
Índio da Costa (Foto: AE)
Candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra, o ex-deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ) está em São Paulo para uma série de conversas, especialmente com o PSD do prefeito Gilberto Kassab, com quem almoça hoje.
Ontem, Índio da Costa recebeu de Guilherme Afif Domigos o manifesto com as diretrizes do PSD e conversou com o ex-presidente do Partido Democratas Jorge Bornhausen, a quem relatou suas dificuldades de permanecer na mesma legenda do ex-prefeito do Rio Cesar Maia e seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia.
Em entrevista ao Poder Online, ele diz que não precisa definir agora sua filiação ao partido de Kassab. Mas basta um dedo de prosa para ver que a decisão está praticamente tomada:
Poder Online: O senhor vai para o PSD do prefeito Gilberto Kassab?
Índio da Costa: Eu não preciso decidir agora. Estou sem mandato. Então, posso filiar-me ao partido que escolher até outubro.
Poder Online: Mas quais são as possibilidades?
Índio da Costa: Hoje almoço com o prefeito. Ontem o Afif mandou-me o programa do PSD. Posso dizer que não há nada ali diferente do que eu tenha defendido na campanha: democracia; igualdade de oportunidades; respeito aos contratos; respeito ao contribuinte; descentralização da arrecadação; desenvolvimento com sustentabilidade; privatização dos aeroportos; nada de inventar impostos, como a CPMF. Digamos que vejo o PSD com muito bons olhos.
Poder Online: Mas é um partido mais próximo do governo Dilma Rousseff, que o senhor tanto combateu na campanha.
Índio da Costa: Falou-se muito que seria um partido auxiliar do governo federal, mas não vi nada disso. Por tudo que tenho conversado, trata-se de um partido independente. Com um ideário liberal, de centro e forte preocupação social. Defende o Bolsa Família, sim. Mas – está lá no programa que eu li! – cobra que seja dada oportunidade às pessoas para superarem a pobreza, para não ficarem eternamente dependentes do Estado, ou seja, uma porta de saída. Exatamente o que defendi na campanha.
Poder Online: Além disso tudo, tem a dificuldade de relacionamento com o ex-prefeito Cesar Maia e seu filho, Rodrigo Maia, que dominam o DEM no Rio.
Índio da Costa: Digamos que o convívio com eles está muito difícil. O Cesar Maia quer assumir como presidente municipal do partido. Para isso, ele está tirando o atual presidente, que foi uma indicação dele próprio.
Poder Online: Agora fala-se numa aliança entre o Cesar Maia e o ex-governador Anthony Garotinho (PSC).
Índio da Costa: É. Trata-se de uma aliança catastrófica. Não dá nem para comentar. O esforço deles é fazer do Rodrigo Maia candidato a prefeito, mesmo sabendo que não ganha. Apenas para alavancá-lo eleitoralmente e tentar reelegê-lo deputado federal dois anos depois. Porque, com seus índices atuais de popularidade, o Rodrigo não se reelege.
Poder Online: E o PSDB do Rio, não seria uma opção para o senhor se filiar?
Índio da Costa: Até seria. Gosto muito do deputado Octavio Leite, por exemplo, que é um possível candidato a prefeito do Rio em 2012. Mas o PSDB está muito ligado ao Cesar Maia. Nacionalmente fala-se até em fusão do PSDB com o DEM. Não dá para ficar sob a coordenação dos Maia.
Poder Online: Então o senhor vai mesmo para o PSD.
Índio da Costa: Tenho muita simpatia. Mas é como disse antes, não preciso decidir agora.