José Oreiro | Poder Econômico

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012 Conjuntura | 05:05

Desafio para os economistas: o dilema da produtividade

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Desde agosto de 2011, a taxa de câmbio sofreu uma desvalorização entre 25% a 30%. Na previsão do Banco Central será difícil um impacto dessa mesma magnitude nos próximos 12 meses.

De acordo com cálculo de Nelson Marconi, da FGV, o câmbio deveria perder mais uns 30% (chegar a R$ 2,66) para atingir o ponto de equilíbrio industrial e afastar o risco de desindustrialização e retrocesso da economia brasileira a um estágio primário-exportador.

O impasse começa a aquecer ainda mais o debate econômico e o embate entre os sócio-desenvolvimentistas e os monetaristas sobre o modelo de desenvolvimento em curso.

O economista José Oreiro fez em seu blog uma crítica à posição dos sócio-desenvolvimentistas. Logo ele, um keynesiano. Mas nada é tão simples assim.

O diretor do BC, Carlos Hamilton Araújo, ontem, fez quase um apelo para os economistas discutirem taxa de juros real de equilíbrio (taxa neutra) e produtividade – a chave da questão.

Do jeito que a economia anda a passos largos para o modelo de substituição de importações, o risco é devolver no futuro o ganho obtido nos últimos dez anos, como já destacado por Poder Econômico, ao comentar a análise de Marcelo Néri da chamada “década inclusiva”.

De acordo com Oreiro, o modelo em curso, de câmbio apreciado em detrimento da exportação, no longo-prazo, é impulsionado pelo crescimento dos salários acima da produtividade do trabalho e empurra o Brasil para a substituição de importações, “que se mostrou historicamente incompatível com a melhoria na distribuição de renda”.

Já Márcio Pochmann, ex-Ipea, tuitou:

- Desigualdade da renda do trabalho em 2011 equivale a de 1960, após o ciclo de concentração liderado pela ditadura militar e neoliberalismo.

Autor: Jorge Félix Tags: , , , ,

segunda-feira, 18 de junho de 2012 Governo | 11:56

Pimentel também tem um nome para o Ipea

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Como publicado por Poder Econômico no dia 4, o economista Marcelo Neri (FGV) tem o apoio do ministro Guido Mantega para assumir o comando do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

E este, claro, tem muito mais valor e peso do que a simples indicação do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. Lembre-se que Moreira não conseguiu emplacar nenhum dos nomes que tinha para o cargo.

O problema é que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, passou a apadrinhar outro nome para o cargo, o do economista José Oreiro (Unb) – que tem total respaldo dos acadêmicos de Minas Gerais.

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segunda-feira, 7 de maio de 2012 Conjuntura | 06:07

Amir Khair: “Reuniões do Copom são uma farsa”

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Nome de relevância entre os economistas do PT desde que o PT é PT, o professor Amir Khair foi voz isolada na defesa da intervenção do governo nos bancos públicos para derrubar o spread bancário, como noticiou Poder Econômico.

Sua posição revoltou tantos economistas que um deles fica até irritado quando seus artigos saem publicados ao lado dos dele no jornal O Estado de S. Paulo.

Gritaria à parte, o governo fez exatamente o que Khair defendeu na questão dos juros. Depois, em entrevista aqui, em fevereiro, afirmou que o governo mexeria nas regras da poupança ainda no primeiro semestre. Bingo.

Agora Khair responde às críticas do economista José Oreiro, registradas ontem também em entrevista aqui, e defende outras iniciativas do governo. Sobre a questão da indexação da poupança à Selic, Khair afirma:

- O que chama a atenção no Oreiro e nos guardiões da inflação é que ela irá subir à frente e com ela os juros. São os arautos da inflação e o país fica estagnado com medo da inflação. Chega de ficar refém da ameaça da inflação. Aposto que o rumo dos juros (Selic e na ponta) é de queda e a razão é simples: são anômalos e não tem justificativa em serem tão elevados. E, politicamente, é ponto de honra da presidente [Dilma Rousseff] derrubá-los.

E completa:

- Para mim (e me sinto sozinho nisso) o BC não controla a inflação e as reuniões do Copom são uma farsa. Não servem para nada, ou melhor, só servem ao atraso. Não estamos numa economia fechada. Aí sim valeriam conceitos como produto potencial, taxa de juro neutra e nível mínimo de emprego. A globalização comanda a inflação. E a disputa externa só tende a crescer com crise ou sem. Com crise mais ainda.

Sobre a poupança:

- Acho que o governo acertou ao alterar a poupança. Indexá-la à Selic é a forma possível para poder reduzir esse estorvo nas contas públicas e fator de atração da especulação externa, que sempre acha um jeito de driblar o IOF. Penso que a Dilma já sacou que a Selic não tem nada a ver com a inflação, mas não pode dizer isso. Aposentaria o BC na sua função de controlar a inflação.

E é bom saber o que Amir Khair está recomendando agora. Segundo ele, é hora de o governo ampliar a liquidez, independentemente do risco de inflação:

- Ao reduzir a Selic o governo federal vai ter poderosos recursos para ampliar sua ação. É isso que me parece estar no alvo do governo. Não é a redução da Selic para permitir menor juro ao tomador, pois a distância entre essas taxas é ainda enorme. Vale, contudo, o argumento politicamente. Começo a trazer ao debate a questão da liquidez. Penso que é oportuna essa discussão, pois nosso M1 [a soma de todo dinheiro em circulação incluindo os depósitos bancários à vista], é uma anomalia que precisa mudar e a oportunidade é agora com a abundância da liquidez externa.

Autor: Jorge Félix Tags: , , , , , ,

domingo, 6 de maio de 2012 Entrevista | 06:04

Oreiro: mudança da poupança é medida paliativa

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Oreiro: medida é contraditória à redução de juros no longo prazo (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)

Em meio a muitos elogios à decisão do governo de alterar a remuneração da caderneta de poupança para permitir a continuidade da queda da taxa básica de juros, o economista José Oreiro, da Universidade de Brasília, surge como uma voz crítica. Em um pequeno artigo em seu blog, sob o título As novas regras da poupança: emenda pode sair pior do que o soneto, ele encarna o garoto inconveniente da história a atacar a roupa do rei.

As mudanças nas regras de correção da caderneta de poupança devem permitir, sim, segundo Oreiro, a redução da taxa básica de juros. Mas por pouco tempo. Logo, o Banco Central será obrigado a retomar a escalada da Selic. Nesta entrevista ao Poder Econômico, o economista, recém filiado ao PPS, explica os motivos.  

Poder Econômico – Qual o erro na forma como foi feita a mudança na correção da poupança?

José Oreiro – A maneira pela qual a equipe econômica pensou a solução é equivalente à forma como pensa a política macroeconômica. Ou seja, nunca pensa ‘o todo’, é só em partes. Isoladamente. O objetivo era reduzir o grau de indexação da dívida pública. Essa indexação é um dos fatores que contribuem para os juros altos no Brasil. Mas aí a solução foi indexar a caderneta de poupança. Criou-se assim com a poupança o mesmo problema que o governo já tem com a correção das Letras Financeiras do Tesouro, as LFTs. A indexação aumenta o efeito riqueza positivo e tira eficácia da política monetária. Ele estimula a demanda e mais grave ainda porque a poupança é o recurso para troca de carro, compra de bens duráveis, consumo puro, e isso obriga a nova elevação de juros.

Poder Econômico – Mas a equipe econômica desconhece isso?

José Oreiro – Não. O governo percebeu isso. Tanto que incluiu na medida provisória um limitador para a nova regra de correção que é o patamar de 8,5% da taxa básica. O fato de isto estar lá já demonstra que o governo acredita em novas elevações dos juros básicos. Minha crítica é que essa medida da poupança vai contra o objetivo do governo.

Poder Econômico – Os juros, então, não vão cair?

José Oreiro – A curto prazo, sim. Mas o fundamental é buscarmos um juros de equilíbrio. Os juros vão continuar caindo agora, mas subirão. Estamos num momento de flexibilidade da política monetária. Os juros estão abaixo, claramente, do ponto de equilíbrio. Mas assim que a economia mundial der uma recuperada e mesmo a economia brasileira se mostrar mais forte, esse processo será revertido rapidamente. É uma medida paliativa. Não garante a continuidade no tempo.

Poder Econômico – Concorda com a afirmação de que o Banco Central trocou a meta de inflação pela meta de juros?

José Oreiro – Não acho isso. O que aconteceu na transição Henrique Meirelles para Alexandre Tombini foi que mudaram as preferências do comando do Banco Central quanto à condução da política monetária e, particularmente, no sistema de metas de inflação. A autoridade monetária tem dois caminhos a seguir: desvio de inflação com respeito à meta ou desvio do produto. Com Meirelles, havia clara preferência pelo primeiro. Com Tombini, optou-se pelo segundo. Mas isso é perfeitamente compatível com o sistema de metas. Existem vários trabalhos acadêmicos que sustentam isso, vou citar um só. Macroeconomics: Imperfections, Institutions, and Policies [de Wendy Carlin e David Soskice, editor Oxford]. Lá tem os modelinhos todos bonitinhos que mostram que isso é perfeitamente compatível com o sistema de metas.

Poder Econômico - O que deveria ser feito, então, para tomarmos o rumo do longo prazo? Corrigir a rota?

José Oreiro – O que mais me preocupa, como disse, é a falta de visão de todo. O governo tem lapsos na direção correta, como neste caso de corrigir a remuneração da poupança. Mas falta visão de conjunto. Falha na forma. Por quê? Na minha opinião, há um triplo comando na economia. Guido Mantega [ministro da Fazenda], Nelson Barbosa [secretário-executivo da Fazenda] e Luciano Coutinho [presidente do BNDES]. Dilma Rousseff tem preferência por Nelson Barbosa, por razões políticas, não o faz ministro. Mas também ouve muito o Coutinho. Falta um líder claro, um comando único e é isso que está gerando essas falhas.

Autor: Jorge Félix Tags: , , ,