Por que FHC pagou só 27,5% de imposto sobre seu prêmio
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso brincou, ao receber da Biblioteca do Congresso norte-americano 1 milhão de dólares pelo Prêmio Kluge, que 27,5% do valor foi para o governo, e que ele espera “que façam bom uso”.
Mas FHC poderia muito bem pagar um pouquinho mais. Bastava ele mesmo ter mexido na tabela do imposto de renda.
Só para lembrar, em 1997, seu governo subiu o teto do I.R. de 25% para 27,5%. E manteve a alíquota base em 15%. A primeira sempre foi considerada muito baixa e a segunda muito alta.
Se tivesse que pagar o I.R. ao governo dos Estados Unidos, FHC – um sovina assumido – teria sido mordido em 40%; na França, 57%; na China, 45%; no Reino Unido, 40%.
Tudo porque a existência de apenas quatro faixas de referência com um teto tão baixo, tornou-se uma jabuticaba econômica. Em países onde quem ganha mais paga mais impostos, existem até 12 faixas de referência de renda (é o caso da França; nos Estados Unidos, são 5).
Dilma Rousseff poderia tomar a reclamação de FHC como um sinal de que o Brasil poderia voltar a tungar menos de quem menos tem, como fazia no auge de seu crescimento econômico.
Atualização 15h43: A tabela está desatualizada. Poder Econômico faz a correção. Desde 2009, o Brasil possui quatro faixas de I. R. de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%., o que não altera em nada o fato de um contribuinte pagar pouco imposto sobre um ganho de 1 milhão de dólares.


