Está acontecendo uma discussão curiosa no rock. Qual é a melhor banda: Metallica ou Iron Maiden?
A questão foi levantada pela revista britânica “Kerrang”, que completou 30 anos há pouco e, para celebrar a data, pediu aos seus leitores que escolhessem a melhor banda de rock das últimas três décadas – deu Metallica, seguido por Green Day (o Iron Maiden apareceu em terceiro lugar).

James Hetfield, do Metallica, em show em abril - Getty Images
O vocalista do Iron, Bruce Dickinson, esquentou a história. Disse o seguinte à revista “Metal Hammer”: “Eles podem ser maiores que nós e podem vender mais ingressos que nós e podem ter mais fãs burgueses de classe média em seus shows, mas eles não são o MAIDEN”.
Entendo o que o Bruce Dickinson quer dizer. O Iron Maiden nunca teve a pretensão de experimentar, de se aproximar de outros estilos, de se enturmar com quem está na moda. São tradicionalistas – fazem o mesmo tipo de música, com as mesmas referências nas letras, há 30 anos. Não que isso seja um problema: na música, no cinema, nas artes, muita gente descobre uma fórmula que funciona e se agarra a ela. Talvez a única fase mais distinta do Maiden tenha sido com o Blaze Bailey, no meio dos anos 1990 (não por acaso, o período comercialmente e artisticamente mais pobre do grupo).
Já o Metallica sempre teve um pouco mais de ambição. Thrash metal no início, na época de Cliff Burton; após a morte do baixista, com a entrada do Jason Newsted, fizeram “… And Justice for All”, mais lento e sério; depois veio a aproximação com o pop do “álbum preto”; deram uma bola fora ao entrar na discussão sobre direitos autorais por meio de brigas com os próprios fãs que baixavam músicas pelo Napster; voltaram às raízes trash com “Death Magnetic”, o mais recente disco.
Não que o Metallica seja uma banda inovadora, totalmente original, mas por arriscar um pouco mais (alguém imagina um baixista como Robert Trujillo no Iron Maiden?), tem a minha preferência. Estive no Morumbi, na última turnê deles pelo Brasil, no início do ano passado. Show bem pesado, com músicas de todas as fases do grupo. Quero ver de novo no Rock in Rio.
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O Álvaro Pereira Jr. encerrou a coluna “Escuta Aqui”, que ele pilotava há 15 anos no “Folhateen”, da Folha. Uma pena, pois, goste ou não das opiniões do Álvaro, seus textos são muito bem escritos: claros, precisos, bem argumentados. Não fica em cima do muro, não faz média com ninguém, não está preocupado se vão falar bem ou mal dele no Twitter. A notícia só não é mais triste porque o Álvaro passará a escrever aos sábados, na “Ilustrada”, no mesmo jornal.