
Delfim: defesa de diálogo com o BC (Foto: AE)
Durante muitos anos, precisamente desde a década de 1990, o debate sobre o Banco Central independente flutua sobre a economia brasileira. Vira e mexe, alguém sai por aí defendendo a mordaça das autoridades em relação aos juros (sobretudo nos tempos do vice-presidente José Alencar).
É sempre bom lembrar que, em agosto do ano passado, o Banco Central foi acusado por economistas e comentaristas de “ceder” ao governo por decidir reduzir a taxa básica.
A frase do momento de Poder Econômico hoje é um diagnóstico do ex-ministro Delfim Netto sobre essa falsa polêmica:
- Há uma enorme incompreensão sobre as relações do governo com o Banco Central. O BC hoje é tão independente quanto foi no passado. Simplesmente tem mais conversa, porque o mundo é muito mais complexo. Você acha que o Bernanke (Ben Bernanke, presidente do banco central norte-americano) é independente do Obama? Você acha que o Draghi (Mário Draghi, presidente do banco central europeu) não conversa com ninguém?
É bom lembrar também que Alan Greenspan, ex-presidente do BC dos Estados Unidos, era tão independente tão independente que teve que fazer um capítulo à sua biografia, posterior ao lançamento do livro A era da turbulência, reconhecendo os seus erros, causadores da atual crise financeira mundial.
No Brasil, diga-se de passagem, desde 1989, nenhum candidato a presidente da República – nenhum – incluiu em sua campanha a defesa da independência do BC.
Autonomia é outra palavra. E outra coisa. A pergunta é a quem interessa uma coisa e outra? A crise mundial responde.