Depois de a inflação (IPCA) em maio cair para 0,36% contra 0,64% em abril, poucos têm dúvidas de que 2012 será consagrado como o ano de maiores erros nas previsões de economistas, consultorias, governo e comentaristas econômicos.
O motivo dos erros, arrisca-se dizer, é o ainda difícil entendimento da economia depois da crise mundial, alguma contaminação ideológica, um forte componente político e muita má vontade com os remédios estranhos à antiga receita da panortodoxia.
No entanto, é bom os comentaristas e economistas de plantão estarem mais atentos e fortes sem temer o desafio à frente, sob pena de só acertarem na última semana de dezembro.
O IPCA, mais uma vez, fortaleceu o único que está acertando em suas projeções: o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.
Antes acusado de abandonar o critério técnico para ser subserviente à vontade de Dilma Rousseff, quando o Copom reduziu a taxa básica de juros em 31 de agosto de 2011, agora é o “guru do mercado”.
Se o BC em vez de reduzir a taxa só tivesse deixado de elevá-la em agosto de 2011, como defendia uma boa parte dos detratores da política monetária, o país agora estaria em sérias dificuldades pois, como se sabe, o efeito desta ferramenta é retardado em, pelo menos, seis meses.
No início do ano, o menor número para os juros era de, no máximo, 8% – entre aqueles muito otimistas, mas até envergonhados de revelar a previsão em público. Agora fala-se em até 6%.
E a inflação, ao contrário dos críticos do BC, em vez de explodir motivada pelo preço das commodities, como pregavam consultorias com seus estudos sob o braço, caiu e dirige-se, de acordo com a ata do Copom, à meta anual de 4,5%.
Alguns ainda apostam em uma inflação de serviços, mas, mesmo esta, veio cautelosa em maio. Dá sinais de que o brasileiro aprendeu com a estabilidade e reage à alta de preços neste setor.
Em tempos de crise, o antibiótico do estímulo ao consumo tem evitado de virem dias piores para a economia brasileira. A longo prazo, é outra história.
Se mais uma crítica feita a Tombini, no ano passado, estiver correta – a de que trocara a meta de inflação pela de crescimento do PIB – é hora de o BC atacar nessa área. Afinal, foi aí que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mais errou nas projeções, levando em conta o máximo de bem e o mínimo de mal.
Nesta parte, cabe pouco ao BC além do instrumento monetário, que será “cauteloso” daqui para a frente, segundo a ata do Copom de sexta-feira. Mas é neste ponto que há o maior alinhamento entre a autoridade monetária e a Fazenda.
Os mesmos críticos de agosto de 2011, porém, começam a apostar em um número bastante fraco de crescimento do PIB em 2012 – inferior, dizem, aos 2,7% de 2011.
São paradoxais nos ataques. Se acusam Tombini de estar de olho no PIB, algo será feito. Talvez esteja aí um outro futuro erro de projeção.
O presidente do BC, é bom lembrar, tem repetido à exaustão que o segundo semestre será melhor e garantirá um crescimento maior do PIB – a despeito de a ata do Copom ter aceso uma luz amarela quanto à crise lá fora.
Todavia cabe ao mercado e aos investidores a escolha – difícil – de dar crédito às projeções ou aos acertos de Tombini.
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