
Felisoni: lojistas lucrarão com mais shoppings (Foto: Divulgação)
O boom de lançamentos de shoppings centers previsto para o Brasil neste ano, conforme noticiado pelo Poder Econômico, será favorável para os lojistas do país. A opinião é de Claudio Felisoni, coordenador do Conselho Provar Ibvar e especialista em varejo.
Em entrevista ao Poder Econômico, Felisoni considera positivo o movimento de abertura de novos shoppings em diversas regiões do país, que dá mais poder de negociação aos lojistas e beneficia os consumidores.
- Hoje, o lojista tem melhores condições de negociação que no passado.
Poder Econômico – O Brasil deve ter, neste ano, um crescimento de 10% no número de shoppings. Essa expansão é positiva para o varejo?
Claudio Felisoni – Esse crescimento responde à própria dinâmica de expansão do mercado interno. O Brasil vem passando por um crescimento vigoroso no mercado interno desde 2004 e o modelo de shopping center é compatível com essa expansão e com algumas questões que são inerentes a aspectos sociais, tais como, o grau de metropolização, de movimentação, a escassez de espaços para atividades de lazer. Nesse processo de expansão na renda, há um aumento da participação da faixa entre 4 a 10 salários, a dilatação da classe média. Eu vejo essa expansão como positiva para os lojistas. São mais oportunidades para escoar os seus produtos e colocar sua marca.
Poder Econômico – Boa parte desses novos empreendimentos está fora das grandes capitais. Isso torna o shopping menos atrativo para as grandes marcas?
Claudio Felisoni - O que ocorre é que esse processo distributivo de renda se dá nos vários planos. Se dá no plano de renda da família e da renda entre as regiões e cidades. Na medida em que as cidades vão se adensando, naturalmente, as oportunidades para esses empreendimentos e que aportam marcas com presença nacional passam a ser cada vez mais factíveis. Até porque existe uma dinâmica da ocupação desses espaços econômicos. Se eu não vou, o outro vai. O exemplo mais claro disso é que todo processo de desenvolvimento leva a movimento de diversificação. Na medida em que você aumenta a renda, vai crescendo na pirâmide de necessidades básicas para necessidades mais específicas. Se você tiver a fotografia de um estacionamento de um campo de futebol nos anos 70, você só vai ver fusquinha. Hoje, há uma diversidade enorme de marcas. Essa interiorização do varejo é decorrência desse crescimento do mercado interno.
Poder Econômico – Com tantos novos empreendimentos, os lojistas começaram a ser procurados para entrarem nos shoppings, diferentemente do que acontecia há alguns anos, quando os lojistas é que procuravam os shoppings. Isso dá a eles maior poder de negociação?
Claudio Felisoni – Nada é melhor do que a competição. É ela que estabelece o princípio do mercado. Nesse caso, o consumidor é o próprio lojista, que é aquele que recebe a oferta do espaço pelo empreendedor. Em momentos dessa natureza, obviamente que o mercado é mais comprador. O lojista pode desfrutar de melhores condições de negociação do que no passado. Claro que prevalecem as diferenças para determinadas redes ou lojas que são âncoras, as condições são infinitamente maiores que para o empreendedor isolado. De qualquer modo, com uma oferta maior de espaço a condição de negociação é melhor.
Poder Econômico – Mas também aumentam os riscos de investimentos errados…
Claudio Felisoni – Viver é arriscado… é difícil. Há uma tendência natural de expansão do mercado de consumo e, portanto, de ampliação das áreas brutas de venda, sem dúvida. Agora, aqui e ali é preciso examinar cuidadosamente o empreendimento para saber se aquele é um negócio viável. Pode acontecer de, em determinados momentos, um investimento não ter um retorno verificado em um horizonte previsto. Mas a tendência é que esse tipo de modelo se amplie ao longo dos anos no Brasil. Em um horizonte de longo prazo, são empreendimentos que devem ser rentáveis.