
Eleitora na França: rejeição à economia de Sarkozy (Foto: AE)
Depois de todas as medidas econômicas adotas no pós-crise financeira, é impressionante o isolamento de Nicolas Sarkozy. Não surpreendente. Só chama a atenção do ponto de vista político.
Nenhum dos nove adversários deve estar com ele, oficialmente, no segundo turno. Sarkozy terá quase 74% da França contra ele! Serait humiliant!
Talvez alguns eleitores de François Bayrou (centro) e de Marine Le Pen (extrema direita) votem nele. Mas será difícil, ou ineficaz, uma aliança formal. Quanto aos eleitores de Le Pen, a luta de Sarkozy será para impedir a abstenção.
O primeiro desafio do presidente francês será convencer o adversário François Hollande a aceitar mais de um debate no segundo turno. Ele quer três. Antes do primeiro turno, queria dois. A tradição na França é apenas um debate no segundo turno. Só em 2002 não teve debate entre Le Pen (pai) e Chirac.
A participação dos eleitores franceses foi bem alta, 80%, mais próxima de 2007 do que de 2002. Em 2007, Sarkozy teve 31,2% dos votos no primeiro turno. Caiu cinco pontos. Desde 1958 (Vª República), é a primeira vez que um presidente chega em segundo lugar no primeiro turno da tentativa de reeleição.
A França seguirá assim o rito iniciado na Europa depois das medidas adotadas para debelar a crise financeira. Com um adendo. Mais do que uma reprovação ao governo da hora, o que se viu por lá, nesta eleição, foi uma rejeição pertinaz ao “tudo isso que está aí”. Foi o voto com raiva – um fenômeno que ameaça imprevisíveis consequências econômicas e sociais.
Ao favorito Hollande, restará uma atitude para debelar o impacto de suas promessas e posições antagônicas na economia. Talvez, diante da reação dos mercados financeiros hoje, seja necessário algo como uma “Carta ao Povo Francês”.