
Renato Casagrande (Foto: Elza Fiúza / ABr)
Diante de impasse nas negociações sobre a divisão dos royalties do pré-sal, o governador de Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), partiu para o ataque.
Em entrevista ao Poder Online, Casagrande disse que as bancadas dos estados produtores do petróleo “podem atrapalhar” as votações no Congresso, caso seja derrubado o veto do ex-presidente Lula ao rateio dos royalties entre todos os estados e municípios.
“As bancadas capixaba, carioca e paulista ficariam em situação de desconforto. O Congresso e o governo precisam votar outros temas de interesse, mas, para isso, é necessário um ambiente leve e de entendimento”, afirmou.
Poder Online – Como o senhor vê a articulação de líderes governistas no Senado para derrubar do veto?
Casagrande – A derrubada do veto só promove a judicialização do assunto, porque nós entraríamos com ação na Justiça. Além disso, obrigaria o governo a atrasar a contratação do novo modelo de exploração do petróleo. O melhor agora é o entendimento.
Poder Online – Mas o senhor acha possível conseguir esse entendimento?
Casagrande – Um ambiente de derrotados e vitoriosos não favorece ninguém. A derrubada do veto só leva ao tensionamento. As bancadas capixaba, carioca e paulista ficariam em situação de desconforto. E isso pode atrapalhar o funcionamento do Congresso. O Congresso e o governo precisam votar outros temas de interesse, mas, para isso, é necessário um ambiente leve e de entendimento.
Poder Online — Quais propostas vocês vão apresentar para buscar o consenso?
Casagrande — Nossa proposta é mudar a regra da divisão dos royalties no futuro, para novos contratos, quando a arrecadação estará maior. Para agora, apresentamos duas alternativas: uma é aumentar as alíquotas da participação especial para abastecer um fundo que seria distribuído entre os estados não produtores; outra opção é criar um fundo das áreas de concessão para dividir entre os estados. O que queremos é preservar o que foi contratado, licitado. Ninguém gostaria de sofrer redução de sua receita. Aqui no Espírito Santo, se me reduzirem R$ 600 milhões, desorganiza o estado.
Poder Online — Mas os estados vão aceitar essa proposta?
Casagrande – Estamos em um impasse. Para conseguir esse entendimento, governo precisa entrar na negociação. Conversei com a presidenta Dilma Rousseff na última terça-feira, e o Sérgio Cabral [governador do Rio de Janeiro] falou com ela também na quinta. Ela disse que o governo nos chamará para conversar, mas nada foi marcado até agora.
Poder Online — Quanto à aprovação da PEC 300 e da Emenda 29, qual é seu posicionamento?
Casagrande – Para aprovar a PEC 300, o governo precisa apresentar uma alternativa de financiamento para os estados, o que ainda não existe. Se não for assim, não tem condições. Já quanto à Emenda 29, não vemos problema em relação à regulamentação. Agora, não sou a favor de criar imposto, isso estaria na contramão do que deve ser feito em um país que possui carga tributária tão elevada.