O deputado federal Lúcio Vieira Lima comanda o PMDB da Bahia junto com seu irmão, o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, que hoje ocupa uma diretoria da Caixa Econômica Federal.
Mesmo assim, o PMDB declarou apoio no segundo turno ao candidato do DEM para prefeito de Salvador, ACM Neto. E desfilou do partido o candidato a prefeito no primeiro turno, Mario Kertész, que manifestou apoio ao petista Nelson Pelegrino nesta segunda fase das eleições municipais.
Em entrevista ao Poder Online, Lúcio Vieira diz que isso é apenas uma decisão local, que não teme pelo cargo de seu irmão no governo. E que em 2014 o PMDB baiano estará até o pescoço lutando pela reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Poder Online – Não foi uma atitude muito radical expulsar o Mário Kertész só porque ele manifestou apoio ao Pelegrino?
Lúcio Vieira Lima – Nós não o expulsamos. Ele se desligou do partido de comum acordo com a Executiva, já que tinha se filiado apenas para concorrer à Prefeitura. Ele havia declarado antes que, se perdesse, não continuaria na política.
Poder Online –Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula devem fazer campanha pelo Pelegrino. E o vice- presidente da República, Michel Temer, que é do PMDB, fará campanha pelo candidato de vocês?
Lúcio Vieira Lima – Neste segundo turno estamos apoiando o candidato do DEM. Não estamos diretamente na disputa. Então não há essa necessidade da presença do Michel. Já no caso do Pelegrino, a Dilma e o Lula são do partido dele. É natural que façam campanha.
Poder Online – A imprensa noticiou que a presidenta Dilma encarregou o Michel de convencer o PMDB baiano a apoiar o Pelegrino.
Lúcio Vieira Lima – Não fomos procurados por ninguém.
Poder Online – Vocês não acham incoerente apoiar o ACM Neto com o Geddel tendo um cargo na diretoria da Caixa Econômica Federal. Não temem que isso acabe criando problemas para ele no governo.
Lúcio Vieira Lima – O ex-ministro Geddel virou diretor da CEF devido à competência administrativa demonstrada quando comandou a pasta da Integração nacional no governo Lula. E também devido ao apoio que demos à eleição da presidenta Dilma em 2010. Essas são eleições municipais. Nada têm a ver com o quadro nacional Estamos apoiando o ACM Neto porque achamos que Salvador e a Bahia querem mudança. Tanto que ACM Neto saiu na frente no primeiro turno. E tanto que, segundo as pesquisas, o governador Jaques Wagner (PT) tem cerca de 3% de ótimo na avaliação popular enquanto a presidenta Dilma tem 67%.
Poder Online – Vocês aqui estão contra o PT. Em 2014 apoiarão a reeleição da Dilma como candidata do PT à Presidência da República?
Lúcio Vieira Lima – Claro! Não há outra hipótese. Aqui na Bahia o PT fez um péssimo trabalho. Mas, no governo federal, com a presidenta Dilma à frente, tem feito um excelente trabalho. Até porque tem tido a ajuda do PMDB e do vice-presidente Michel Temer. Nós estaremos engajados na reeleição da Dilma e do nosso Michel. Não há outro caminho.
Poder Online – E as mágoas com a participação de Lula e Dilma nas campanhas de Salvador e da Bahia contra os candidatos do PMDB local?
Lúcio Vieira Lima – Não há mágoas. São questões políticas, envolvendo a política local. Não sei porque o país olha a Bahia como algo estranho. Aconteceram casos assim no país inteiro nestas eleições. E no passado também. O Jaques Wagner, por exemplo, esteve na Convenção do PSDB apoiando a candidatura do tucano Antônio Imbassahy a prefeito. Foi incoerência?