É a hora de a sociedade brasileira perder um tempinho nesta reflexão. Certamente, muitas vozes hoje criticarão a atitude do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de reduzir o spread de seus empréstimos para forçar o mercado privado a seguir esse caminho.

BB: bancos públicos em debate (Foto: AE)
Talvez as mesmas vozes que, em 31 de agosto do ano passado, afirmaram com todas as letras que o Banco Central havia reduzido a taxa básica de juros porque havia cedido à pressão direta de Dilma Rousseff sem nenhuma sustentação técnica para tal atitude. Lembre-se: a inflação oficial, anunciada ontem, foi a menor para um primeiro trimestre em 12 anos.
O tema do spread bancário foi abordado por Poder Econômico desde a sua primeira semana no ar, em janeiro. Agora, o fato. E a consequência explica o porquê da espera: as ações dos bancos privados caíram junto com as dos bancos públicos. Os lucros dos bancos brasileiros sempre é um tema digno de manchete no mundo. Tudo bem, nosso sistema é competente. Mais só a gestão eficiente explica o resultado recorde mundial durante anos?
A atitude do ministro Guido Mantega, de extrair à fórceps juros menores dos bancos públicos, no entanto, explicam o motivo da existência dessas instituições. Os brasileiros pagam aposentadorias privilegiadas, fundos de pensões generosos, agências onde nenhum banco privado quer estar entre outras despesas do BB e da CEF para quê? Se não for para o poder estatal ter condição de atuar quando avalia necessário corrigir distorções de mercado, os bancos públicos poderão entrar na primeira lista de privatização sem nenhum prejuízo à sociedade.
É bom lembrar que a formação de bolhas financeiras são atribuídas menos à quantidade de crédito e muito mais à sua qualidade – incluído aí como critério, sobretudo, os juros. Nada adianta para a economia encenar um teatro de que quem pega o empréstimo irá pagar e quem empresta irá receber, independentemente do nível das taxas. Deixar esse laiser faire prosperar dá na ópera bufa do século XXI, que teve seu ápice na quebra do Lehman Brothers, em 2008.