Dívida de estados e municípios é próximo desafio de Mantega
Depois de spread bancário, poupança e câmbio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, será empurrado a arrumar uma solução para a dívida dos estados e municípios. Logo depois de seu depoimento no Senado, ficou evidente que a renegociação é uma questão latente e o ano eleitoral está complicando bastante a situação.
O clima pesou.
Embora o tema do depoimento de Mantega fosse a MP da caderneta de poupança, todos os parlamentares da base governista que foram ouví-lo cobraram uma solução para o endividamento dos estados e municípios.
Aliás, a base de apoio estava lá mais para isso – diante da falta de necessidade de defender Mantega de ataques consistentes da oposição.
Marta Suplicy (PT-SP) estava atrasada para abrir a sessão no Senado, mas fez questão de passar por lá só para cobrar de Mantega uma renegociação – assim como Luiz Henrique (PMDB-SC), Vanessa Graziotin (PT-AM), Ana Amélia (PP-RS) e também, embora não seja nem da situação nem da oposição (muito pelo contrário), Katia Abreu (PSD-TO). Até Lindbergh Farias (PT-RJ) pressionou o ministro nesse tema.
Como se sabe, há no Congresso um grupo de trabalho elaborando uma proposta para as dívidas (a mais óbvia a troca do IGP-DI pelo IPCA como indexador). Mas a questão, contaminada pelo clima eleitoral – e, lembre-se, um pleito municipal, no qual os deputados e senadores estão sendo cobrados diretamente pelos prefeitos de suas bases – está cruzando todos os assuntos em debate no Legislativo.
A maioria das mais de 100 emendas à MP da caderneta de poupança é sobre dívidas. É um desafio para a equação fiscal. Mas, como resposta, para alívio do mercado financeiro, Mantega lembrou aos parlamentares que, até hoje, nenhuma negociação de dívida implicou em mudança na Lei de Responsabilidade Fiscal, intacta desde 2000.
Ou seja, deixou claro que mexer na LRF está fora de cogitação.


