A França está em festa
A quem interessar: a França está vibrando hoje.
É que começa a Fête de la musique, marca do início do verão no país.
É só alegria por lá.
A quem interessar: a França está vibrando hoje.
É que começa a Fête de la musique, marca do início do verão no país.
É só alegria por lá.
Ninguém sabe o que vai sair da reunião do G20, dia 19 de junho, em Los Cabos. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai lá para dar todo o apoio ao presidente da França, François Hollande, socialista recém-eleito.
Segundo Mantega, é o momento de a Europa flexibilizar a política de austeridade econômica que falhou como receituário da crise. Ele está convencido que, mesmo que haja um agravamento momentâneo, a saída será desenvolvimentista e para isso Hollande precisa de apoio internacional.
Ou seja, com a queda de Nicolas Sarkozy, sai de cena a dupla Merkozy (que o francês formou com a alemã Angela Merkel) e entra a Mantelland.
Depois de todas as medidas econômicas adotas no pós-crise financeira, é impressionante o isolamento de Nicolas Sarkozy. Não surpreendente. Só chama a atenção do ponto de vista político.
Nenhum dos nove adversários deve estar com ele, oficialmente, no segundo turno. Sarkozy terá quase 74% da França contra ele! Serait humiliant!
Talvez alguns eleitores de François Bayrou (centro) e de Marine Le Pen (extrema direita) votem nele. Mas será difícil, ou ineficaz, uma aliança formal. Quanto aos eleitores de Le Pen, a luta de Sarkozy será para impedir a abstenção.
O primeiro desafio do presidente francês será convencer o adversário François Hollande a aceitar mais de um debate no segundo turno. Ele quer três. Antes do primeiro turno, queria dois. A tradição na França é apenas um debate no segundo turno. Só em 2002 não teve debate entre Le Pen (pai) e Chirac.
A participação dos eleitores franceses foi bem alta, 80%, mais próxima de 2007 do que de 2002. Em 2007, Sarkozy teve 31,2% dos votos no primeiro turno. Caiu cinco pontos. Desde 1958 (Vª República), é a primeira vez que um presidente chega em segundo lugar no primeiro turno da tentativa de reeleição.
A França seguirá assim o rito iniciado na Europa depois das medidas adotadas para debelar a crise financeira. Com um adendo. Mais do que uma reprovação ao governo da hora, o que se viu por lá, nesta eleição, foi uma rejeição pertinaz ao “tudo isso que está aí”. Foi o voto com raiva – um fenômeno que ameaça imprevisíveis consequências econômicas e sociais.
Ao favorito Hollande, restará uma atitude para debelar o impacto de suas promessas e posições antagônicas na economia. Talvez, diante da reação dos mercados financeiros hoje, seja necessário algo como uma “Carta ao Povo Francês”.
Uma alta executiva da Galeria Lafayette deixou o Brasil na semana passada e levou daqui um conselho de quase todos os interlocutores, consultores de marca e especialistas em varejo: para aumentar ainda mais o gasto das brasileiras por lá, a rede francesa precisa falar português.
Ou seja, contratar vendedoras que dominem o nosso idioma.
Ela acredita que vale a pena melhorar o tratamento. Afinal de contas, só na loja do Boulevard Haussmann, a principal da varejista, as brasileiras deixaram em 2011 cerca de 20 milhões de euros, o que as deixou como uma das três melhores clientes do mundo.
Mesmo assim, a rede descarta abrir filial no Brasil por enquanto. Este ano a Lafayette abriu no Marrocos e, no ano que vem, parte para Dubai.
O número é da Federation Française du Prêt-à-porter Féminin: caiu de 421 euros para 410 o orçamento médio anual das mulheres francesas para comprar roupas.
A culpa é da crise, lógico.
Um terço das entrevistadas em pesquisa da federação só compra em liquidação.
A decadência sem elegância provocou uma queda de 2% no desempenho do setor de vestuário na França em 2011.