O Diretório Municipal de São Paulo do PT promove na noite desta sexta-feira (17) um ato em comemoração aos dos 33 anos de fundação do partido e dez anos de governo com a presença do cantor Zé Geraldo.
Compositor de “Milho aos pombos”, “Cidadão”, “Como Diria Dylan”, entre outros, Zé Geraldo militou pelo partido por décadas e fez shows em comícios petistas sem cobrar nada. No entanto, ao ser questionado sobre o show de hoje, o cantor não quis conversar sobre política.
“Fui contratado para fazer show, não para falar de política. Enquanto meu coração mandou, eu militei. No início da caminhada fiz muito show gratuito, estava envolvido. Hoje, sou artista e estou sendo contratado, reconheceram meu trabalho”, afirmou Zé Geraldo ao Poder Online.
O cantor afirmou que deixou a política há cerca de dez anos. “Não estou a fim mais de falar de militância, de mexer com isso. Não milito mais, pulei fora do barco, há uns 10 anos. Nem voto mais, eu lutei por democracia, pelo direito ao voto direto, mas não voto mais”, afirmou sem querer estender o assunto.
A data bate com a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência. Em 2002, ao saber que o marqueteiro da campanha da época, Duda Mendonça, estava pagando para a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano cantar nos comícios de Lula, Zé Geraldo chegou a ir ao comitê do PT pedir para ser contratado.
No entanto, na época, o partido optou por cantores populares e deixou Zé Geraldo e Walter Franco -autor de “Canalha”, que também cantava de graça em eventos do PT- de fora.
Zé Geraldo está na estrada com seu trabalho mais recente, o “DVD Cidadão: 30 e poucos anos”, que reúne os principais sucessos de seus 30 e poucos anos de carreira.
“Milho aos Pombos”, de 1981, apresentada no festival da Globo, segundo o próprio compositor, retrata o período da ditadura e foi censurada. É uma das músicas que não pode faltar em seus shows.
“Não pode negar a história, essas músicas tiveram importância. O cenário não mudou, ainda continuamos lutando contra ditaduras. O mundo mudou muito pouco, mudaram as armas. Minha história não terminou, ‘Cidadão’ vai ser cantada eternamente. Não tem espaço nas rádios porque não tenho grana para comprar espaço. O fato das minhas músicas não tocarem em rádios não quer dizer que não sejam músicas atuais”, afirmou o compositor.

O cantor e compositor Zé Geraldo (Foto: Divulgação)
Com Ricardo Galhardo, do iG São Paulo