Super Saturday e Stormy Monday
Como é que vou escrever que logo os americanos estão mais perdidos do que cegos em tiroteio? Difícil, mas um fato. E por mais de uma razão. O assunto, hoje, não é a decadência do seu tênis competitivo, masculino e feminino, assunto para um outro dia. Hoje o assunto é mais ameno; assim mesmo com vários reflexos.
A poderosa USTA, a mais forte de todas as federações de tênis, anunciou esta semana duas notícias sobre o seu evento maior – o U.S. Open. A primeira passou despercebida, a segunda já até mereceu comentários aqui no Blog.
A primeira é que eles acabam, a partir de 2013, com o controverso Super Saturday, que acontece, em diferentes formas, há quase três décadas. O segundo é que consolidam aquilo que a natureza forçou nas ultimas cinco temporadas – a final masculina na 2ª feira.
Lógico que uma coisa está amarrada na outra. O Super Saturday reunia duas semifinais masculinas e a final feminina, o que ofuscava a final feminina e obrigava os homens a jogar a final no dia seguinte arregaçados física e mentalmente. Isso produzia absurdos, que se repetiam ano após ano, como forçarem Lendl a vencer uma semi debaixo do sol escaldante 7/6 no 5º set, e no dia seguinte perder para um McEnroe, que jogara 5 sets com Connors até as 23.30h. Ou causar uma rebelião nos vestiários quando Edberg e Wilander, dois suecos, se recusaram a entrar em quadra às 10h da manhã porque foram informados da mudança de horário (era às 11h) no fim da noite anterior, porque um jogo longo no dia anterior tinha dado uma confusão dos diabos na rede nacional de TV que mostrava a partida, causando o cara do Jornal Nacional de lá dar um piti e deixar os estúdios, causando a maior cadeia americana ficar sem imagens durante seis minutos, porque americano é ruim de improviso, algo que não aconteceu nem antes nem depois. Como o publico não foi informado a tempo, às 10h não havia ninguém no estádio e os suecos se recusaram a entrar – entraram, após ameaças depois de 15 minutos; e a TV esperando.
O Super Saturday sempre foi odiado pelos tenistas. Odiado. Foi uma jogada marqueteira da USTA. “O maior dia de tênis da temporada”. As TVs amaram, os fãs também, a federação cacifou$$ legal, tudo no melhor estilo americano “somos os maiores”. O detalhe é que quando chovia nesse dia a casa caia. E a casa caiu cinco anos seguidos. Pior. Algum gênio lá atrás enterrou quase 500 milhões em um estádio que é o “maior do mundo”, sendo que não dá para ver quem está sacando e quem está recebendo da ultima fileira e, pior, não tem teto! Pior ainda, não dá para colocar um teto! Bem pior ainda, o que os americanos não conseguem fazer em 15 dias, os ingleses fazem em 14, e na grama!! – e só nos últimos anos tinham o teto coberto.
Para mostrar que são espertos, pegaram os seus defeitos e “consertaram” criando outro. Vão deixar as duas semis masculinas no sábado, a final feminina no domingo e a final masculina na 2ª feira! O que, para eles, faz $entido. A ATP reagiu imediatamente chiando e veladamente ameaçando. Para clarificar. Quem realiza o circuito masculino é a ATP, o feminino é a WTA e os Grand Slams é a FIT. E cada um dos Grand Slams tem autonomia para fazer razoavelmente o que querem, sem a ATP e WTA poderem dar uma palavra a respeito. Um “showdown” vem crescendo no horizonte há algum tempo. Uma hora teremos o OK Curral do tênis.
A ATP não que nem ouvir a FIT alongando seus tentáculos para cima de uma nova semana. O que os americanos estão fazendo é muita burrice ou muita esperteza. Escolham, ou o tempo dirá. Eu duvido que essa 2ª feira emplaque ou dure. Os próximos meses vão mostrar muita coisa. Os outros GS podem querer fazer mudanças também. E os tenistas podem querer mudanças ainda mais grave$$.
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Autor: paulocleto Tags: u.s open








