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05/10/2009 - 17:42

Saco de gatas

Não é a toa que não levo o tênis feminino tão a sério como o masculino. Preconceito? Não, só mesmo uma outra dimensão, uma outra qualidade. Tem lá seus encantos, suas emoções, mas é um mundo, um espetáculo diferente.

Atualmente está mesmo um saco de gatas. As melhores tenistas não conseguem se manter, vencer os grandes eventos, nem administrar seus emocionais.

Qual a tenista numero 1 do mundo? Não me perguntem, porque dependendo do critério é uma, e a semana que vem pode ser outra, e se o critério for outra então! Se depender do ranking da WTA – que segundo a Serena Williams não vale o saiote rosa que ele usa achando que é um objeto de desejo e de alta-costura, e na verdade é só mais uma ofensa ao bom gosto – é a Dinara Safina. Será que é mesmo?

De qualquer maneira, já faz algum tempo que o circuito feminino não tem nem pé nem cabeça – talvez tenha outras coisas. Ou alguém se convence  que faz algum sentindo a Kim Cljister abandonar a carreira, ser mãe, voltar após mais de dois anos, jogar uns três torneios e vencer um Grand Slam?

Agora, a Aninha Ivanovic, que eu já chamei de Ivanisevic, talvez tentando passar alguma boa vibração para aquele serviçinho empurradinho, perde mais uma primeira rodada e diz, novamente, que deu para ela esta temporada. Estamos em Outubro e a moça já largou duas vezes.

A Safina perdeu na 2ª rodada em Pequim – número 1 do mundo perder na 2ª rodada não é exatamente normal – desta vez para uma convidada dos chineses e #226 do ranking. Isso, após perder, na semana passada, na 2ª rodada para uma qualifier de Taiwan cujo ranking é melhor nem saber. Para não ficar devendo, Venus Williams também se foi na 2ª rodada, perdendo para uma russa, Anastasia Pavliuchenkova.

Para não ficar só nas tristezas, Maria Sharapova, que vai jogar aqui em São Paulo ainda este ano, venceu um torneio após um jejum de 1 ½ ano. A russa bateu a sérvia Jankovic, que abandonou com dores no braço ainda no 1º set. Maria já foi a 1ª do mundo, perdeu quase todos os pontos e está de volta ao 15º lugar.

Para movimentar mais um pouco o circuito, se Serena Williams vencer sua próxima partida em Pequim, contra a russa Ekaterina Makarova, volta a liderar o ranking da WTA, o que talvez seja a melhor coisa para a Safina, já que a irmã caçula do maluco/beleza carregou esse título como se fosse uma cruz e debaixo do chicote.

Isso eu tenho que reconhecer na Serena. Ela pode ser uma mala sem alça, mascarada no “urtimo”, arrogante como ela só, de um mau gosto de dar dó, mas ela carrega a faixa de “número um” com muito mais confiança do que as outras.

SERENA_WILLIAMS_BIG_BLACK_BOOTY                 

Serena de pinky e Dinara sofrendo.

     Dinara-Safina

 

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Feminino, Tênis Masculino Tags: , , ,
03/09/2009 - 12:51

Empurradinho

Elena Dementieva, Maria Sharapova, Ana Ivanovic, Venus Williams, Jelena Jankovic e Dinara Safina – o que elas têm em comum? À parte de serem metade da lista das Top 10 do ranking mundial, o fato de possuírem uma tremenda e inacreditável dificuldade em sacar.

O saque é o único momento em que o tenista tem a bolinha na mão e há muito pouco que o adversário possa fazer para atrapalhar a execução do golpe. Assim sendo, teoricamente é o golpe mais simples do tênis. Agora vá explicar isso para as moças acima e uma série de outras no ranking da WTA; eu arriscaria dizer a maioria.

Não vou dissecar o movimento e a técnica de cada uma delas, até porque não é o tema do post. Mas adianto que, estranhamente, quase todas tem graves defeitos técnicos no saque, ao contrário do resto dos golpes. Mas o que me assombra é a dificuldade emocional de lidarem com esse golpe, dificuldade que parece restrita às mulheres. Até porque se algum homem trouxer essa dificuldade emocional para o circuito será arrasado por implacáveis adversários e desaparecerá.

Podemos até dizer que alguns homens têm dificuldades técnicas – como é evidente e mais reconhecida em Rafa Nadal. Mas o espanhol, que tem a maior força mental do circuito, além de um espírito inquebrantável, não desmorona emocionalmente pelas dificuldades que tem em sacar. Senão não seria quem é.

Mas as mulheres sofrem barbaridades com isso. Por que? Só posso especular. São mais frágeis emocionalmente, como parece ser o caso de Dementieva e Ivanovic? Porque tem sérios problemas técnicos, como Safina e Venus, além das outras? Ou porque, mais uma das contradições do circuito, as mulheres são muito melhores (na verdade, excelentes) devolvedoras do que sacadoras? De tudo um pouco – ou muito.

As mulheres crescem treinando contra rapazes e técnicos que sacam forte, o que é um bom treino. Mas ninguém pode sacar por elas. As mulheres que se sobressaem no circuito são, em sua maioria, extremamente sólidas e fortes em seus golpes, incluindo a devolução, o que castiga as sacadoras, especialmente as que não conseguem gerar força e velocidade nas bolas.

Acho que tem muito a ver com isso porque até poucos anos atrás – quando as mulheres não eram tão fortes, e consequentemente não tinham devoluções tão devastadoras – elas sacavam bem mais fraquinho. Tinham dificuldades em manter o saque, mas não desmoronavam tão drasticamente como agora. Imagino porque quando davam aquele “empurradinho” não vinha uma tremenda pancada.

Não acredito que seja uma questão de carência de força física feminina. Primeiro porque já vi mulheres sacando bem forte. Inclusive algumas das mesmas tenistas da lista acima, em especial Sharapova e Venus – quando não estão encafifando mentalmente tem uma bela pedrada no saque. O desmoronamento é emocional.

Um pouco deve vir da tradição do tênis onde o sacador tem a obrigação de vencer seus games. A partir do momento em que uma tenista começa ter seu serviço desrespeitado e quebrado, como se fosse uma terceira classe qualquer, altera-se toda a estrutura emocional da moça.

Uma coisa eu posso garantir: a partir do momento em que o tenista começa a pensar para sacar a maionese desanda. As minhas duplas faltas só aparecem, e raramente, quando por alguma razão o pensamento ruim – o da duvida – invade. Duvidei é batata; dupla falta. Fora isso a dupla falta só aparece quando conscientemente vou para um pouco mais no segundo saque. Nessas ocasiões não estou nem aí com a DF. Fico até contente por ter feito o que fiz.

Se você joga tênis sabe como é. Se não joga vai continuar pensando que isso é uma grande frescura. No entanto é a mais pura verdade. Como dizia Fernando Pessoa – pensar muito nunca tem bom fim. E alguma coisa está fazendo aquelas meninas pensarem demais.

Maria – beleza física e feiura técnica.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Feminino Tags: , ,
01/09/2009 - 13:14

Abaixo do padrão

Dá para entender a performance do Thiago Alves? Dá. Mas não é fácil de aceitar. O rapaz vem fazendo um esforço danado para se enfiar entre os 100 melhores e assim entrar nos grandes e melhores eventos; quando consegue – congela.

O primeiro set foi uma das coisas mais horríveis que ele deve ter passado e jogado. Foi um erro atrás do outro, não saia jogo. O Hewitt só teve que ficar por lá, fazendo o feijão com arroz e tocando o boi para frente.

Jogo mesmo só foi sair quando o brasileiro decidiu, no seu emocional, que a vaca estava galopando em direção ao brejo e que o resultado, a derrota, seria inevitável. Ai entram aquelas vibrações de “dane-se”, o corpo relaxa, as bolas começam a entrar e o tenista pode, finalmente, se concentrar em fazer o que sabe e não ficar se martirizando com as coisas negativas que invadem a cabeça. Thiago só jogou algo parecido com o que sabe no terceiro set. Muito tarde.

Foi uma pena, porque a carreira não oferece tantas chances que possam ser desperdiçadas impunemente.

Comparo, de uma maneira obliqua, a performance da Venus Williams na estréia ontem à noite. A americana também jogou muito abaixo de seu padrão. Só que encontrou uma maneira de vencer. Essa é uma das características das irmãs. Com uma certa frequência as irmãs jogam de uma maneira horrível, bem abaixo de seu padrão, mas assim mesmo saem de quadras vitoriosas. Ontem ficou claro, mais uma vez, a razão. Ao invés da esmagadora maioria das tenistas, e dos tenistas, quando começam a errar as irmãs não se acovardam e se entregam. Saem batendo ainda mais, indo quase que para um “tudo ou nada” e suas consequências. Ou seja – ganham ou perdem jogando com coragem. E, consequentemente, como campeãs.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Masculino Tags: ,
02/07/2009 - 13:32

Chega.

O melhor mesmo é eu me afastar desse negócio de previsão, independente dos comentários dos meus leitores. Esse negócio de acertar tudo fica desagradável e causa uma expectativa futura que não é o perfil do blog nem a minha intenção. Além do que eu começo a mexer com os “odds” das apostas.

De qualquer maneira, um pesado manto de luto cai sobre o blog com a derrota de Eleninha, que jogou como nunca, e é verdade, e perdeu como sempre, nessas horas. E para não tirar o mérito de quem merece, perdeu naquela bola no set abaixo, 3×4, 30×40 e a Serena enfiou uma bola que, mostrou o tira-teima, caiu na pontinha da linha da forquilha. Vai ter coragem e acuidade assim lá longe. Até alí só dava Eleninha, que iria, então sacar para fechar 7/6 6/3. Venceu Serena, que é uma verdadeira vencedora.

A segunda partida – vitória de Venus sobre Dinara, eu não vou sequer comentar. Só sei que a família Williams vai ver um sabadão muito feliz. Venus já tem cinco títulos de simples em Londres. Serena tem dois. As duas tem três títulos de duplas e estão nas semifinais deste ano. Festa total.

Serena e Venus – vencedoras.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Feminino Tags: ,
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