O conselho da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) fez, na manhã desta quinta-feira, uma de suas mais importantes reuniões, na sede da Secretaria de Energia, na região da paulista.
O clima foi de total perplexidade entre os dez participantes a cada uma das 27 questões – ou incertezas – de uma lista apresentada pelo conselheiro Mauro Arce, ex-secretário de Energia e grande especialista no setor.
Nos próximos dias, o governador Geraldo Alckmin receberá um panorama sobre o impacto da Medida Provisória 579 para decidir sobre a renovação ou não da concessão da Cesp. O estudo será apresentado a ele pelo secretário de Energia e presidente do conselho da Cesp, José Aníbal, e pelo secretário de Fazenda, Andrea Calabi.
Ainda é incerto o desfecho – renovação ou não -, mas, logo depois da reunião, Calabi expôs, com exclusividade ao Poder Econômico, a visão geral sobre as novas regras estabelecidas pelo governo federal:
- A MP castra a capacidade de investimento do setor de energia. Não só em relação à Cesp, mas também de Cemig, Copel, Chesf, Furnas. Os investidores do setor no país, grandes players globais, foram vilipendiados. Aqueles que olham ou buscam investimentos sólidos agora têm na cabeça a suspeita da intervenção.
Calabi destacou que “todos” são favoráveis à redução da tarifa de energia. Mas lembrou que a classe C, a baixa renda e os moradores de áreas rurais já estão atendidos por reduções pela tarifa social.
- Estamos apoiando todos os ganhos de competitividade. Fazemos isso por meio do ICMS que tem alíquota zero. O governo federal deveria fazer pelo PIS/Cofins.
Ele relata que, nessa quarta-feira, na reunião do Confaz, em Brasília, verificou-se uma “insatisfação coletiva” com um “quadro dúbio” na economia. Calabi relaciona como pontos levantados “por quase todos os governadores”, além da MP 579, a questão dos royalties do petróleo, entraves de financiamento e licenciamento, que impedem a execução de projetos, entre outros:
- Incluir o setor elétrico piorou o quadro. O setor elétrico foi revirado, como se tivessem feito um aborto.
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