
Valdir Raupp (Foto: Paulo H Cardoso – Agência Senado)
Presidente nacional do PMDB desde que o titular, Michel Temer, pediu licença do cargo para ocupar a Vice-Presidência da República, o senador Valdir Raupp (RO) dá como superado o episódio do bate-boca do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), com o governo por conta da demissão do presidente do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), Elias Fernandes.
Em entrevista ao Poder Online, Raupp diz que a ameaça de demissão do presidente da Transpetro, Sérgio Machado — indicado pelo líder no Senado, Renan Calheiros –, “foi boato”. E que os líderes do PMDB fizeram essas indicações não por interesses pessoais, mas para cumprir “uma complicada tarefa comum em sua região, o Nordeste”.
Ele aponta, inclusive, como o autor das “mais ferozes indicações”, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que é presidente nacional do PSB.
Apesar disso tudo, o senador diz que uma das lições a ser tirada do episódio é que “o PMDB não pode ficar de digladiando por cargos”.
Poder Online – Qual a sua avaliação final desse episódio da demissão do presidente do Dnocs em meio aos protestos do líder Henrique Eduardo Alves?
Valdir Raupp – Nós já demos esse episódio como superado, página virada.
Poder Online – Como assim?
Valdir Raupp – Já conversei com o Henrique, ele está tranquilo e já se acertou com o governo.
Poder Online – O acerto é que ele indicará o substituto.
Valdir Raupp – Parece que é isso. Não sei.
Poder Online – E tem o caso da ameaça de demissão do presidente da Transpetro, Sérgio Machado.
Valdir Raupp – Esse caso eu conversei com o Renan Calheiros (líder do PMDB no Senado) e ele disse que foi só boato. Nem existiu.
Poder Online – Mas não fica mal para o PMDB os dois líderes do partido discutindo indicações pessoais com o governo?
Valdir Raupp – Mas não são bem indicações pessoais. É uma complicada tarefa comum em sua região, o Nordeste, que eles têm que cumprir.
Poder Online – O Elias Fernandes foi apadrinhado pelo Henrique Eduardo alves, e o Sérgio Machado, pelo Renan.
Valdir Raupp – Mas no Nordeste as bancadas regionais costumam se reunir e decidir as indicações como um todo, cabendo aos líderes a intermediação com o governo. E essas indicações passam principalmente pelos governadores. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), é o atuor das mais ferozes indicações.
Poder Online – O senhor acha que a presidenta Dilma tratou mal o partido, contribuindo para o desgaste?
Valdir Raupp – Não. Acho que o diálogo com a presidenta está indo muito bem, até porque é muito bem intermediado pelo vice-presidente Michel Temer.
Poder Online – Qual lição fica destes episódios?
Valdir Raupp – Primeiro, que o partido tem que se manter unido. Unidos, nós temos crescido esses anos todos e continuaremos crescendo. Acho que nos mantivemos unidos nesse período, e isso ajudou bastante.
Poder Online – Mas essa coisa de cargos…
Valdir Raupp – De fato, eu nunca fui muito favorável a essa coisa de cargos. Tenho defendido a tese de que o PMDB não pode se digladiar por cargos.
Poder Online – E daqui para a frente? haverá alguma retaliação?
Valdir Raupp – Retaliação? De forma alguma. Um partido do tamanho do PMDB não pode se rebelar. Seria muito ruim para o país.
Poder Online – Mas sempre tem aquelas coisas que se pode fazer…
Valdir Raupp – Nada disso. No início do governo Lula, passamos dois anos sem qualquer cargo e continuamos apoiando o então presidente, em nome da governabilidade, do interesse do país. E aqueles foram momentos difíceis para o Lula, mas o PMDB continuou apoiando-o.
Poder Online – Assim será com a Dilma?
Valdir Raupp – Sim continuaremos apoiando, independentemente de cargos. Estamos no governo. Temos o vice-presidente, Michel Temer, ao lado dela. Esse é o nosso papel.