Playlist – Blog de Cultura Pop do iG, por Thiago Ney

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segunda-feira, 20 de maio de 2013 cultura | 14:36

Questões sobre a Virada Cultural

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Em novembro de 2005, a primeira Virada Cultural aconteceu em São Paulo com o objetivo de estimular a população a ocupar a degradada região central de São Paulo. Havia cerca de 500 atrações espalhadas por 111 espaços. Dança, cinema, teatro e performances dividiam a programação com a música. Ninguém chutou a quantidade de gente que circulou pelo evento, e a PM comemorou a quantidade ZERO de ocorrências registradas.

Em maio de 2006, a segunda edição da Virada ocorreu pouco depois dos ataques do PCC. O evento, que quase teve de ser cancelado, foi considerado um sucesso, com 1,5 milhão de pessoas circulando entre as cerca de 600 atrações.

Maio de 2013. Dá para nos perdermos nos números: 2 mortos, 5 baleados, 2 esfaqueados, 28 presos, 3.400 PMs, 1.400 homens da GCM, 900 atrações, 4 milhões de pessoas.

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A Virada Cultural cumpre o objetivo inicial, o de estimular a população a ocupar a região central de São Paulo?

Me parece que não. Circulo bastante pelo Centro, e a cada ano as ruas estão cada vez mais ocupadas por lixo, sujeira, viciados, tudo sob a moldura de prédios mal cuidados e abandonados. Durante as noites e aos finais de semana, a vida cessa. Ou seja, a região central de São Paulo continua sofrendo.

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Algumas questões.

- É ótimo que a Virada Cultural leve vida à região central de SP em um final de semana. Mas e nos outros 51 finais de semana?

- É ótimo que a Virada Cultural abra espaço para a comida de rua. Mas não seria mais estimulante para uma cidade como São Paulo ter comida de rua massificada em todos os bairros da cidade e durante todo o ano? Existe um projeto de lei que regulariza a comida de rua em SP, mas não tem previsão de ser votado pelos vereadores.

- É ótimo que a Virada Cultural tenha bons e numerosos shows. Mas não seria mais interessante e democrático dar atenção para outros tipos de arte e entretenimento? A Virada Cultural foi inspirada na Nuit Blanche de Paris. Ali, o foco está na circulação de pessoas por galerias e museus, nas performances artísticas pelas ruas, e não apenas nos shows. A Virada virou um enorme festival de música. Não seria melhor montar uma Virada menor e mais diversificada? Espalhar os grandes shows gratuitos pelo ano inteiro?

A Virada é quase um patrimônio da cidade de São Paulo e sua realização está garantida por lei. Mas é preciso mudar.

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sexta-feira, 10 de maio de 2013 música | 12:37

57 minutos de Savages

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Câmeras inquietas, closes, pouca luz, tom nervoso, palco inexistente.  A dupla de diretores de vídeo D.A.R.Y.L. nos coloca dentro do show especial  do Savages que aconteceu na quinta-feira no clube Ministry of Sound, em Londres.

A apresentação foi montada pelo Creator’s Project, da Vice. Há pouquíssima conversa, apenas uma música atrás da outra, num clima pós-punk sombrio e elétrico.

As quatro garotas Savages formam a banda nova mais quente do mundo. Esses 57 minutos não me deixam mentir.

Notas relacionadas:

  1. Savages: As quatro garotas de Londres
  2. O manifesto Savages
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quarta-feira, 8 de maio de 2013 música | 16:51

O rap também chora: chegou o sad rap

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Bem-vindo ao sad rap, o rap triste.

O termo foi criado pelo norte-americano Little Pain (na foto acima), rapper de 21 anos baseado no Brooklyn, em Nova York.

Para Little Pain, ele representa “o lado do rap que não está sendo glorificado. Nós estamos adotando a realidade da luta em vez de tentar mostrar um lifestyle que não é o nosso. Somos tristes e orgulhosos”. Foi o que ele disse ao ótimo blog Pigeons & Planes.

Little Pain acaba de lançar online duas faixas, “SMH (Broke Boys Anthem” (que começa com uma criança chorando muito), e “High Cry”. E se prepara para soltar a mixtape “When Thugz Cry” (quando os valentões choram).

Não é a primeira vez que alguém despeja sensibilidade no rap – Drake é um dos nomes mais bem-sucedidos (e criticados) nos EUA justamente por compor letras intimistas, emotivas -, mas nunca ninguém havia ido tão longe, encarado a choradeira como um modo de vida, como Little Pain. “A realidade é que algumas pessoas nasceram tristes e preferem permanecer tristes”, afirma.

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música | 13:18

12 anos de DFA – O filme

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The Rapture, Juan MacLean, Yacht, Sinkane, LCD Soundsystem, Holy Ghost, Shit Robot, Prinzhorn Dance School, The Crystal Ark. Gente de todas essas bandas/projetos é ouvida em “12 Years of DFA: Too Old To Be New, Too New To Be Classic”, mini-documentário que registra o importante selo DFA.

Mas, mais do que bandas/projetos, a DFA é feita de músicas. “Losing My Edge”, “All My Friends”, “House of Jealous Lovers”, “The City Never Sleeps”, “Psychic City”.  E o filme mostra bem isso, o “DFA sound”, caracterizado principalmente por uma bateria seca (os caras revelam alguns truques).

Em 13 minutos, o documentário resume de forma divertida como funciona o selo. Falta, agora, um documentáro sobre algo que, para mim, é ainda mas interessante do que a DFA: James Murphy.

O cara que criou a DFA é até maior que o selo. Todo o disco-punk não teria acontecido se James Murphy não tivess reunido seus vinis de PIL, Liquid Liquid, ESG e Slits e montado festas em Manhattan e Brooklyn onde misturava tudo isso com Giorgio Moroder e house. E aí ele criou o LCD Soundsystem e fez o manifesto “Losing My Edge” e “All My Friends”. Alguém precisa contar a história de James Murphy.

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terça-feira, 7 de maio de 2013 música | 14:29

NPR: uma rádio pública a serviço da boa música

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Não é o Pitchfork, não é o NME, não é a Les Inrock, não é a MTV. O mais surpreendente local para ouvir/ver música hoje é a plataforma digital de música da NPR, a rádio pública norte-americana.

A NPR é um exemplo de que emissoras públicas podem e devem ser atuantes, relevantes, chamar audiência. Recebe verba do governo, mas mantém-se de pé também graças a doações.

O braço musical da NPR é uma criança – existe há seis anos. Mas em pouco tempo tornou-se ponto obrigatório para bandas que brigam para aparecer, para gravadoras que querem bombar um disco, para medalhões em busca de ar fresco.

Talvez o principal atrativo da NPR Music hoje seja o streaming de discos que estão para sair. A emissora liberou a audição de lançamentos de nomes como Leonard Cohen, She & Him, Ghostface Killah, Suede, Deerhunter,  o espetacular Youth Lagoon, Devendra Banhart, o álbum com faixas que nunca haviam sido lançadas de Jimi Hendrix, a trilha de “Great Gatsby”, Nick Cave, Classixx, Widowspeak etc etc. – isso pra ficar apenas em 2013.

Mas não fica nisso. Além dos programas mais tradicionais de rádio, a NPR transmite shows (ou trechos de shows) – em 2013, com gente como Nick Cave, Stooges, Yeah Yeah Yeahs e tantos outros, inclusive dentro do gigantesco festival South by Southwest.

Recentemente, a emissora soltou entrevistas com gente como Depeche Mode, Vampire Weekend, Iggy Pop, Talib Kweli, Phoenix. Dá para se perder por meses no site da NPR sem se preocupar em achar o caminho de volta.

O Wall Street Journal percebeu esse papel da NPR e dedicou reportagem sob o título The Improbable Rise of NPR Music. O braço musical da NPR tem orçamento anual de US$ 3 milhões. E parte, agora, para incrementar ainda mais a parte de vídeos. Bertis Downs, ex-empresário do  R.E.M., resume como a indústria enxerga a NPR: “Para mim, uma menção na NPR Music é mais valiosa do que uma capa de revista”.

Abaixo, o xx dentro da seção Tiny Desk Concerts.

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sexta-feira, 3 de maio de 2013 Cultura pop | 12:56

Fotógrafo recria cenas de filmes com imagens atuais

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Que ideia sensacional. O fotógrafo Christopher Moloney vai a locais que serviram de locação para filmes e recria as cenas unindo a imagem do longa à paisagem real.

Segundo o próprio site de Moloney, suas imagens podem ser vistas em casas e galerias de países como Reino Unido, canadá, Rússia, Itália, Estados Unidos e Brasil.

"Seven"

"Anos Incríveis"

"De Volta para o Futuro"

"Transformers"

"O Cavaleiro das Trevas Ressurge"

"Os Embalos de Sábado Continuam"

"O Bebê de Rosemary"

"Cocktail"

"Sex and the City 2"

"Intriga Internacional"

Tem muito mais no site de Moloney.

Notas relacionadas:

  1. Fotos ‘revelam’ bastidores de filmes e séries
  2. Fotógrafo brasileiro produz ensaio com albinos
  3. Dentro do mundo do Slayer
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segunda-feira, 29 de abril de 2013 música | 17:18

Beady Eye e a nova “Second Bite of the Apple”

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Liam Gallagher em show do Beady Eye - foto: Getty Images

“Second Bite of the Apple” não é nenhuma reinvenção da roda, mas nos mostra pelo menos que o Beady Eye não se resume apenas a um sub-Oasis.

Levada pela inconfundível voz meio rasgada de Liam Gallagher, a faixa é bem mais interessante e trabalhada do que as músicas que estavam em “Different Gear, Still Speeding”, o primeiro disco, que saiu em 2011.

O segundo álbum, “BE”, ganha o mundo em junho e tem na produção ninguém menos que Dave Sitek, guitarrista-nerd da ótima TV on the Radio.

Abaixo, a letra de “Second Bite of the Apple”.

Shake my tree where’s the apple for me
Tickle my feet with the enemy
No point laughing if you don’t know why
I phone my love just to hear her smile

The word is up if you’re tough enough
Girl in the queue, got an eye on you

Think you’re in and she’s looking for sin?

Yes you’re not wrong
She wants to know what’s in your pocket
Singing that song, dig it all night long

The word is up if you’re tough enough
The word is if you’re tough enough

Come on! Show what you love now

Shake my tree where’s the apple for me
Tickle my feet with the enemy
No point laughing if you don’t know why
I phone my love just to hear her smile

The word is up if you’re tough enough
The word is if you’re tough enough
The word is up if you’re tough enough
The word is if you’re tough enough

Come on! Show what you love now

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sexta-feira, 26 de abril de 2013 música | 16:14

São Paulo recebe Daniel Johnston e Justin Strauss

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Daniel Johnston é muitas vezes descrito como um roqueiro de comportamento errático e que sofre de problemas como esquizofrenia. É um reducionismo besta. Johnston é um brilhante músico e autor de joias criadas a partir de um rock não convencional.

Uma boa porta de entrada para o mundo do norte-americano de 52 anos é o obrigatório documentário “The Devil and Daniel Johnston”, de 2006. Outra meio de conhecer esse músico admirado por Kurt Cobain é o show que ele realiza hoje no Beco 203, dentro do festival Popload Gig.

Johnston passou por Argentina e Chile antes de (finalmente!) aterrissar no Brasil. Abaixo, ele canta “I’m Walking the Cow” em Buenos Aires.


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Depois do Daniel Johnston, nada mais recomendável do que a festa Selvagem, com um grande DJ norte-americano.

O nome do DJ Justin Strauss costuma ser associado a muita gente e lugares. C&C Music Factory, Madonna, Tina Turner, Madonna, Keith Haring, Danceteria, Ritz, Mudd Club, Paradise Garage.

Porque Justin Strauss está nesse negócio há muito tempo. O DJ começou a tocar em clubinhos e festas de Nova York e acabou conhecendo e trabalhando com meio mundo que circulava em torno da cena disco norte-americana do final dos anos 1970.

Pois Strauss chega ao Brasil nesta semana. Toca em São Paulo (nesta sexta, na Trackers; infos aqui) e no Rio (sábado, em casa na rua Sacadura Cabral, 145; infos aqui).

Ele acaba de lançar uma faixa pelo projeto A/jus/ted, formado junto com Teddy Stuart.

A passagem de Strauss é organizada pela dupla Selvagem (Augusto Trepanado + Millos Kaiser), responsável por uma das festas mais quentes de SP. Disco, house, raridades: dá para esperar tudo isso de uma noite Selvagem. A dupla, inclusive, fez uma ótima mixtape para o não menos ótimo Beats in Space, do Tim Sweeney. Dá para ouvir aqui.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013 música | 13:46

O novo Daft Punk

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Consegue imaginar a cena: estamos em 1979 no Studio 54 e Michael Jackson chega de repente e começa a cantar uma das faixas de “Off the Wall” e todo mundo na pista dança feliz da vida?

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Cultura pop | 13:11

“Mad Men” volta ao Brasil – o sonho acabou

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Com o descanso de “Homeland”, “House of Cards” e “Downton Abbey”, é mais do que bem-vinda a volta de “Mad Men” – a sexta temporada da série já teve três episódios exibidos nos EUA; no Brasil, o primeiro e o segundo episódios vão ao ar na segunda (dia 22), às 21h, pela HBO.

Prepare-se. Enquanto a quinta temporada foi (com pontuais exceções) como um passeio colorido embalado pelas descobertas e sonhos dos anos 1960, esta sexta temporada (pelo menos o que nos indicam estes primeiros episódios) será como um baque que joga os personagens em um buraco escuro. O sonho acabou.

Na (ótima) quinta temporada, vimos divertidas viagens de LSD; uma Peggy mais confiante, crescendo profissionalmente e mudando de agência; Don Drapper firme e apaixonado pela mulher; Megan engrenando carreira de atriz. Mas, no finalzinho do último episódio, tivemos um indício do que viria – Don está num bar quando uma mulher aparece e pergunta: “Você está sozinho?”.

Corta para a sexta temporada. Don e Megan estão no Havaí. Enquanto Megan dança, se diverte, dá autógrafo, Don permanece calado (solta a primeira palavra vários minutos após o início do episódio). E retoma memórias da infância e da guerra.

Aparentemente, nada acontece nestes primeiro e segundo episódios. Há pouquíssima ação. Mas tem muita coisa acontecendo. A morte está ali, rondando. Há um vazio existencial sufocante, falta de perspectiva, traições, personagens querendo ser/ter o que não são/têm.

Vou parar por aqui para não entregar muito. Este início de sexta temporada não é de digestão fácil. Mas mostra por que “Mad Men” é uma série única na TV – ainda bem.

Notas relacionadas:

  1. Keep calm and drink and smoke
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  1. Primeira
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  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
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  9. 30
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