Velasco | Paulo Cleto

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sábado, 22 de novembro de 2008 Copa Davis | 18:31

A sorte argentina começa mudar

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Nos confrontos de Copa Davis as duplas são sempre a partida mais emocional. Os pontos são mais ágeis e plásticos ajudando a excitar o público, as mudanças de ritmo e tendência acontecem com mais freqüência do que nas simples; são dois tenistas de cada lado, duas cabeças, dois corações, mais alternativas em quadra.

Não bastassem essas e outras razões, as duplas são jogadas no dia do meio e mostram ou revertem uma tendência. Por isso, uma boa equipe sempre passa por uma boa dupla, o que, surpreendentemente, não é o caso de nenhum dos finalistas. Os espanhóis caminharam até a final, acima de tudo, por conta da força de Rafael Nadal e os argentinos por contarem com a sorte de jogarem quatro partidas seguidas em casa, o tênis robusto e sólido de Nalbandian e o crescimento do tênis de Del Potro no segundo semestre. Mas nas duplas, ambos os times têm o seu calcanhar de Aquiles.

Para a sorte dos espanhóis e a tristeza dos argentinos, os europeus tiraram melhor vantagem das deficiências adversárias. Nalbandian começou jogando bem. Mostrava atitude e sempre procurava o companheiro para animá-lo e orientá-lo. No entanto, foi aí que o bicho pegou para os hermanos. Caleri se acomodou na posição de cachorrinho de madame, tentando se encaixar, tentando não comprometer. E desse jeito não dá para ficar em briga de cachorro grande como uma final de Davis. Quando a partida encrespou, Nalbandian parecia não acreditar no companheiro, fez umas intervenções que deixaram isso claro, e Caleri se encolheu ainda mais.

Do lado espanhol, Feliciano, quem diria, foi mais estável do que Verdasco, que se achou na posição nem sempre confortável de ser o homem que decidiria o desfecho da partida. Isso porque o cara alternava mais do que a força elétrica do meu sítio em dia chuva. Em alguns momentos – lembrem-se do terceiro set 5×1 e sacando, quando começou a jogar como uma franguinha, levando o seu capitão ao desespero e o companheiro quase à depressão – e em outros momentos elevou seu padrão para ser o fator decisivo na partida.

E foi exatamente o tie-break do terceiro set – após o argentinos reverterem a desvantagem de 1×5, abrirem 4×0 no tie-break e deixarem o set escapar – que a vaca argentina foi para o brejo.

Nem Nalbandian, nem o capitão Mancini, souberam colocar fogo na partida ou em Caleri. Este, que deveria ter entrado babando em quadra, não soube elevar seu tênis às exigências do momento e da situação.

Enquanto isso, Sanchez soube mostrar fogo nos olhos, reclamar e aplaudir. Feliciano, o homem do confronto até o momento, soube manter sua qualidade – que não é nenhuma Brastemp, mas está de ótimo tamanho – e administrar, no seu interior, os altos e baixos do topetudo companheiro, cujo ponto alto de seu currículo continua sendo seu affair com a Aninha.

Quanto ao que pode acontecer no resto do confronto, aguardem…  

 

Nalbandian e Feliciano, os homens do confronto até agora.

Notas relacionadas:

  1. O sorte io
  2. 1×0 Argentina – fácil
  3. Espanha 1×1, não tão fácil
Autor: paulocleto Tags: , , , , , ,