Apesar de o retorno do Congresso Nacional, após o recesso da eleição, coincidir com um momento de reaquecimento da economia, no último trimestre de 2012, é dado como certo que os parlamentares retornarão ao trabalho mais preocupados ainda com a crise mundial.
Ao contrário de outros períodos eleitorais, rusgas da campanha tendem a pesar menos do que a vontade dos parlamentares em aprovar com rapidez as medidas provisórias já assinadas por Dilma Rousseff no infindável pacote de combate à crise.
A maioria dos parlamentares está com um olho na urna e outro na economia. Doidos para tudo acabar logo e poderem se envolver nos assuntos econômicos. O motivo é simples: um em cada três deputados é empresário.
Todos sabem o quanto é frágil este ensaio da retomada da economia e, principalmente, seus negócios estão indo muito mal.
Só na Câmara, são 168 donos de empresas sujeitos a todas as intempéries da turbulência financeira global. O medo de Suas Excelências é engordarem os números de uma bancada em ascensão: a dos falidos.
Dois nomes são citados como os primeiros – mas não os únicos – com assento nessa nova bancada da Câmara: Alfredo Kaefer (PSDB-PR) e João Lyra (PSD-AL). Kaefer, da Diplomata, uma das principais avícolas do país, entrou em recuperação judicial, com uma dívida de R$ 500 milhões.
João Lyra, da Laginha Agro Industrial, viu seu pedido de falência ser suspenso pelo Tribunal de Justiça de Alagoas. Mas os bancos continuam cobrando suas dívidas.
O clima deve beneficiar o governo. Pode ser que as centenas de emendas, por exemplo, a Medida Provisória 579, que reduz o custo de energia no país, sejam reduzidas ou derrubadas “em nome do interesse geral da Nação”.
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