GARETH PUGH: SUCESSO MERECIDO

Quando assisti ao desfile de verão 2008 de Gareth Pugh, em Londres, fiquei um pouco decepcionada, confesso. Era aquela coleção das cabeças quadradas, toda preta (as aways), e fiquei achando que aquele show bizarro todo não fazia muito sentido para mim – como editora de moda da Vogue (e não da I-D, da Purple, da Dazed & Confused), gosto de ver a moda que vai estar mais tarde nos closets das moças antenadas, em versões traduzidas do que foi mostrado na passarela. E aquilo ali definitivamente não chegaria mais longe que o ateliê do próprio estilista. Esta semana, porém, fiquei maravilhada com a coleção de Pugh, novo enfant terrible da moda inglesa (títuloue já foi de Galliano e McQueen, olha a responsa).
Gareth é o que chamo de “estilista dos estilistas”, como me ensinou Hussein Chalayan quando o entrevistei em maio passado (leia a matéria na Vogue de outubro!!). O trabalho dos tais “estilistas dos estilistas”, como é o caso de Pugh e Chalayan – e também de Rei Kawakubo nos anos 80 ou Alexander McQueen no começo de carreira – é muito mais inspiracional que comercial. Esses criadores mostram na passarela um mood a ser seguido, um clima para ser usado como referência, e não peças que você vai esperar ansiosamente que cheguem nas prateleiras para comprar já.

Mas o que foi então que me encantou na coleção de verão 2009 de Pugh? Bom, esta foi a estréia do estilista na semana de moda de Paris, o que significa que agora ele, que até então estava na categoria “novos talentos”, virou adulto na moda. Está entre os grandes – desfila ao lado de Vuitton, Dior, Chanel. E, pelo que vi nas fotos, ele deu mesmo a crescida necessária para estar lá. A meu ver, esta é a primeira coleção em que Pugh deixa de lado a proposta “estou aqui para chocar, sou revolucionário” e mostra uma coleção que, sim, continua autoral e conceitual, mas tem muito de beleza, de calma e, até
de moda. Tem, inclusive, peças de possível desdobramento para, quem sabe, chegarem até as prateleiras de algumas multimarcas bacanudas por aí. Mas, na verdade, isso nem importa tanto. Ele ainda é, afinal, um estilista dos estilistas. Até, claro, ser contratado por uma grande maison e ter que aprender a fazer, também, o comercial. E virar, aí sim, um estilista para nós, compradoras!

Adoro ler seu blog, só faz aumentar meu amor por todo esse mundo!
Oi Prata,
Uma coisa que eu gostaria de saber é como os estilistas do perfil do Pugh conseguem financiamentos e tanta exposição em semanas de moda tão importantes, já que o trabalho deles não é nada comercial.
Nada contra estilistas dos estilistas. Acho eles essenciais para a moda.
Abraços.
ADOREI o seu texto Maria!
Beijos
Sempre gostei de Pugh, sempre. Ele dá um alento exatamente na busca pouco óbvia das tendências e quem tem olhos de ver veêm…espero que mesmo virando comercial, não diminua a genialidade.
Maria! Que post perfeito!
Adoro o Pugh, e essa estréia mostra que ele cresceu mesmo.
Vou fazer o possível para ler a vogue deste mês( ainda não tive tempo para ler) !!
Aproveitando o post, Maria tem como você nos falar sobre o Studio – Berçot? Que cursos tem e coisas do tipo?
Beijosss!!!