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domingo, 15 de abril de 2012 Entrevista | 06:04

Por que os logos das roupas estão cada vez maiores?

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Machado: marcas precisam gritar para serem ouvidas (Foto: Divulgação)

Machado: marcas precisam gritar para serem ouvidas (Foto: Divulgação)

Ainda é cedo para falar em tendência, mas é notório que os logos estão cada vez maiores nas peças de roupa, até mesmo de grandes e renomadas grifes.

Segundo o professor de Gestão de Marcas no MBA da ESPM, Marcos Machado, o aumento do logo é justificado pela necessidade de as marcas serem notadas em um mundo cada vez mais veloz:

- Se [a marca] não gritar, ninguém escuta.

Poder Econômico – Por que os logos estão cada vez maiores nas peças de roupa?

Marcos Machado – As marcas são, no mundo atual, um grande veículo de autoexpressão das pessoas. Você compra uma marca e um produto menos por sua utilidade e mais pela capacidade que a marca tem de expressar os valores que você acredita, a sua identidade. Isso é muito forte. As pessoas não admitem que fazem isso, é um processo inconsciente.

Poder Econômico – E essa relação tem se intensificado?

Marcos Machado - Um dos fatores combinados é essa necessidade de expressão, em que tudo acontece de forma tão caótica e corrida. Hoje, as pessoas se movem cerca de 30% mais rapidamente que antigamente. Neste sentido, em que tudo você bate o olho num ícone e clica, o logo grande se torna necessário para ser percebido. É uma necessidade de quem vê e de quem demonstra. Hoje, temos muito mais marcas que no passado, se [a marca] não gritar, ninguém escuta.

Poder Econômico – Então, a tendência é de que logos fiquem cada vez maiores?

Marcos Machado - Eu acho que é uma tendência, mas teríamos de esperar um pouco para ver se essa questão realmente se confirma.

Poder Econômico – Pode-se dizer que, com os logos maiores, as marcas começam a visar um outro público – com a ascensão da classe C?

Marcos Machado – Não acredito. Via de regra, quem usa a Lacoste, por exemplo, sempre buscou, ainda que inconscientemente, uma relação com a marca. O jacarezinho menor sempre trouxe essa identidade. O que se busca é uma forma diferente de atingir o mesmo público em um outro cenário. Pode ser que hoje, um público maior tenha acesso à marca, mas o comportamento desse público não é diferente do público anterior. O que ele busca não é diferente.

Poder Econômico – As marcas correm risco de desgastarem sua imagem com essa superexposição do logo?

Marcos Machado – Correm, sim. Aí entra a questão da medida. O uso da marca como expressão é um processo delicado. As pessoas não sabem que fazem isso, embora façam. As pessoas usam justificativas racionais para esse processo emocional. Se a marca passar da medida e deixar parecer que seu uso está associado a status, pode ser um tiro no pé.

Poder Econômico – E qual é a medida ideal?

Marcos Machado - A medida é o necessário para ser percebido sem passar para algo apelativo. Aumentar o tamanho para ser percebido é necessário. Aumentar demais pode parecer necessidade de chamar atenção.

Poder Econômico – As marcas estão próximas da medida certa ou, em geral, estão atirando no pé?

Marcos Machado – É difícil dizer. Normalmente, quando alguma coisa dá errado com marcas, leva-se algum tempo para perceber. Mas há alguns casos de exagero de marcas. A Puma, por exemplo, é um caso de marca que pode estar passando um pouco da conta.

Autor: Klinger Portella Tags: , , , , ,