Amir Khair: “Reuniões do Copom são uma farsa”
Nome de relevância entre os economistas do PT desde que o PT é PT, o professor Amir Khair foi voz isolada na defesa da intervenção do governo nos bancos públicos para derrubar o spread bancário, como noticiou Poder Econômico.
Sua posição revoltou tantos economistas que um deles fica até irritado quando seus artigos saem publicados ao lado dos dele no jornal O Estado de S. Paulo.
Gritaria à parte, o governo fez exatamente o que Khair defendeu na questão dos juros. Depois, em entrevista aqui, em fevereiro, afirmou que o governo mexeria nas regras da poupança ainda no primeiro semestre. Bingo.
Agora Khair responde às críticas do economista José Oreiro, registradas ontem também em entrevista aqui, e defende outras iniciativas do governo. Sobre a questão da indexação da poupança à Selic, Khair afirma:
- O que chama a atenção no Oreiro e nos guardiões da inflação é que ela irá subir à frente e com ela os juros. São os arautos da inflação e o país fica estagnado com medo da inflação. Chega de ficar refém da ameaça da inflação. Aposto que o rumo dos juros (Selic e na ponta) é de queda e a razão é simples: são anômalos e não tem justificativa em serem tão elevados. E, politicamente, é ponto de honra da presidente [Dilma Rousseff] derrubá-los.
E completa:
- Para mim (e me sinto sozinho nisso) o BC não controla a inflação e as reuniões do Copom são uma farsa. Não servem para nada, ou melhor, só servem ao atraso. Não estamos numa economia fechada. Aí sim valeriam conceitos como produto potencial, taxa de juro neutra e nível mínimo de emprego. A globalização comanda a inflação. E a disputa externa só tende a crescer com crise ou sem. Com crise mais ainda.
Sobre a poupança:
- Acho que o governo acertou ao alterar a poupança. Indexá-la à Selic é a forma possível para poder reduzir esse estorvo nas contas públicas e fator de atração da especulação externa, que sempre acha um jeito de driblar o IOF. Penso que a Dilma já sacou que a Selic não tem nada a ver com a inflação, mas não pode dizer isso. Aposentaria o BC na sua função de controlar a inflação.
E é bom saber o que Amir Khair está recomendando agora. Segundo ele, é hora de o governo ampliar a liquidez, independentemente do risco de inflação:
- Ao reduzir a Selic o governo federal vai ter poderosos recursos para ampliar sua ação. É isso que me parece estar no alvo do governo. Não é a redução da Selic para permitir menor juro ao tomador, pois a distância entre essas taxas é ainda enorme. Vale, contudo, o argumento politicamente. Começo a trazer ao debate a questão da liquidez. Penso que é oportuna essa discussão, pois nosso M1 [a soma de todo dinheiro em circulação incluindo os depósitos bancários à vista], é uma anomalia que precisa mudar e a oportunidade é agora com a abundância da liquidez externa.






