Estratégia de Demóstenes é juntar processo político ao processo jurídico
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) deve apresentar amanhã sua defesa prévia ao Conselho de Ética do Senado.
É o último dos dez dias úteis de prazo regimental que dispos para apresentar a defesa, após ter sido notificado do recebimento de denúncia pela Mesa Diretora.
Assim agirá Demóstenes durante todo o processo de investigação contra ele no Conselho de Ética e na CPI do Cachoeira: esgotar cada passo no Congresso para tentar juntar o processo político, a que está submetido desde que foram descobertas suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, ao processo jurídico.
Isto por quê?
Porque no campo jurídico ele confia na sua habilidade como promotor de justiça e na deu seu advogado, o experiente Antônio Carlos de Almeida Castro. Assim como no também experientíssimo advogado de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.
Se conseguir se livrar na Justiça, Demóstenes acredita que terá mais argumentos para fugir da condenação política.
Antes dele, outros senadores — como José Roberto Arruda, Luiz Estevão, Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães — só foram cassados por decoro parlamentar, ou tiveram que renunciar antes de sê-lo, sob a acusação de que faltarem ao decoro por mentir ao Senado. Erro que Demóstenes está convencido de que não cometeu.
Daí porque também quer se pronunciar sobre o mérito das acusações no mínimo possível: para evitar contradições que permitam acusá-lo de ter formalmente mentido aos senadores.
Em resumo, essa é a estratégia discutida por Demóstenes com seus conselheiros: esgotar prazos, evitar contradições e tentar juntar o processo polítco ao jurídico.
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