Juros bancários limitam reação do Brasil à crise
Há consenso entre várias vertentes econômicas que a ferramenta da política monetária (taxa Selic e empréstimos compulsórios) está esgotada. A questão imposta, neste momento, é se, em caso de agravamento da crise, as medidas macroprudenciais adotadas para ativar o consumo irão surtir o mesmo efeito de anos atrás. Na avaliação de muitos economistas, é bastante difícil e um dos principais estorvos são os juros bancários.
Um estudo dos professores Rosa Maria Marques e Paulo Nakatani (ela da PUC-SP e ele presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política) enumera as limitações para o Brasil expandir, mais uma vez, o crédito e o consumo. A conclusão é que será tarefa hercúlea convencer pessoas físicas e jurídicas a se endividarem às “taxas exorbitantes” cobradas pelos nossos bancos (na média 37,1%). O endividamento das famílias, lembram, já é alto. O economista Amir Khair, em artigo ontem, em O Estado de S. Paulo, faz coro:
- Caso fosse adotada a taxa média de juros ao consumo dos países emergentes, de 10% ao ano, o poder aquisitivo do consumidor poderia ser ampliado em 30% para compras de 24 prestações e de 45% para as de 36 prestações. (…) Creio ser difícil o governo trilhar esse caminho.
Khair lembra que as instituições financeiras públicas também cobram “taxas de juros extorsivas”. Mas elas nem estão erradas. Apenas são obrigadas a seguir a manada.
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