Ata do Copom: o perigo do “último ajuste”
A ata do Comitê de PolÃtica Monetária divulgada ontem pelo Banco Central foi a primeira, como se sabe, na qual os votos contrários ou favoráveis à redução da taxa básica de juros (Selic) foram identificados sem uma unanimidade de opinião entre os integrantes do Copom.
Essa alteração constituiu importante medida de transparência. Foi muito esperada pelo mercado financeiro. Mas nesta primeira experiência chama a atenção de alguns atentos observadores uma alteração de linguagem perigosa por parte do Banco Central.
Desde 1996, as atas e os relatórios trimestrais de inflação foram criados como parte de um arcabouço de comunicação com um mercado traumatizado com as surpresas dos tempos de superinflação. Seu objetivo era dar “alguma previsibilidade”, nas próprias palavras da autoridade monetária à época.
Ao explicitar o “último ajuste” com todas as letras, o Copom corre o risco de entregar ao mercado mais do que ele poderia dar, ou seja, risco zero para aqueles que atuam com a Selic nossa de todo dia.
Fica a impressão de que o Copom precisou precaver-se de uma reação do mercado às opiniões, no caso, dos três diretores que prefeririam manter a taxa básica em 7,50%.




