
Alckmin: resistências à renovação (Foto: Marcelo Camargo/Abr)
Desde a edição da Medida Provisória 579, o governo Geraldo Alckmin se viu diante de uma arapuca: ou renova a concessão da Cesp nos termos exigidos pelo Ministério de Minas e Energia ou abre uma brecha para ser, eleitoralmente, em 2014, acusado de se recusar a ajudar no esforço de redução das tarifas de energia para domicílios e indústrias.
A saída repentina do diretor financeiro e de Relações com Investidores, Vicente K. Okazaki, da Cesp, expôs a divisão no governo Alckmin provocada pela MP 579. De um lado o dilema político neutraliza o discurso e, de outro, alguns integrantes do primeiro escalão fazem questão de deixar claro a posição contrária à renovação da concessão.
Alguns, como Okazaki, foram às últimas consequências: não vão assinar algo que pode prejudicar os acionistas e correrem o risco de serem responsabilizados mais tarde ou terem seus currículos de executivos arranhados por um prejuízo contábil.
Esta semana, Alckmin ouvirá o relato de seu secretário de Energia, José Aníbal, sobre a renovação da concessão. Mas o fator político dificulta a adoção de postura contrária. Seria terrível para o PSDB ter a Cemig, de Minas Gerais, e a Cesp, “contra a redução de tarifa”.
Tudo isso a despeito da opinião dos principais consultores técnicos do PSDB sobre o tema: David Zylbersztajn, José Goldemberg, Mauro Arce e Dilma Pena. Todos contra a renovação.
A Cesp (usinas de Ilha Solteira, Três Irmãos, Jupiá, Porto Primavera, Paraibuna e Jaguari), como se sabe, é a quarta maior geradora do país e, pela MP 579, terá a menor tarifa pelas novas regras e receberá indenização de apenas R$ 1 bilhão (25% do estimado valor não amortizado só de Ilha Solteira).
O governo transferiu desta terça-feira, 13, para o dia 28, a divulgação do resultado trimestral da Cesp. Até lá, Alckmin ganha tempo para formar um consenso em seu governo.