
Dilma de dedo em riste: economia espera briga contra despesas (Foto: Agência Brasil)
Na Marcha dos Prefeitos, Dilma Rousseff pôs sua popularidade à serviço de suas convicções administrativas. Abriu o coração a respeito da divisão dos royalties do petróleo. Saiu do episódio ainda maior para desespero daqueles poucos que lhe responderam com vaias.
O fato ilustra um bom uso de sua aprovação. Mas aqui e ali – seja no mercado financeiro, no meio político ou entre empresários – já aparecem aqueles que esperam, digamos, uma otimização desses índices altos em tarefas maiores: desafios estruturais da economia e de gestão pública.
Enfrentar a demanda de prefeitos talvez seja a parte mais fácil.
Essas vozes cobram, agora, a parte mais difícil para Dilma colocar em prática a derrubada daqueles três entraves ao crescimento econômico que ela mesma enumerou: juros, câmbio e impostos.
Os dois primeiros já foram empurrados e, pelo menos, tombaram um pouquinho. O último, porém, exigirá da popularidade de Dilma mais força ainda do que a necessária para brigar com bancos privados em rede nacional de rádio e televisão.
Reduzir impostos, implica, como se sabe, em reduzir despesas. E aí Dilma, na opinião de empresários, políticos e profissionais do mercado financeiro ouvidos por Poder Econômico, terá que comprar a briga de cortar no custeio da máquina pública.
Isso significaria uma diminuição de ministérios (ideia abandonada de repente), cargos ocupados por apadrinhados, mordomias (sim, essa palavra ainda existe na máquina pública) e outros gastos pagos com recursos de impostos para sustentar oligarquias e apoios políticos.
É esta briga que boa parte daqueles que estão ali, como se diz, com o umbigo no balcão da economia está pagando para ver se a popularidade de Dilma está disposta a comprar para manter o país numa trajetória sustentável.
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