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quarta-feira, 29 de agosto de 2012 Mercado financeiro | 05:56

Troster: há mercado no Brasil para bancos médios

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Troster: concorrência é predatória (Foto: AE)

Os casos de PanAmericano, BMG, Cruzeiro do Sul, Schahin, Morada e agora, como revelou o iG, BVA insinuam um esgotamento desse modelo de instituição financeira. Mas quem conhece o riscado garante que há mercado para novos bancos médios no Brasil, apesar da conjuntura de juros baixos.

- Generalizações não funcionam, cada banco é algo distinto. São pessoas, operações e nichos diferentes – afirma Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Febraban.

Ele credita a turbulência dos bancos de porte médio à regulação e distorções do mercado.

- A concorrência é predatória no mercado de consignado, no crédito de automóveis e isso quebrou as pernas de muita gente.

As expectativas, porém, são boas. Troster lembra que a relação crédito/PIB bateu agora nos 50% e deve subir muito nos próximos anos.

- Se fosse uma questão de mercado, o Banco Central não estaria cheio de pedidos de abertura de bancos médios, sobretudo estrangeiros. O nosso potencial é grande e hoje está atrás de países da América do Sul.

Atualização 11h50: O BVA, por meio de sua assessoria de imprensa, entra em contato com o Poder Econômico para contestar a inclusão de seu nome na lista de bancos com problemas. Argumenta que as outras instituições tiveram denúncias comprovadas de fraudes em seus balanços – o que não é o caso do BVA. O banco argumenta ainda que receberá aporte de R$ 300 milhões e, se estivesse com problemas de solvência, nenhum investidor aceitaria injetar recursos na instituição. Poder Econômico concorda com as observações e, em nenhum momento, quis fazer ilações quanto a fraudes. Segundo o BVA, seus problemas se restringem às consequências naturais da retração da economia brasileira, endurecimento do Banco Central quanto ao provisionamento dos bancos, que provocaram prejuízo ou reduziram lucros de várias instituições.

Atualização 14h50: A assessoria do BVA escreve ao Poder Econômico: “[...] “o banco esperava a retirada de seu nome da nota, uma vez que não se enquadra na categoria de bancos  que são exemplos de “casos que insinuam um esgotamento desse modelo de instituição financeira”. Além de não compactuar com fraudes, o BVA, como já explicado anteriormente, não atua nos segmentos de crédito consignado nem de financiamento de automóveis, apontado pelo entrevistado, o competentíssimo economista Roberto Troster, como o foco de “concorrência predatória que quebrou as pernas de muita gente, [...] uma vez que, pelos critérios adotados na nota e pela própria matéria do iG de ontem, o BVA não se enquadra como um exemplo de caso que insinue o esgotamento de modelos de bancos médios. Muito pelo contrário. O BVA possui um modelo próprio e único que mescla características de um banco de crédito com as de um banco de investimento, sem nenhuma presença no varejo, que é baseado em operações estruturadas de financiamento, em Fundos de Investimento de Direito Creditório e em crédito a empresas de médio porte, além de produtos de investimento.” Poder Econômico esclarece que não retira informações de notas já publicadas.

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Autor: Jorge Félix Tags: , , , , , , ,