Walmart, Justiça do Trabalho e o “preço da desigualdade”
A Justiça do Trabalho no Brasil tem sido alvo de críticas de todo lado. São muitos os exemplos buscados por empresas para justificar o ataque.
O fato é que a redução da desigualdade social no país (em relação à renda do trabalho) na última década tem a ver também com a atuação da Justiça do Trabalho.
Alguns casos demonstram isso. O Walmart, na quinta-feira, divulgou uma provisão de 69 milhões de dólares (138 milhões de reais) para cobrir perdas de ações trabalhistas no Brasil. As ações ainda transitam na Justiça, mas a empresa global já precifica a derrota.
A rede de 530 lojas faturou 23,4 bilhões de reais em 2011 no Brasil e tem 82 mil empregados. Segundo o Walmart, se não fosse a provisão a unidade brasileira teria fechado o terceiro trimestre no lucro.
Exagero da Justiça? Talvez.
Mas a resposta positiva fica mais difícil quando o economista Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel e um dos maiores incentivadores de Barack Obama para aumentar os impostos sobre os ricos norte-americanos, revela em seu livro The price of inequality (O preço da desigualdade, ainda sem edição em português) que a fortuna dos seis herdeiros da família Walton, dona do “império Walmart”, soma 69,7 bilhões de dólares, equivalente a tudo o que têm 30% dos norte-americanos que estão na base da pirâmide social.
Ou seja, por aqui, a Justiça do Trabalho é quem está fazendo o que Obama, a duras penas, tenta fazer nos Estados Unidos.


