
Com o descanso de “Homeland”, “House of Cards” e “Downton Abbey”, é mais do que bem-vinda a volta de “Mad Men” – a sexta temporada da série já teve três episódios exibidos nos EUA; no Brasil, o primeiro e o segundo episódios vão ao ar na segunda (dia 22), às 21h, pela HBO.
Prepare-se. Enquanto a quinta temporada foi (com pontuais exceções) como um passeio colorido embalado pelas descobertas e sonhos dos anos 1960, esta sexta temporada (pelo menos o que nos indicam estes primeiros episódios) será como um baque que joga os personagens em um buraco escuro. O sonho acabou.

Na (ótima) quinta temporada, vimos divertidas viagens de LSD; uma Peggy mais confiante, crescendo profissionalmente e mudando de agência; Don Drapper firme e apaixonado pela mulher; Megan engrenando carreira de atriz. Mas, no finalzinho do último episódio, tivemos um indício do que viria – Don está num bar quando uma mulher aparece e pergunta: “Você está sozinho?”.
Corta para a sexta temporada. Don e Megan estão no Havaí. Enquanto Megan dança, se diverte, dá autógrafo, Don permanece calado (solta a primeira palavra vários minutos após o início do episódio). E retoma memórias da infância e da guerra.

Aparentemente, nada acontece nestes primeiro e segundo episódios. Há pouquíssima ação. Mas tem muita coisa acontecendo. A morte está ali, rondando. Há um vazio existencial sufocante, falta de perspectiva, traições, personagens querendo ser/ter o que não são/têm.
Vou parar por aqui para não entregar muito. Este início de sexta temporada não é de digestão fácil. Mas mostra por que “Mad Men” é uma série única na TV – ainda bem.
