O senador Jorge Viana (PT-AC) foi designado pela Comissão do Meio Ambiente como um dos relatores do projeto original de Código Florestal aprovado no Senado.
Era o texto que o governo queria, mas os ruralistas da Câmara conseguiram alterá-lo, e a presidenta Dilma Rousseff acabou vetando vários pontos, o que obrigou o Palácio a editar a medida provisória do Código Florestal agora em votação no Congresso.
Foi o acordo para votação dessa MP na Comissão Especial que levou a presidenta Dilma Rousseff a dar uma bronca em suas ministras na quinta-feira.
Aliado e amigo pessoal de Dilma, Jorge Viana reafirma ao Poder Online o acordo. Mas diz que realmente o Palácio do Planalto foi ignorado por um motivo muito simples: “O governo não tinha voto.”
Poder Online – Afinal, houve acordo ou não houve?
Jorge Viana – Fechamos um grande acordo na Comissão, por unanimidade. Mas o governo não participou desse acordo.
Poder Online – Não participou? Por quê?
Jorge Viana – Porque o governo não admitia mudar a medida provisória. E porque o governo não tinha maioria. Não tinha voto.
Poder Online – E o acordo foi bom ou ruim?

Foto de Joédson Alves – DPA – com Dilma Rousseff lendo resposta das ministras Ideli Salvatti e Izabella Teixeira à bronca por não ter sido informada do acordo em torno da MP do Código Florestal
Jorge Viana – Foi o acordo possível. Os ruralistas tinham ampla maioria e estavam passando o trator. Eles aprovaram um primeiro destaque desastroso para o meio-ambiente, pois destruiria os rios intermitentes. E iam aprovar mais cinco destaques. Negociamos o abandono desse primeiro destaque já aprovado e evitamos a aprovação dos demais.
Poder Online – Quais foram os ganhos para os ambientalistas?
Jorge Viana – Primeiro, evitar o desastre desses destaques que iriam inviabilizar a recomposição florestal e promover a destruição de rios. Depois, conseguimos manter a recomposição de nascentes e não permitir uso de maciços exóticos na recomposição de áreas devastadas. Por fim, ganhamos tempo para que a medida provisória fosse votada em plenário sem caducar.
Poder Online – E no plenário?
Jorge Viana – No plenário, acho que os ruralistas também são ampla maioria. Se a presidenta Dilma quiser vencer, o governo tem que arrumar voto. Caso contrário, apesar dos protestos, o projeto que vai ser aprovado será este que acertamos na Comissão.
Poder Online – E se ela vetar? Como fica?
Jorge Viana – Não quero nem discutir isso agora, porque ainda não votamos na comissão.
Poder Online – Afinal o senhor gostou do resultado?
Jorge Viana – Olha, dizem que o Senado é o céu. Para mim, aquilo ali foi um inferno. Imagina ter que negociar um projeto estando em ampla minoria, mas que, pelo regimento, só poderia ser alterado por unanimidade e com o governo inflexível? No final, acho que foi um grande resultado.
Poder Online – E onde o governo errou?
Jorge Viana – Acho que o governo tem que pensar com antecedência na composição das comissões de seu interesse. Nesta da medida provisória, os ruralistas são franca maioria.