso nem comentar a tentatia de revival, nas mãos do grupo I´m). Ficaram Triton, Cavalera. Ambas, até muito recentemente, mostravam uma moda de passarela divertida e traduziam nas lojas tudo aquilo que seria devorado pelos consumidores em foco. Fechei o dia de ontem meio cabisbaixa com o que vi. A Triton, que acaba de sair das mãos de Tufi Duek para cair no colo do grupo AMC, perdeu o brilho. Foi-se o charme, o glamour e a energia imputados por Tufi, ficou uma moda fantasiosa demais. Até que com boas peças, mas com styling confuso, pesado. Será que é isso mesmo que as meninas e meninos querem vestir? Na Cavalera, o ótimo tema do boi-bumbá de Parintins se perdeu pelo mesmo motivo: looks heavy, exagerados. Não vejo nenhum “zóvem” que eu conheço naquelas roupas. Ok, no fim, o que vale são os jeans (e são bons, de fato. Nesse ponto, Turco sabe o que faz), mas mesmo assim, a imagem final não convence. Até a Carlota, que deveria ter um papel mais cool, despojado, perdeu o tom. Looks desconectados, peças-fantasia, desejo abafado. Uma sapatilha fofa aqui, um vestidinho bom ali. Mas falta desejo. Me surpreendi percebendo que a melhor coleção jovem da estação foi a da Colcci, que sempre criticamos tanto. Limparam, sofisticaram, trabalharam. E melhoraram muito. O jeans escuro é bem bom, a sequência de vestidos coquetel de neoprene do fim são ótimos. E, no meio da crise (a jovem, não a financeira), sabe quem virou o jogo na temporada? A 2nd Floor, que veio assumindo esse posto aos poucos, já que a proposta inicial era conversar com os muderrnos, não com a garotada. Entrando pela tangente, trouxe uma moda fresca, cheia de peças tem-que-ter da vida real: maxipulls delícia, vestidinhos de alfaiataria, camisas estampadas, as carrots da vez. No ponto. “Zóvens” não são crianças. Não precisam de fantasias. Precisam de roupas boas, desejáveis e cheias de estilo. Alguém se habilita?

Autor: Maria Prata - Categoria(s): Crítica de moda, Desfile, SPFW, Styling Tags: , , , , ,

25 comentários para “RESUMÃO DE TERÇA: O QUE HÁ COM NOSSA MODA JOVEM?”

  1. disse:

    Me lembro muito quando vc entrou na Capricho! Na época era leitora assídua, suuuper ligada em moda! Se eu for pesquisar no meu acervo de nove anos eu mto provavelmente ache a primeira revista que saiu com uma matéria sua!!! Parei de assinar no segundo ano do ensino médio, prestei vestibular e agora que a universidade acabou voltei a me atualizar sobre o assunto…

    Na época era louca para ter as peças da Triton e da Zoomp (outra que quén…), mas lembro qdo ganhei uma camiseta e uma saia jeans da Zapping… Achei o máximo, tanto que até hj lembro muito delas e me sentia qdo via peças da marca no editorial da revista!

    Hoje estou meio por fora de moda jovem, estou indo atrás por causa de uma prima adolescente que tá precisando de uma mão… Honestamente, mtas das roupas que eu vi, de marcas bacanas voltadas ao público teen, são roupas de minibiscates. Blusas apertadas tudo ao msm tempo agora com estampas fofas e por aí vai…

    Bom, é isso aí!

    Muito sucesso!

  2. Greicy disse:

    Olá Maria, gostei muito da sua critica, achei q só eu tinha achado isso da moda jovem, infelizmente tenho que admitir que as grandes marcas jovens de antigamente no longer são, percebi que esta, está espalhadinha em pequenas marcas, aliás bem legais e cheio de identidade, chato admitir o quanto eu me diverti fazendo moda jovem a quase 2 anos atrás, desisti, o meu chefe (dono da marca) me deixou quase louca (de verdade) e não fui ( e hoje tambem não são) reconhecidos $$$$$ , do you know what I mean???
    Maria, eles querem vender até a mãe, menos a gostosa moda dos jovens.
    Bjs

  3. Raymundo Avelino disse:

    Maria Prata adorei seu comentário sobre a moda que as emoresas vêm apresentando nos últimos desfiles. Apesar das pesquisas das tendências, creio que lhes falta o “colocar os pés no chão”. No meu ponto de vista, a moda não se prende somente ao mundo da fantasia. Ela tem muito ao ver com a realidade de nosso dia-a-dia. Será que as empresas fazem a pergunta: eu usaria esta roupa para andar na rua ou participar de algum evento social?
    Mas como ressalta Gilles Lipovetsky, “o individualismo no vestuário aumentou notavelmente, pois atualmente nos vestimos mais em função de nossos gostos do que por conta de uma norma imperativa e uniforme.”
    Talvez aí, esteja a justificativa do que as empresas da moda vêm apresentado nos desfiles. Apostam na individualidade do gosto de cada consumidor.

  4. Lady disse:

    qeria saber se nao tem moda emo ou outras tribos ???

  5. [...] mais tédio na moda por maria prata [...]

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