IDENTIDADE BRASILEIRA
Tô aqui com um sentimento mix de raivinha com felicidade. Tinha preparado um post de fim de ano para falar de identidade de moda brasileira e, ao abrir a revista Moda, da Folha de S.Paulo, me deparo com o editorial do Alcino, com uma linha de raciocínio bem parecida com a que eu faria. Claro, o assunto não é novo e tudo isso já foi falado. Foi, aliás, exaustivamente discutido no Pense Moda. Mas é bacana que essa discussão exista sempre. Então vamos lá.
Alcino escreve que a tal da identidade brasileira é hoje uma questão de marketing: “Para se distinguirem no mercado global, marcas não hesitam agora em adotar variados estereótipos sobre um tal de ‘Brazilian lifestyle’, sintetizados no clichê-rei que nos define como seres que levam uma vida muito sensual, colorida e descontraída num eterno verão à beira-mar.” Essa história de ficar numa eterna busca da identidade brasileira sempre me incomodou. Concordo com Alcino que ficar procurando enfiar o lifestyle brasileiro em tudo o que fazemos, só porque esse ideal vende bem lá fora, é o fim.
Mas o principal ponto que passa pela minha cabeça quando se fala dessa busca de identidade brasileira é que a moda lá de fora (a francesa, a americana, a italiana e a inglesa) se formou em épocas em que não existia essa troca tão grande de informações entre países. As referências não eram as mesmas, a mão de obra era local, as especialidades eram muito particulares de cada país. Cada um deles formou, por tanto, uma identidade própria, “isoladinhos” em seus territórios.
Já a moda brasileira se formou muito recentemente, “ao contrário da literatura e das artes do País, que se defrontaram com a questão de sua identidade nacional desde o século 19 até meados do 20”. Somos adolescentes. Adolescentes de uma era global, digital, conectada. Recebemos a mesma informação, minuto a minuto, que criadores e profissionais de moda do mundo todo. Ouvimos as mesmas músicas, assistimos aos mesmo filmes, lemos os mesmos jornais, comemos a mesma comida… vestimos as mesmas roupas, afinal (e aqui, atenção, não estou falando de cópias. Estou falando de desejos e vontades). Difícil, muito difícil, formar uma identidade estando tão fundido, amarrado, envolvido com o mundo todo. Por isso que a frase “moda brasileira é a moda feita no Brasil” faz muito sentido aqui.
Mas, calma. Não é que o mundo é pasteurizado, nada mais vai ser autoral e único e vamos sair por aí todos vestidos de jeans e camiseta branca. Essa identidade vai aparecer, aos poucos. Lá na frente vamos entender, afinal, qual é a cara da moda brasileira. Mas estejam preparados para descobrir, quem sabe, que talvez ela não seja “muito sensual, colorida e descontraída num eterno verão à beira-mar”. Deixemos que ela mostre a cara, antes de darmos uma cara a ela.
Enviado por: Maria Prata - Categoria(s): Comportamento, Crítica de moda, Moda Tags relacionadas: Alcino Leite Neto, Identidade brasileira

Acho que mais que nos preocuparmos com a moda brasileira simplesmente pelo viés estético devemos nos ater às questões qualitativas da moda produzida no Brasil, para que possamos ser recohecidos internacionalmente. Em entrevista à revista key (penúltima edição) Giovanni Bianco chama atenção para este ponto:
“Existe uma euforia muito grande, mas ainda precisamos criar uma base forte.” ….” Tem que resolver velocidade, preço, qualidade, entrega…” ….” Deve haver apoio de base para que se possa acreditar no made in Brazil”.
Acho que é nisso que devemos nos concentrar.
Já existe alguma seleção do jeito do brasileiro fazer suas escolhas estéticas na moda, isso definiria alguma identidade, ou pelo menos uma formação. Mas nada, nem nas artes e nem na literatura foge ao efeito da colonização. E nem acho que o tempo marcará alguma identidade, mas o tempo confirmará a essência das coisas, de quem está a fim de saber, claro!
“Deixemos que ela mostre a cara, antes de darmos uma cara a ela.”
Uma das frases mais concisas e coerentes que ouvi sobre o assunto até hoje.
Achei interessante esse posto. Meu trabalho de conclusão de curso foi sobre esse assunto. Estamos amadurecendo em relação ao “lifestyle fashion”. Infelizmente, ainda nos importamos (muito) com o que as outras pessoas vão pensar ou dizer da roupa que usamos. Por um lado ganhamos (vários) pontos com a produção de moda brasileira que, a cada dia, inova em qualidade e tecnologia, mas por outro lado, deixamos que essa praga viral de “o que vão pensar!” tome conta de nossas mentes. Quem sabe um dia não ficaremos curados e, enfim, deixaremos transparecer a verdadeira “moda brazuca!” Em quanto isso, vamos tomando algumas unidades de analgésicos.
Seu texto me fez pensar em uma coisa: qual produto que vejo no dia-a-dia e faço associação ao Brasil? Uhnnn pensei e pensei e não consegui sair do clichê dos mini biquenes coloridos, havaianas customizadas e eventualmente um vestidinho florido…
é bem dificil criar a identidade, os produtos personificados são caros, nem tudo é viavél. As influências externas quer vc citou no texto, como o consumo diário de informaçoes de qualidade e a custo zero, nos faz pensar que aos poucos essa “identidade brasileira” se perde com tantas referências impostas pelas mídias.
A Glória ponderou durante o Pense Moda, sobre a importância da construção de uma marca para se vender produtos tanto internamente como fora do país, mas ainda se tem uma questão: continuaremos copiando e reproduzindo a moda internacional, e a cara do Brasil, onde ficará estampada?
Que post maravilhoso!
Gostaria de uma opiniao sua sobre o meu Garotas Estupidas..
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Um beijao!
Camila Coutinho
Acredito que antes de conhecer ou decidir qual é a identidade da moda brasileira precisa-se conhecer o Brasil. Afinal eixo Rio-São Paulo é só uma parte do país. Não faço parte do mercado de moda, mas fico vendo essa discussão e penso que a maioria dos profissionais da área fica com foco apenas nestes dois lugares.
Sempre me incomodei com a discussão sobre essa tal “identidade” de moda brasileira. Como estudante de moda sinto que se hoje já fosse formada e uma designer, talvez me sentisse meio pressionada pelo assunto.
Acho também que pediria pela liberdade na hora de criar. Acredito que o melhor de um estilista é justamente seu próprio melhor, não importa quais são as raízes que se parecem com seu trabalho, se são francesas, italianas ou mesmo brasileiras.
Sinto que um dia, como designer, vou querer ter essa liberdade. Não sei no futuro, mas hoje não me sinto atraída por essa explosão do beachwear ou a importância do verão na exportação (por que só no verão??) brasileira. Por que os designers não se adaptam melhor ao calendário internacional? Por que não lançam as coleções de inverno e verão daqui como pré-fall e resort lá fora, seria uma tática não?
Enfim, como o post diz e como já li em várias reportagens, nossa moda tem muito a amadurecer.
Parabéns pelo post!!
obs: Se puder, queria uma opinião sua sobre meu blog (é como uma ferramenta de aprendizagem pra mim), obrigada!!!
http://www.plasticky.wordpress.com
Eu não consigo entender porque a moda brasileira tem quer uma cara? Ela não vai ter tão cedo, só quando deixarmos de copiar. E o povo brasileiro começar a aceitar as marcas nacionais, como lançadoras de tendências. bjs
Sim, Queria saber se vc gostou do cinto da MissMano que lhe demos na TMLS?bjs
Olá querida, acesse meu blog tem um prêmio especial para você.
http://www.meninamalvada.wordpress.com
Muah*
Maria,não vim aqui pra falar deste post não.Vim te desejar um 09 estupendo,cheio de energias boas,muitos posts aqui e matérias ótimas na Vogue (acho que acabei pedindo e não desejando,né …hahhhaha)
Bj e até 09 !
Olá, Maria!
Adorei teu texto e concordo plenamente. Penso nessa cara da moda brasileira desde que entrei nesse universo (há pouquíssimo tempo). Esse conto de vida à beira mar nem sempre é a realidade do estilista, nem do público. Falo isso por mim, que sou do interior do RS (agora moro em SP) e essa cara litorânea do Brasil, a mais levada em consideração, ficou distante da minha vida.
O que acho é que pode se pensar na cara da moda brasileira, pensando também nesses diveeersos e muitos cantos do país, como que pontuando uma essência à coleção, ou marca… Mas sempre adequado com a realidade de quem pensa (cria) e de quem veste a roupa, porque a maior influêcia/referência de criação que se tem, creio eu, é o próprio cotidiano, as pessoas e o ambiente que se vive.
Então, é isso! Queria só te parabenizar por tudo, gosto bastante do teu trabalho. E um ótimo feriado de Natal, e um 09 com muito sucesso.
Beijos,
Carol.
Fugindo um pouco do assunto, estava vendo um post seu antigo, em que você falava sobre livros de Moda.
queria saber se você acha este aqui bom, porque estou querendo comprá-lo: http://www.jacotei.com.br/mod.php?module=jacotei.comparacao&prodid=314961&catid=215&mostra=true.
Título: Fashion Design - Manual do Estilista
Autor: Jones, Sue Jenkyn
adoraria se você me respondesse, obrigada!
Caí no seu post por acaso, mas realmente vc não entendeu nada sobre o citado texto do Alcino Leite Neto. Pelo visto parece que ninguem entendeu.
Oi Alessandro, tudo bem?
Como foi que você entendeu o texto? O debate é bom, dê a sua opinião!
abç,
mp