A terceira e atribulada presidência do Senado é o título do capítulo 25 de “Sarney, a biografia”, quando a jornalista Regina Echeverria relata a resistência do político em admitir a candidatura – com todos os detalhes de seu estilo de fazer política – e ilustra a narrativa com comentários de Sarney a respeito dos principais fatos da, talvez, maior turbulência na trajetória do biografado.
Sarney acusa seu então adversário na disputa pelo cargo, o ex-senador Tião Viana (PT), hoje governador do Acre, de entregar para o jornal O Estado de S. Paulo um dossiê a seu respeito “com mentiras todas alimentadas pelo pessoal do Senado que estava a favor dele, para quem ele já tinha prometido cargos e direções”.
Echeverria:
- Todas as acusações feitas a Sarney estão no livro.
Ela lembra que, no dia 25 de junho, a campanha do “fora Sarney” no auge da crise dos atos secretos, em 2009, teve mais postagens no twitter do que a morte de Michael Jackson.
Abaixo as repostas de Sarney a alguns fatos daquele ano.
Sobre a demissão de Agaciel Maia, ex-diretor do Senado e acusado de corrupção:
- Eu mandei chamá-lo pela manhã e disse-lhe: ‘Agaciel, você não pode mais continuar na diretoria-geral do senado, com toda essa especulação em cima de você. Até se provar se é verdade ou não é verdade…” Ele resistiu um pouco, mas compreendeu que deveria sair e saiu. [pág. 538]
Sobre a acusação – verdadeira – de uso de seguranças do Senado para vigiar sua casa no Maranhão:
- Eu os mandei para fazer um serviço de inteligência, saber se algo estava mesmo sendo organizado. Eles descobriram uma garagem em que estavam acumulados tambores de gasolina, mas nada aconteceu. Sempre os senadores tiveram direito a segurança em qualquer lugar que achassem necessário. Nada havia de errado ou ilegal, era pura campanha para minha desestabilização. [pág.539]
Sobre o ministro Aloizio Mercadante (PT), que foi obrigado a aceitar a imposição do ex-presidente Lula, rever sua posição “irrevogável” e apoiar Sarney:
- O Mercadante queria que eu pedisse licença e aceitasse receber uma censura do Conselho. Eu disse: “Respeitem-me, eu fui presidente da República e tenho dignidade. Qual é o fato que você aponta que eu cometi aqui para merecer censura? Dê-me um”. Ele não deu. [pág.558]