
(Foto: José Cruz/Agência Brasil)
O deputado Aldo Rabelo não está sozinho no seu PCdoB na proposta de novo Código Florestal, cujo projeto relatou na Câmara e aprovou contra a vontade do governo.
O texto foi para o Senado, onde deverá sofrer alterações. Mas o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) promete defender o texto elaborado por seu colega de partido.
Ele desenha um quadro pouco favorável aos ambientalistas:
– Na Câmara a matéria teve 410 votos. Não é porque a bancada ruralista seja deste tamanho. Há apenas uns 50 deputados que representam os grandes proprietários rurais. O projeto do Aldo foi aprovado porque representa a opinião de uma maioria avassaladora do país.
Poder Online — O senhor vai votar contra o governo?
Inácio Arruda — Vou trabalhar pelo acordo, onde for possível.
Poder Online — Mas o governo, que o senhor apoia, é contrário à proposta do Aldo
Inácio Arruda — O governo entrou nessa história muito pressionado. Sem uma proposta clara, oscilou de uma lado a outro. A verdade é que esta não é uma questão de governo, é uma questão de Estado, de país. Não vamos votar este assunto como sendo um problema do Palácio do Planalto. Trata-se de um tema que extrapola essa questão de governistas e oposição. Tanto que o PSol e o PV votaram com o governo na Câmara, e a maioria dos partidos governistas votaram de maneira diferente da recomendada pelo Palácio.
Poder Online — Por exemplo, o governo foi contra a anistia aos produtores rurais que ainda não estabeleceram em suas fazendas uma área de proteção permanente. O senhor mudará o projeto do Aldo neste ponto?
Inácio Arruda — O projeto não propõe anistia. Estabelece um mecanismo de regularização, de solução para o problema. Anistia, quem propôs foi o governo, que suspendeu a legislação até o próximo dia 11 de junho.
Poder Online — E o Senado votará o projeto em tempo de o Código valer antes do 11 de junho?
Inácio Arruda – Creio que não dá mais tempo.
Poder Online — Pelo menos o Senado aprovará o texto como querem o governo e os ambientalistas?
Inácio Arruda – Olha, os ambientalistas radicalizaram demais nessa história. Daí a derrota fragorosa na Câmara. Acho que há espaço para negociação. Mas ninguém pense que o Senado votará uma proposta que condene o conjunto do setor produtivo agrícola, especialmente os pequenos produtores, que são tão importantes na região Sul, na região Nordeste e até no Sudeste. Junte a isto os grandes produtores e você verá que não há espaço para a radicalização dos ambientalistas.