02/11/2009 - 01:52
Algumas máximas tenisticas iluminaram minha carreira como treinador e a maioria delas seguem sendo atual. Uma, que já tive a oportunidade de colocar aqui no blog diz que um tenista de personalidade faz questão de vencer em casa. Um bom jogador consegue realizar a tarefa.
Sendo assim, após alguns deslizes, o de mais triste memória o último confronto de Copa Davis, fico contente em ver Thomaz Bellucci entrar na elite dos 40 melhores do mundo graças a um título conquistado em casa.
Não só isso, mas também em realizá-lo de uma maneira não tão fácil nem tão certa – jogando um torneio na terra, após chegar a uma semifinal no carpeta coberto, dois pisos tão distintos, com 4 horas de fuso horário e uma viagem de 13 hs a 10.000m de altura.
A grande duvida era se Thomaz sobreviveria as duas primeiras rodadas, as mais árduas nessas circunstâncias. Com essas vitórias veio o ritmo do torneio e a adaptação, o que garanto não é tarefa simples. Além do piso lento, as bolas usadas – Babolat – estavam extremamente pesadas e lentas, o que roubava a vantagem do grande sacador, a principal característica do brasileiro.
Mas Thomaz era um homem em uma missão. Ele queria jogar bem e vencer. Além de jogar em casa, era o último evento do ano. Imagino que ele tinha algo a mostrar a algumas pessoas, o que sempre é uma poderosa motivação, sem falar de alguns fiapos presos na garganta.

Frieza e confiança na sua arte
Mais do que fiapos veio um ossinho incomodo, daqueles de roubar o prazer do jantar e nos fazer engasgar. A final foi contra seu “pai”, o tarimbado equatoriano Nicolas Lapentti, que tantas tristes memórias nos traz.
Por sorte, desta vez Thomaz não teve ninguém em seus ouvidos murmurando inócuos gritos de motivação, daquelas pérolas que só algum mestrado de psicologia de botequim deve ensinar. Seu técnico, João Swetch, não faz o tipo intelectual de periferia, nem tenta parecer mais do que é. João ficou sentado nas arquibancadas, ao lado do bruxo Roberto Marcher, a quem permite uma ou outra pitada de sabedoria, mesclada com doses de delírios de quem têm mais informação do que geralmente pode digerir.
De qualquer maneira, Thomaz desta vez mostrou estar preparado para a tarefa. Com a frieza de um “sushi man” com sua Masamoto na mão, ele soube utilizar seu instrumento de trabalho com a confiança necessária para realizar o dever de casa e poder então se recolher à deliciosa e merecida férias que o aguarda, imediatamente antes do mais árduo momento de uma temporada. A Preparação.
O rapaz está entre os 40 melhores, 37 talvez, do mundo, o que lhe dará confiança e motivação para a próxima tarefa. Só espero que ainda exista uma boa dose de insatisfação em seu coração.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino
Tags: thomaz bellucci
25/10/2009 - 21:39
Nada como cumprir uma meta. São os objetivos conquistados que nos dão a confiança e motivação para continuarmos levantando de manhã e correr atrás do que queremos para nossas vidas. E o grande momento dessa luta do dia a dia é a conquista de objetivos propostos.
Para tal é necessário disciplina e esforços, além da inteligência e bom senso para desenhar os objetivos. Um erro na avaliação de nossas capacidades, para mais ou para menos, podem colocar em perigo os objetivos de prazos mais longos.
Por isso, e por outras razões, Thomaz Bellucci deve estar contente e nós, como fãs do tênis, aplaudir. Ele colocou a meta de sedimentar sua presença entre os 50 melhores do planeta em sua profissão até o fim da temporada e uma semana antes do prazo sabe que consolidará esse objetivo. E deve estar mais perto do #40 do que do #50.
Faltou pouco para Thomaz chegar a mais uma final. Chegou a sacar para vencer o 1º set, mas deixou escapar. É sempre difícil fechar um set, mas é algo que o tenista deve aprender com o tempo. É óbvio que é tudo por conta do emocional, no tênis quase tudo o é e o tempo ainda continua sendo o melhor senhor da experiência.
Bellucci completará 22 anos no último dia do ano, detalhe que o prejudicou durante toda a carreira de juvenil o que, talvez, também o tenha ajudado. Ele não cresceu com as expectativas que acompanham os juvenis de destaque, ale de que foi obrigado a jogar com atletas quase sempre mais velhos do que ele.
Terminar a temporada entre os 50 melhores dará a Thomaz tranquilidade necessária para trabalhar suas carências e necessidades na pré-temporada, sabendo que estará dentro da maioria dos eventos em que se escrever na próxima temporada. Além disso, acho importantíssimo para a carreira desse jovem o fato de ter chegado a uma semifinal em quadra rápida, um piso que Bellucci evitava como o diabo à cruz. A recém adquirida confiança na regularidade de seu jogo a certeza da força de seu saque e respeito que os resultados lhe conquistaram serão diferenciais na próxima temporada.
A presença de Bellucci, a partir de amanhã em São Paulo, para participar da Copa Petrobras é um bônus para os fãs. É óbvio que o compromisso de Thomaz com o evento foi assumido há algum tempo. É uma maneira do rapaz recompensar as pessoas e as empresas que investiram para que seu trabalho fosse amparado e seu progresso ainda mais possível. Seria bom aproveitamos porque, na próxima temporada talvez não seja mais possível.
Bellucci – alegria de um objetivo alcançado.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino
Tags: thomaz bellucci
23/09/2009 - 15:22
Toda quarta-feira abro jornal “A Folha de São Paulo” procuro o caderno de esportes e lá a coluna do tênis, escrita pelo colega Régis Andaku com um distanciamento que proporciona uma visão peculiar do tênis.
Régis nos deixa saber o que se passa pelo mundo do tênis, fazendo uma interessante mistura do tênis nacional e internacional, de fatos e opiniões. Além da coluna propriamente dita, acrescenta, em coluna lateral, pitadas do tênis nacional, em especial o juvenil e o de tenistas ainda em formação. É sua maneira de expor e auxiliar os que ainda não são noticias mas já estão na luta.
Na imensa maioria das vezes Régis não é polemico, pelo contrário, preferindo passear pelas notícias como um diletante e um escancarado apaixonado pelo esporte.
Por isso, foi com surpresa que li sua coluna de hoje sobre a derrota do Brasil na Copa Davis. Desta vez Régis decidiu ir na veia.
Menciona que houve gente defendendo jogadores “com mais espírito de Davis”, ao mesmo tempo em que diz, com razão, que seria impossível deixar de fora Bellucci e Daniel, assim como a dupla Sá/Melo, pelos resultados obtidos e, acrescento, pela ausência de resultados de outros.
Então, pergunta Régis, se tudo estava certo, o que deu errado, já que tinhamos a grande vantagem de jogar em casa e, no papel, um time melhor rankeado? Ele oferece duas razões.
Primeiro, o show de bola de Nicolas Lapentti. Algo que todos viram, aplaudiram e que não é nenhuma surpresa, mas não o suficiente para sugestificar uma derrota em casa para um tenista de 33 anos, em fim de carreira e com um ranking atual bem pior do que nossos tenistas.
Na próxima razão ele pega na ferida e escreve; “porque faltou um verdadeiro capitão ao Brasil, capaz de mexer com coração e mente, muito mais do que gritar palavras de incentivo. Para um grupo ainda inexperiente em Davis, como o nosso, faz diferença. Um capitão que, além de ser referência, seja personagem do confronto. Sendo a Davis o único torneio que permite a um técnico sentar ao lado da quadra e interferir no jogo, por que não fazê-lo?”
“Não se trata de catimbar, gritar ou tumultuar (às vezes até isso), mas de se levantar nas horas certas e fazer crescer o bom tenista quando tudo parece perdido. Mexer com os brios e mudar, ou a cabeça do jogador, ou o momento da partida, ou o destino do duelo. Com Nico inspirado de um lado e um capitão coadjuvante de um time inexperiente do outro, o resultado, visto agora, não parece surpresa, infelizmente.”
Pensei em ligar para o Régis e perguntar: onde assino embaixo? Já que tenho o blog, achei interessante publicar esse trecho da coluna. Eu vinha pensando como abordar o tema, que para mim é um tanto mais delicado. Por conta disso, acrescento minhas pitadas.
Nico Lapentti deitou, rolou e fez a festa porque deixaram. Não que para isso fosse necessário agredir ou mesmo intimidar o “gentleman” equatoriano. Longe disso e não é por aí. Mas, para isso seria necessária uma vivencia, conhecimento e, especialmente, uma liderança que não houve e já não há a algum tempo – para colocar todas as peças nos seus devidos lugares. Mas isso é uma questão de personalidade ou, no caso, a ausência de uma.
Chico Costa nunca fez um impacto como tenista e muito menos como técnico, dois critérios utilizados para a escolha de um capitão de Davis. Mas tem feito um impacto como um personagem que sabe se aproximar de pessoas no poder e se prestar ao papel que lhe oferecem. Por um bom tempo foi o de criticar e atacar aqueles que lutavam para construir, como ele agora pensa que faz. Foi recompensado com um cargo um tanto além de suas capacidades.
Hoje tenta se estabelecer “formando” tenistas, o que não fez até agora e, quando inquirido, batendo na tecla do que acredita ser “politicamente correto”, liberando aos ventos idéias pueris, simplórias e batidas como se fossem pensamentos profundos e inéditos. Isso quando não está criticando dura e publicamente jovens tenistas por aceitarem bolsas de estudos em ótimas universidades nos EUA. Não tenho certeza, mas acho que ele não tem esse currículo.
Mas Chico Costa é o capitão indicado e mantido pela CBT. Infelizmente, por motivos diretamente opostos a que Régis Andaku oferece como as razões que poderiam ter evitado essa derrota em uma excelente oportunidade desperdiçada.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Copa Davis, Tênis Brasileiro
Tags: chico costa, Marcos Daniel, nicolas lapentti, thomaz bellucci
18/09/2009 - 13:18
Encarar o Equador em casa não chega a ser um pesadelo – com certeza o seria se a visita fosse a Guayaquil – mas também não deve ser um passeio no parque. O time é “copeiro” e os irmãos Lapentti têm bastante experiência na competição.
No entanto, Nicolas, o mais velho, está em fim de carreira e não tem mais as mesmas pernas e pulmão para carregar o time em três dias seguidos. Isso é uma tarefa hercúlea quando o tenista está no auge, na decadência fica bem mais difícil.
O caçula Giovanni sempre foi um peso morto nas simples e quase que se restringia a fazer uma boa dupla com o irmão. Além disso, seu jogo só incomoda nas quadras mais rápidas, também está em fim de carreira e nunca teve lá uma carreira para se gabar.
A força desse time equatoriano está centrada na inteligência, capacidade, cavalheirismo, simpatia, técnica e habilidade desse Nicolas Lappenti, que um dia foi campeão do Orange Bowl, das duplas juvenil com Gustavo Kuerten em RG, foi “top ten” (6), teve belíssimas vitórias, mas nunca deu a deslanchada que poderia ter dado, até por contusões. É ele, mais do que qualquer outro tenista, que decidirá o resultado desse confronto.
Do lado brasileiro, Marcos Daniel tem sua melhor chance de apagar as tristezas que viveu por conta da Davis. Sua partida de abertura contra Giovanni é uma “baba” que não pode desperdiçar. Ali o Brasil tem que fazer 1×0 – sem opção B.
A melhor partida do confronto deve ser a segunda de hoje, entre Thomaz Bellucci e Nicolas, pela qualidade dos dois tenistas. O equatoriano sabe que, para eles, essa é a partida crucial do confronto. Uma derrota ali sacramenta a derrota no confronto.
A partida das duplas, no sábado, deve ser a mais eletrizante. Tanto pela característica das duplas, como pelo aspecto de decisão. Independente de como esteja o resultado no sábado, esta dupla – Mel e Sá x irmãos Lapentti, promete em emoção. Até porque, para os equatorianos, também é vital.
No fim das contas, salvo desastres, deve dar Brasil até com certa facilidade. O time equatoriano ficou velho e joga fora de casa e de seu piso. O time brasileiro é mais equilibrado – dois singlistas e dois duplistas – tem um tenista jovem e confiante, uma dupla afiada, um segundo singlista que pode crescer dentro da competição e, suprema vantagem, jogo em casa.
Nicolas Lapentti – gentleman em quadra.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Copa Davis
Tags: thomaz bellucci
04/09/2009 - 17:32
Um desapontamento a derrota de Thomaz Bellucci para Giles Simon na 2ª rodada do U.S.Open. O paulista poderia ter brigado bem mais pela vitória. Apesar de top 10, o francês não atravessa sua melhor fase e tem um estilo que “deixa” jogar. Talvez eu ainda acredite mais no potencial do rapaz do que ele próprio.
Thomaz começou mal e fez alguns erros não forçados que minaram sua confiança. Até aí, normal. Mas no meio do segundo, quando ainda estava dentro do jogo, teve seu serviço quebrado no 2×3, em um game que poderia ter brigado mais. Dali para frente sua participação tornou-se, no máximo, burocrática, o que é pouco para quem está jogando um GS, querendo se consolidar no circuito e tem a idade a seu favor.
Thomaz foi bem no qualy e na primeira rodada, quando jogou com tenistas do seu padrão para baixo. O que é bom, mas deixa o gosto de “quero mais”. Ao enfrentar um top 10, com chances de deslanchar, – porque, insisto, ele tem potencial para tal – faltou pegada para o brasileiro.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro, Tênis Masculino
Tags: thomaz bellucci
30/08/2009 - 14:13
Há algum tempo escrevi que o Thomas Bellucci poderia ser na quadra dura um tenista tão perigoso quanto no saibro. Um jogador com aquele serviço, uma direita agressiva, forte e regulada, apesar de pegada, um revés quase flat que faz a bola andar, e uma excelente envergadura para investidas junto à rede, tem o arsenal necessário. Olhem o Sam Querry, que conseguiu ser o tenista com maior numero de pontos no U.S Open series.
No entanto, até hoje, Thomaz não me provou correto. Sua classificação para a chave principal do U.S. Open era mais do que esperada, até por ser o cabeça-de-chave #1 do qualy. No entanto, uma coisa é ser o favorito, outra é cumprir a expectativa.
Com a vitória em Gstaad, Thomaz ganhou novas forças e confiança no circuito. Foi uma infeliz falta de timing a conquista acontecer no ultimo evento sobre o saibro. No entanto, ele treinou nas quadras duras antes de encarar o qualy e há que se admitir que fez bonito até agora.
Seu adversário, o chinês Yen Lu, não chega a ser uma primeira rodada difícil nos parâmetros de um GS – ele é #71. FoiLu que o eliminou no Aberto da Austrália. No entanto, são essas partidas, as chamadas ganháveis, que Bellucci terá que cacifar dentro de um GS para atingir o progresso que ele não tem receio em dizer que pretende. É uma pressão – mas a carreira é feita disso também.

Autor: paulocleto - Categoria(s): Grand Slam, Tênis Brasileiro
Tags: thomaz bellucci
04/08/2009 - 00:40
Percebo que o meu comentário, na transmissão da final de Gstaad na ESPN, sobre o backhand de Thomaz Bellucci causou uma pequena discussão nos comentários. Para variar, digo algo e as pessoas entendem de sua maneira. Como a origem foi um comentário feito durante a transmissão, vale um esclarecimento por escrito para ver se consigo me fazer entender.
Mencionei que um dia Thomaz vai ter que colocar mais spin naquele backhand, para deixar de fazer tantos erros não forçados com esse golpe. Bellucci tem a tendência de ir na cara da bola; um pouco de spin emprestaria mais controle e segurança ao golpe. O tenista comete erros desse lado tanto na rede quanto no fundo da quadra e é claramente seu ponto vulnerável.
Alguém perguntou se um tenista pode mudar a origem de seu golpe e até o revés de Soderling foi mencionado. A diferença é que o sueco tem uma ótima mecânica para a bola flat, algo que o brasileiro não tem, e com isso não há a necessidade de ajustes. Mas um ajuste não é o fim do mundo. Cada um tem que sempre procurar melhorar o que tem. O Karlovic mexeu no seu serviço esta temporada, assim como o Roddick, para ficar em dois exemplos gritantes.
Para não tornar o post em uma redação, uso o exemplo do Rafael Nadal, que tem um backhand similar ao de Bellucci e fez algumas modificações nessa linha. Nadal fazia muitos erros no backhand, golpe que continua seu ponto mais vulnerável, mas sabe quando limpar a rede para continuar no ponto e quando ir reto para machucar – algo que Bellucci fez em duas importantes ocasiões, como mencionei no post anterior.
Não se trata de uma mudança no golpe e sim de um ajuste, o que é muito diferente e feito por quase todos os tenistas, quando necessário. ‘Às vezes Thomaz até usa um pouco de spim, mas dá para sentir que é algo que ainda usa com parcimônia e hesitação – o instinto é ir na cara da bola, o que devia ser o inverso.
No fundo, a mudança é algo na mesma linha do que Thomaz fez com seu serviço – o controle, acuidade, segurança e penetração estão bem visíveis. E, importante, o tenista brasileiro mostrou ter cabeça e talento para assimilar um ajuste.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro
Tags: thomaz bellucci
03/08/2009 - 01:02
Só mesmo quem joga tênis ou viveu próximo de profissionais para entender os detalhes que constroem, ou destroem uma carreira. Em 1997, um dia antes de sua partida inaugural em Roland Garros, Gustavo Kuerten me explicava sua ansiedade em enfrentar na primeira rodada Salava Dosedel, um tenista que o havia batido nas duas ocasiões anteriores e de quem era, segundo suas palavras, um “filho”, outra palavra para “freguês”. Mas o adversário estava contundido e mal podia sacar. Por conta disso, Gustavo passou a primeira rodada, adquiriu confiança e seguiu seu caminho para escrever história.
Thomas Bellucci fez uma aposta esta temporada – escrevi sobre ela logo no fim da temporada passada – em jogar torneios grandes e não mais se esconder nos menores. Na ocasião lhe perguntei se não iria misturar ATP Tour com Challengers, ele disse que iria insistir com os ATP.
A temporada do saibro, seu piso favorito, começou com sua ida à final na Bahia. De lá até Julho foram só derrotas e frustrações. Quando voltou aos Challengers, não foi por vontade, mas porque seu ranking despencara. O cenário mudou um pouco para melhor com a vitória no Challenger de Rimini, terra de Fellini, há duas semanas. Era bom, mas, de certa maneira, um retrocesso. Será que ele continuaria só se dando bem em torneios menores?
O Torneio de Gstaad é o último da temporada de saibro. E lá foi o brasileiro tentar sua sorte no qualifying, seguindo sua estratégia e vontade de crescer. Passou o qualy e pegou um tenista menor da casa. Teve dois match-points contra, quase foi embora cedo, mas virou o jogo.
A partida seguinte deverá ser lembrada, pelo resto de sua carreira, como “a partida”. Bateu o cabeça de chave 1 e dono da casa, Stanislas Wawrinka. Na rodada seguinte encarou o experiente alemão Kiefer. Pelo andar da carruagem, chegava ao fim de sua participação em Gstaad.
Mas o destino ainda não tinha dado todas as cartas. Kiefer se contundiu logo no início do segundo set, abandonou e Bellucci chegou à semifinal confiante e no lucro contra o russo Andreev, de quem não tomou conhecimento, para chegar à final ainda mais confiante no seu jogo e no seu destino. A decisão foi um passeio porque jogou melhor. Não vou entrar nos detalhes técnicos, porque esses eu cobri bem durante a transmissão da final na ESPN-BRASIL.
O interessante é mencionar que Bellucci brilhou nos dois momentos mais distantes da temporada de saibro. No apagar e no apagar das luzes. Se não vencesse em Gstaad seguiria jogando misturando torneios menores (e aposto que seu sucesso em Rimini tem muito a ver com seu sucesso em Gstaad, o que mostrou que sua estratégia era audaz mas não totalmente pé no chão) e pior, agora jogando em quadras duras, onde eu acredito possa ter sucesso, mas ele ainda não possui a mesma fé.
Mas o destino, amparado pelo trabalho, a opção de persistir em ser um jogador grande e não um pequeno, e seu talento o levaram a esta conquista. Um pequeno desvio, como o montinho de terra que travou o pé de Kiefer, a bola arriscada pelo seu adversário na match-point na primeira rodada, a dor que não teve, uma palavra de seu técnico, o bom dia contra Wawrinka, a hesitação de Beck no primeiro e decisivo game, suas duas decisivas esquerdas na paralela e por aí afora construíram essa conquista. Da mesma forma que a dor no braço do Dosedel, e uma série de outras felizes circunstâncias abriram as portas para Kuerten construir sua primeira grande conquista. Quanto ao resto da história de Bellucci, se tivermos bom senso, seguiremos, como é nosso papel, sendo fãs e apreciadores do que puder nos ofertar o brasileiro, ou então, outros, continuarão cobrando, exigindo e criticando os que não se encaixarem no mesmo perfil.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro
Tags: thomaz bellucci
01/08/2009 - 19:21
Foi interessante e emocionante narrar a participação de dois brasileiros em semifinais de torneio da ATP. Marcos Daniel mostrou volume de jogo e a razão do seu recém e bem vindo sucesso a esta altura da carreira. O gaúcho jogou de igual para igual com o jovem, habilidoso e confiante alemão Andreas Beck e perdeu para um adversário que conseguiu manter o alto padrão em toda a partida.
Daniel parou no inequívoco fato de que o jovem alemão tem um arsenal mais completo e perigoso do que ele. Talvez se Daniel tivesse mais combatividade o resultado poderia ser outro. Mas é uma incógnita.
O diferencial da partida foi o bom serviço do alemão, para qual o brasileiro nunca encontrou uma resposta que o possibilitasse entrar nos pontos. Aos poucos foi se frustrando e enervando com esse empecilho, até parecer, no meio do segundo set, se conformar com o fato. Como o alemão não lhe abriu uma porta, sequer uma janela, na primeira quebra do jogo, já no meio do segundo set, o jogo se definiu a favor do alemão.
Bellucci venceu pela mesma razão. É mais tenista e mais perigoso do que Andreev – sendo o russo #27 do ranking, isso nos dá uma idéia de onde Bellucci poderia estar no ranking e onde deve, um dia, esperamos, chegar. Thomaz tem excelente serviço e perigoso drive de direita, dois golpes determinantes no tênis de hoje. Paralelo a isso, mostrou mais velocidade, a sua era bem aquém da desejada para o nível que está enfrentando, e melhorou a técnica de seu revés. Além disso, melhorou consideravelmente o serviço, além de sutis mudanças na técnica, como diminuir a altura do toss e compactar o movimento, não fica só tentando fazer buracos na quadra e sim investindo na variação.
Mas tudo isso já vem, aos poucos e há algum tempo, fazendo parte do jogo do paulista, e parando nas suas deficiências emocionais. A diferença, apresentada esta semana, apareceu exatamente nesse quesito. O melhor momento, e mais surpreendente até ali, foi o game do 4×4 no 1º set, quando quebrou o adversário jogando com muita personalidade, confiança e, aleluia, garra; algo que repetiu no 5 x 5 do segundo set.
Se eu fosse o técnico do Bellucci o faria assistir várias vezes esse game, que é um claro exemplo de onde Bellucci pode chegar e do que deve incorporar ao seu tênis. A sua vontade em prevalecer e quebrar o adversário, e a consequente determinação, tranquilidade e confiança em confirmar sua vantagem nos mostraram um novo e bem vindo Thomaz Bellucci.

Bellucci, castigando com seu drive.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro, Tênis Masculino
Tags: Marcos Daniel, thomaz bellucci
30/07/2009 - 23:17
Não assisti, o que foi uma pena, nem a vitória do Bellucci, fenomenal, nem a do Daniel, de se aplaudir também. Uma pena porque a ESPN-BRASIL iria mostrar esses jogos, mas os suíços deram para trás inviabilizando a transmissão. Criaram todo tipo de dificuldades na geração e simplesmente nos roubaram o prazer. Especialmente de ver Bellucci batendo o belíssimo tenista que é o Wawrinka. Sua vitória mais retumbante, por ser contra o principal favorito, dono da casa e em um torneio tradicional.
A vitória de Daniel também fala alto, já que o Benneteau vem jogando bem e é agressivo – gosta de ir à rede – o que encaixa com a altitude de Gstaad. Daniel vem tendo sua melhor temporada e, aos poucos, encontrando uma maneira de se virar nos torneios maiores.
O paulista enfrenta o “mala sem alça” Nicolas Kiefer, em um jogo que pode vencer, se não se irritar com milongueiro germânico, e o gaúcho encara o francês Florent Serra em um jogo, teoricamente, menos complicado que os dois primeiros. Mas se Florent venceu dois é porque também não é bobo.
As vitórias colocaram dois brasileiros nas quartas de final de um evento da ATP pela primeira vez desde 2004, quando Kuerten e Saretta fizeram o mesmo em Vina del Mar.
A ESPN-BRASIL vai transmitir dois jogos a partir das 14:30h com a dupla Oswaldo Maraucci e Paulo Cleto. A princípio mostra o jogo do Bellucci e não mostra o de Marcos Daniel. Mostraria Igor Andreev e Jeremy Chardy. Isso é coisa dos suíços, que geram as imagens. Se eu puder mudar, podem apostar que vou mudar.

Bellucci – uma vitória de garra.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Brasileiro, Tênis Masculino
Tags: Marcos Daniel, thomaz bellucci
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