
Eunício Oliveira (foto: José Cruz – Agência Senado)
Eunício Oliveira é senador de primeiro mandato. Mas já o principal cacique do PMDB no Ceará e provável candidato do partido ao governo do Estado em 2014.
Na quarta-feira, ele e o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) discutiram longamente a possibilidade de o PMDB romper a aliança com o PT e apoiar a candidatura do comunista a prefeito de Fortaleza.
Mas, em entrevista ao Poder Online, Eunício afirma que, antes, tem um ritual a cumprir com seu principal aliado no Estado, o governador Cid Gomes (PSB).
Cid e a prefeita petista Luizianne Lins ainda não chegaram a um acordo em torno do candidato da coligação a prefeito da capital. Se este acordo não for fechado — ou se for mal fechado –, fica claro na entrevista a seguir que Eunício está disposto a se distanciar do PT.
No Senado, Eunício parece ter-se composto com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), de quem havia se distanciado no início do mandato. Já até declara o voto em Renan, se este realmente se candidatar à sucessão de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa.
Poder Online – O senhor viu a entrevista do senador Inácio Arruda ao Poder Online em que ele se lançou candidato a prefeito de Fortaleza? Como o PMDB ficará?
Eunício Oliveira – Vi. Eu acabo de vir de Brasília para Fortaleza com o Inácio no avião. Nós falamos do assunto. O Inácio é um candidato de peso e sempre foi muito correto comigo e com o PMDB.
Poder Online – E o PMDB pode apoiá-lo?
Eunício Oliveira – Por que não? Seu suplente aqui no Senado é do PMDB.
Poder Online – Ele tem dito que, havendo o acordo, o PCdoB poderia até apoiar sua candidatura a governador em 2014.
Eunício Oliveira – Pois é. Mais um elemento de proximidade.
Poder Online – Então?
Eunício Oliveira – Então é um bom começo de conversa. Mas o PMDB tem um compromisso no Ceará com a aliança em torno do governador Cid Gomes (PSB). Isso inclui uma decisão do PT acerca da candidatura a prefeito. Então não queremos apressar nada. Temos o compromisso com o governador de não avançar em nada sem antes conversar com ele, e nós vamos cumprir esse compromisso.
Poder Online – Quer dizer que, se Cid Gomes se acertar com a prefeita Luizianne Lins e for escolhido um candidato petista, vocês vão juntos?
Eunício Oliveira – Não é assim. O PMDB cumprirá seus compromissos, mas não aceitará prato feito. Trabalhamos pela manutenção da aliança. Mas nada obriga a que o candidato seja do PT.
Poder Online – A cabeça da chapa pode ser do PMDB?
Eunício Oliveira – Nosso partido deu os dois melhores prefeitos de Fortaleza dos últimos anos, o Juraci Magalhães e o Antônio Cambraia. Por que não podemos encabeçar a chapa? Podemos sair em aliança encabeçando a chapa. Podemos lançar candidato dentro e fora da aliança. Podemos apoiar o Inácio. O fundamental é entenderem que o PMDB está no jogo. Temos nomes para agora e para 2014. Temos a maior bancada de deputados federais. Temos o maior tempo de TV e rádio na propaganda eleitoral.
Poder Online – E o senhor será candidato a governador em 2014?
Eunício Oliveira – Parece um caminho natural dentro da minha trajetória no PMDB. Ainda mais que o governador Cid já foi reeleito. Mas é cedo ainda.
Poder Online – E no Senado? Parece que o líder de seu partido, Renan Calheiros, já está candidato à Presidência da Casa no ano que vem. O senhor o apoia?
Eunício Oliveira – Se o Renan for candidato, eu voto nele.
Poder Online – O PT e o governo aceitarão ver o PMDB acumulando as presidências da Câmara, com Henrique Eduardo Alves (RN), e do Senado, com Renan Calheiros?
Eunício Oliveira – Bem… Lá na Câmara é um acordo antigo entre o PT e o PMDB. No Senado, o PMDB tem direito por ser o maior partido e não está em questão abrirmos mão desse direito.
Poder Online – O senhor se compôs com o Renan? No início do seu mandato o senhor não fazia oposição a ele?
Eunício Oliveira – Não. Nunca fiz oposição ao Renan, nem fui alinhado. Mas sempre fomos amigos. Aliás, sou amigo de todo mundo no Senado. Quem fazia oposição ao Renan era o chamado Grupo dos Oito, oito senadores do partido que não votaram nele para líder. Também sou amigo deles, mas não sou integrante do Grupo dos Oito.