Deputado contrário à divisão do Pará diz que plebiscito deixará sequelas
Presidente da Frente em Defesa do Pará Contra a Criação do Estado do Carajás, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB) afirmou que o plebiscito de amanhã sobre a divisão do estado deixará sequelas devido ao acirramento do tema.
– A desqualificação do Pará e de nossa gente deixará marcas — disse.
Em entrevista ao Poder Online, Coutinho defendeu que os problemas enfrentados hoje no Pará não têm a ver com o tamanho de território, mas com as perdas geradas pela Lei Kandir.
E argumentou que a criação dos estados de Carajás e Tapajós apenas aumentará despesas e a criminalidade.
Poder Online – O governador Simão Jatene disse que o plebiscito cria ressentimento e mágoa no povo? O senhor concorda?
Zenaldo Coutinho – Teremos sequelas por causa do acirramento de ânimos e de excessos e atitudes desnecessárias. A desqualificação do Pará e de nossa gente deixará marcas. Mas a partir do dia 12, temos o papel de apagar as diferenças e divergências, pelo bem do estado.
Poder Online – Qual é sua aposta para o resultado amanhã do plebiscito?
Zenaldo Coutinho – O número de contrários à divisão do estado vai crescer. Acho que será maior do que os 61% apontados no último Datafolha.
Poder Online – Por que o senhor é contra a divisão do estado do Pará?
Zenaldo Coutinho – As dificuldades que o Pará enfrenta hoje não estão vinculadas ao tamanho do território. Sofremos é uma apropriação dos nossos recursos pela União para garantir a balança comercial do Brasil. A exportação de primários como o minério, o gado e a madeira – que são base da nossa economia – hoje é desonerada de impostos por causa da Lei Kandir. O Pará já perdeu 21,5 bilhões por causa dessa lei. Enquanto isso, acolhemos, a cada dia, mais imigrantes, em geral pobres, sem qualificação e em busca de emprego. E, em contrapartida, recebemos migalhas. A nossa renda per capita é baixa por conta dessa situação injusta preconceituosa.
Poder Online – Mas os investimentos não seriam mais bem distribuídos se o estado fosse dividido?
Zenaldo Coutinho – Talvez no século passado, não na economia do século 21. Se não, estados menores como o Piauí e Alagoas seriam extraordinários. Por que, então, Minas Gerais e o Amazonas não aceitam dividir seus territórios?
Poder Online – No caso da saúde, por exemplo, onde casos de alta complexidade precisam ser encaminhados para Belém, a divisão não ajudaria regiões mais afastadas?
Zenaldo Coutinho – Belém é referência em casos de oncologia e cardiologia. Mas temos atendimento de alta e média complexidade nos cinco hospitais regionais do país. Não estou dizendo que estamos às mil maravilhas. Temos muitos problemas, mas isso não é por causa da extensão do estado. Proximidade física de governante não significa eficácia.
Poder Online – Tocantins e Mato Grosso do Sul, que foram desmembrados, deram grandes saltos econômicos e sociais…
Zenaldo Coutinho – São casos totalmente diferentes. O Mato Grosso foi dividido na época do Geisel, que estava preocupado com as fronteiras entre o Brasil e países da América do Sul. Mas ele investiu recursos especiais no novo estado, assim como Tocantins, que foi criado pela Constituinte, e o estado teve perdão de suas dívidas. No caso do Pará, teríamos de dividir o Fundo de Participação dos Estados entre os três, não teríamos perdão da dívida e ainda gastaríamos para construir estrutura de governo. Quem paga essa conta? O povo.
Poder Online – Separatistas dizem que o desmatamento e criminalidade diminuiriam com a criação de mais dois estados.
Zenaldo Coutinho – Pelo contrário, agravaria a criminalidade e a pressão contra o meio ambiente, porque aumentaria o fluxo migratório para as novas capitais.
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