O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, ao comentar o apagão desta madrugada, fez distinção entre os eventos ocorridos no governo FHC e os do governo Dilma.
De acordo com sua análise, há uma diferença que considerou importante: no governo tucano, foi um racionamento, uma crise de abastecimento de energia e, no atual, as interrupções que já viraram rotina são provocadas por falhas ou acidentes no sistema. Segundo ele, há energia.

Termoelétrica em ação: mesmo situação ocorreu há 11 anos (Foto: Divulgação)
Da mesmo forma que um paciente deitado numa maca de hospital à procura de atendimento dificilmente questiona se o enfermeiro é funcionário público ou terceirizado, o consumidor de energia pouco quer saber o motivo da falta de fornecimento em sua casa, sua empresa ou sua cidade inteira.
Pouco adianta, agora, a preocupação de querer definir se o apagão tucano é pior ou melhor do que o apagão petista. São ambos deficiências de planejamento dos dois governos.
No caso de FHC, como se sabe, o governo priorizou o ajuste fiscal a despeito de investimentos no setor – aliás, requeridos pelo ministro de Minas e Energia (Rodolpho Tourinho) àquela época. Ele ouviu um sonoro “não” do então dono do cofre, Pedro Malan, e o país ficou contando megawatt, como quem conta moedas, por mais de um ano.
Dessa vez, os sucessivos “apaguinhos” têm a mesma causa: falta de investimentos. O sistema está vulnerável a qualquer passarinho que pousa num fio. Ou a uma seca prolongada.
Ninguém pode prever fenômenos meteorológicos, mas os Estados Unidos estão passando pelo mesmo problema sem viver apagões ou alterar substancialmente a fonte de geração de energia. Talvez porque há mais previsibilidade por lá. Por aqui, Chipp anunciou ontem que será necessário ligar as termoelétricas.
Detalhe: os Estados Unidos vivem a pior seca dos últimos 60 anos. Seria até admissível um blecaute. No Brasil, o nível de armazenamento dos reservatórios está baixo como já esteve em 2001. Ou seja, vivemos uma situação já experimentada há apenas 11 anos. Ninguém imaginou que ela pudesse se repetir?
Em julho, a The United States Energy Information Administration, responsável pelo sistema, emitiu um alerta sobre um possível racionamento na Califórnia. Mas não houve blecaute, embora exista uma disputa desértica por água entre os agricultores e o setor de energia – onde o uso é maior do que nas plantações. O racionamento, no entanto, sequer prejudicou a extração do óleo de xisto (shale gas), o novo ouro norte-americano, cuja técnica de exploração é intensiva em consumo de água.
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