Eleição em São Paulo não deve mudar relação do PSD com o governo federal, diz vice de José Serra
Secretário de Educação do município de São Paulo, Alexandre Schneider (PSD) foi pinçado pelo tucano José Serra como o candidato a vice-prefeito de sua chapa para se contrapor ao jovem ex-ministro da Educação Fernando Haddad, escolhido pelo ex-presidente Lula como candidato do PT à Prefeitura da capital paulista.
Último entrevistado da série que o Poder Online realizou com os candidatos a vice de São paulo (já foram postadas entrevistas com os vices de Soninha, Fernando Haddad, Gabriel Chalita, Celso Russomano, Carlos Gianazzi e Paulinho da Força) Schneider não aceita discutir a quem o PSD apoiará, caso sua chapa não vá para o segundo turno. Mas ele admite que o partido, em qualquer situação, continuará aliado do governo federal.
Alexandre Schneider abre as baterias contra a herança que Kassab receu da administração da petista Marta Suplicy na cidade, especialmente na área de Educação.
Poder Online – Como foi a conversa para decidir pelo seu nome na vice?
Alexandre Schneider – O Serra me procurou na noite anterior ao anúncio. Ele me disse que tinha de finalizar algumas conversas. Disse que estava falando com o Kassab, Alckmin, Aloysio Nunes Ferreira, com os partidos da base e que a tendência era pelo meu nome. Mas ele disse que tinha de fazer algumas reuniões e que não tomaria uma decisão sem a aprovação desses principais personagens, especialmente o governador Geraldo Alckmin, que era uma pessoa que ele fez questão de consultar antes de bater o martelo. Ao longo do período, o prefeito sempre colocou o seguinte: o PSD estará com o Serra de qualquer jeito. A relação entre os dois é muito forte, uma relação política, mas também uma relação pessoal, de confiança mútua. Então o Kassab nunca se sentiu à vontade para exigir alguma posição na chapa. Ele aceitaria nomes de outros partidos. E agradeci ao Alckmin no dia seguinte ao anúncio, por telefone.
Poder Online – Por que o Serra caiu nas pesquisas?
Alexandre Schneider – Acho que é um movimento natural das pesquisas. A eleição está começando agora. O que posso dizer é que temos muita confiança de que vamos para o segundo turno e vamos ganhar a eleição.
Poder Online – Por que tem tanto eleitor tucano declarando voto no Russomanno?
Alexandre Schneider – Russomanno está pegando votos de todo mundo. É natural. Ele é uma pessoa conhecida, tem um perfil de comunicador. Não é um voto ideológico. Não é um voto de direita ou de esquerda, tanto que ele pega votos dos dois lados. É o voto de alguém que pega um papel olha e diz: “Vou votar neste aqui porque o conheço”.
Poder Online – Surpreendeu esse fenômeno Russomanno?
Alexandre Schneider – Todo mundo sempre imagina que uma eleição em São Paulo se dará entre o PT e o PSDB. Sob esse ponto de vista, ele ter se desgarrado é algo novo. Mas 2008 também o Kassab acabou rompendo esta polarização histórica.
Poder Online – A área da Educação em São Paulo está boa?
Alexandre Schneider – É infinitamente melhor do que o que o PT nos legou e acho que a colocamos num caminho virtuoso e só tende a ficar melhor.
Poder Online – Precisa melhorar mais?
Alexandre Schneider – Tudo precisa melhorar em São Paulo. A Saúde, os transportes, a Educação. Veja, tudo está numa situação muito melhor do que recebemos, mas a cidade hoje quer e nós também queremos melhorar ainda mais. Gestor público não pode se acomodar e achar que está tudo bem.
Poder Online – O senhor é contra a política dos CEUs? O PT o acusa de não ter feito nenhum CEU além dos que já haviam sido licitados durante a gestão Marta?
Alexandre Schneider – Não, de jeito nenhum. O PT leva tão a sério essa função de ser oposição que tem dificuldade para reconhecer o mérito de uma gestão que manteve e melhorou um projeto que era deles. Essa acusação do PT é pífia. Encontramos os CEUs com problemas de infraestrutura, piscinas quebradas, materiais sumiram, câmeras de vídeo, gravadores… Os funcionários estavam em greve porque estavam sem receber havia seis meses. Então não havia aulas nas atividades culturais. Esses eram os CEUs. Essa história de que estavam licitados é uma balela. Os terrenos não tinham sido comprados. Tivemos que comprar os terrenos. Colocamos os CEUs antigos e novos para funcionar. Acho os CEUs importantes, mas não dá para descuidar, como o PT descuidou, da educação como um todo.
Poder Online – Se não for para o segundo turno, o senhor acha que o PSD procuraria apoiar alguém em separado dos atuais aliados?
Alexandre Schneider – Dependerá de muita coisa. Isso é uma hipótese com a qual não trabalhamos nesse momento. Essa questão não está colocada para nós. Temos certeza de que vamos para o segundo turno.
Poder Online – Independente do resultado da eleição, o senhor acha que algo muda na relação do PSD com o PT depois desta disputa?
Alexandre Schneider – Ainda é muito cedo para pensarmos no futuro. Temos de estar focados nesta eleição e nas eleições em que o partido disputa em outros lugares do Brasil.
Poder Online – Uma vitória na eleição em São Paulo promoveria alguma mudança na relação do PSD com o governo federal?
Alexandre Schneider – Acredito que não. O Kassab é um político muito correto e muito sincero. Ele não rompe com acordos que eventualmente tenha feito. No plano nacional não acredito que mude muito.
Poder Online – O senhor acha que o PSD deve lançar candidatura própria para o governo do estado?
Alexandre Schneider – Não sei, não sei. O jogo de 2014 está muito distante. Não dá para pensar nisso quando estamos tão envolvidos nas eleições municipais. Hoje o principal objetivo do PSD é se fortalecer em todos os estados nesta que é a primeira eleição dele.
Poder Online – O senhor se sente a vontade para matricular o seu filho numa escola pública hoje?
Alexandre Schneider – Meu filho mais novo está na educação infantil. Sinto-me à vontade, mas acho que essa é uma questão de foro íntimo, vamos dizer assim. A qualidade das escolas da cidade melhorou absurdamente. Colocaria meu filho numa unidade de educação da Prefeitura com tranquilidade. Por outro lado, talvez se meu filho tivesse vaga na educação infantil com 6 mil crianças para fora, essas mães não entendessem que o secretário de Educação não teve uma prioridade por ser secretário.
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