Logo agora que os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram falar em público o que sempre falaram em off the records, Dilma Rousseff está diante de uma questão que pode acirrar ainda mais a briga no Judiciário.
Como se sabe, ela tem apenas uma semana (até o dia 30) para anunciar o veto, defendido pelo ministro da Previdência, Garibaldi Alves, em um dos artigos do texto que cria o Funpresp – o fundo de aposentadoria dos funcionários públicos dos três poderes.
É justamente o artigo que retira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) poderes sobre a formação do fundo do Judiciário, diga-se de passagem, criado apenas por pressão dos ministros das cortes superioras.
É claro que ninguém quer dividir poder com o CNJ, um órgão de fiscalização, justamente na hora de dizer quem terá direito a quê quando pendurar as chuteiras.

STF: veto dará à Corte controle total sobre Funpresp (Foto: AE)
Essa divisão de poder resultaria, acredita-se, em uma tremenda disputa sobre quem indicaria o comando do fundo do Judiciário – que, assim como o Executivo e o Legislativo, começará essa guerra dentro de uns dois a três meses.
Aliás, o veto a este artigo fez parte do acordo com o Senado para aprovação do texto sem necessidade de nova votação na Câmara. Acordo este de total conhecimento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).