Thomas Bellucci | Paulo Cleto

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Posts com a Tag thomas bellucci

sábado, 2 de fevereiro de 2013 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:47

A Davis é quente

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Não existe muito a escrever sobre o 1o dia da Davis Brasil x EUA. Thomaz Bellucci parece não ter empatia com a competição. A Davis é quente, ele é frio. Joga como se jogasse algum ATP250 aí pela temporada. Fica a impressão que tanto faz como tanto fez.

Espero que seja só impressão. Eu gosto de ter a certeza de que interiormente ele não se sente assim – deve até sofrer com o assunto. Mas está longe de mostrar que realmente entende o evento e as exigencias emocionais do mesmo. Thomaz conseguiu o sucesso que conseguiu jogando naquela frequencia, não parece ficar à vontade naquela que exige uma boa dose de sangue nos olhos.

Para um país com uma história com um bom numero de tenista que emprestaram a alma à Copa Davis para defender seu país, chega a ser triste vê-lo em quadra defendendo o Brasil. Mas como temos muitos fãs que não viram nossos melhores na Davis, e por isso também não devem conhecer o tal “espirito de Copa Davis”, não precisamos ir tão longe. É só ter assistido o 2o set do Thiago Alves. Pelo menos o cara lutou, tentou, buscou. A Davis exige sangue nos olhos e lava nas veias.

Notas relacionadas:

  1. Presentes
  2. Sem entender
  3. A Davis x EUA
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013 Tênis Masculino | 01:06

Coveiro

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Esse parceiro do Thomas Bellucci é um brincalhão, um fanfarrão, um coveiro. Vai enterrar assim lá no Araça! O cara não sabe até agora para que saiu da cama. As coisas que ele fez em quadra hoje se fizerem lá no Atpanga a Maysa expulsa do clube. O cara jogou alguma coisa nas primeiras rodadas quando ninguem esperava nada. Hoje, fez uma média de duas jogadas bisonhas por game. Chegou uma hora o Belo entregou para Deus porque ninguem sobrevive a um coveiro desses…

Notas relacionadas:

  1. Opções
  2. Briga boa
  3. Imaginando
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domingo, 29 de julho de 2012 Olimpíadas, Tênis Brasileiro | 15:04

Country side

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Estava assistindo um pouco do jogo da Radwanska e a Georges quando minha mulher vira para mim e pergunta – mas você não disse que é difícil conseguir ingressos para as Olimpíadas? As imagens mostravam centenas de lugares vazios na Quadra Central, especialmente próximo à quadra. Teve uma hora que não tinha ninguém na tal Royal Box.

Expliquei que aqueles lugares deviam ser de patrocinadores e convidados e que esse pessoal, como tem vários convites, acabam ficando com os ingressos nas mãos enquanto vão a outros esportes ou simplesmente nem na cidade estão. O pessoal recebe o convite semanas antes e nem sabe aonde vai naquele mar de opções. Sempre foi assim, enquanto milhares ficam sem sequer opção de comprar ingressos.

Pois a mídia inglesa caiu de pau no Comitê Olímpico por conta desse absurdo. A mídia pede providencias e o Comitê declara que vai dar um jeito na situação, pegando de volta ingressos de quem não os está utilizando. Para mim uma declaração para inglês ver.

Estou adorando a cobertura olímpica – dos quatro canais nas TV fechadas a portais da internet com tudo quanto é esporte ao vivo. Parabéns a todos, pelo esforço e o resultado, independente das gafes e erros, que só comete quem algo faz.

Com a maratona olímpica acontece de tudo um pouco. De eu acompanhando a corrida ciclística das mulheres – acho que 140 km – só para curtir o beautiful english country side, a um narrador da SporTV, que narrou a partida do Djokovic como se fosse futebol – óbvio não era um dos narradores de tênis do canal que já tem a manha, especialmente o Eusébio, que é muito bom. Mas o rapaz caiu ali de para quedas e teve seu grande momento quando nos informou que o Fognini era o Djokovic e então ficou uns 45 segundos em silencio enquanto explicavam quem era quem.

E agora de volta ao Bellucci, que já ganhou o 1º set do Tsonga, a quem o narrador de hoje chamou de rodada mais fácil do que a dos irmãos Bryan de ontem – o que não sei se compro tão facilmente.

Notas relacionadas:

  1. Alfredo di Roma
  2. Probabilidade
  3. Placidez
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sábado, 7 de abril de 2012 Copa Davis, O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:24

Direto do local

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O leitor, que se denomina O Bruxo, é claramente um tenista, não um sofasista, e residente de Rio Preto, local do confronto Brasil x Colômbia. Para nossa sorte está nos fornecendo notícias diratas do local do crime. Para nossa facilidade, transponho dos Comentários para cá.

Assuntos extra-quadra e aleatórios:

- Logo no início do jogo do Bellucci, e não sei se na transmissão da TV deu pra ouvir, um aviso curioso foi dado no sistema de som da quadra. Agentes de trânsito estavam multando e guinchando o carro de todo mundo que estacionou na entrada do clube. Não houve sinalização prévia nenhuma, nem aviso de nenhum tipo de que seria proibido parar ali. Rio Preto é uma cidade conhecida de longa data por presentear seus visitantes com uma variedade incrível de multas sacanas. Talvez seja a isso que a imprensa daqui tenha se referido ao comentar sobre a movimentação da economia local provocada pelo evento… Como consequência disso, a quadra ficou bem esvaziada nos primeiros games do jogo, pois boa parte da torcida foi acudir seus carros. Difícil dizer se isso contribuiu para o começo lento do Thomaz, mas é inegável que nesse momento do jogo tinha menos gente pra apoiá-lo.

- Em termos de alimentação, a coisa foi um tanto precária para torcedores comuns e não-privilegiados (leia-se: sem acesso aos recônditos chiques do clube). Entre os dois jogos, acabaram momentaneamente os salgados sem carne, algo um tanto incômodo em sexta-feira santa. Eu conheço os salgados, eram os mesmos que eu comia há 10 anos, quando treinei no clube por um tempo… Em compensação, sobrou cerveja (não farei jabá gratuito da marca, mas é das boas!), e teve gente que sofreu pra ir embora por conta do porre… (antes de mais nada deixo claro que saí sem maiores problemas de lá, hehehehehe)

- Provavelmente isso já aconteceu com o Paulo Cleto em alguma transmissão de um jogo tenso, mas o comentarista do Sportv foi uma atração a parte na cabine. No jogo do Feijão ele estava escondidinho, amuado, no cantinho da cabine. Assim ficou até o Bellucci começar a voltar no seu jogo. De repente, o cara levantou, vibrava, fazia sinal pro Thomaz e mandava a galera agitar de dentro da cabine. Mesmo o narrador e a produtora, mais contidos, se agitaram bastante e levantaram diversas vezes lá dentro. É extremamente interessante esse balanço entre o controle que é necessário para comentar em televisão e o lado torcedor que todo mundo que se envolve com o esporte deve ter.

- Os boleiros estavam meio lerdos e o rapaz do placar manual estava perdidão. A orelha deles vai esquentar…

- A torcida de Rio Preto, carente de eventos, e triste com o rebaixamento recente dos dois times de futebol da cidade para a terceira divisão de São Paulo, participou de forma muito ativa e até educada (já estive em duas outras Davis, então tenho algum padrão de comparação). Várias musiquinhas foram inventadas por alguns meninos, que treinam em clubes da cidade, e algumas delas embalaram a torcida toda. Ao contrário do animador de torcida oficial do Brasil, o cara do trompete, cujo nome esqueci, que participou no primeiro jogo e deu umas 3 sopradinhas só na batalha do Bellucci.

Acho que é só isso, abraços!


Enviado em 07/04/2012 às 1:07

De volta do Harmonia Tênis Clube, com o que foi esse primeiro dia de confrontos da Davis:

Primeiramente, hoje foi um dos raros dias de temperatura agradável e vento em Rio Preto. São Pedro resolveu não submeter nenhum dos times ao massacre térmico habitual nessa terra calorenta.

A quadra (originalmente a quadra 7 do clube), estava de fato mais rápida do que o normal. É uma quadra bem pequena, então bolas anguladas farão estrago (fica a dica para nossos jogadores, que batem mais enroscado que os deles).

No primeiro jogo o Giraldo me impressionou muito. Vendo-o pela tv, dá a impressão de que ele é um jogador travado, meio robotizado até. Nada disso. É impressionante o que o cara bate limpo na bola. Reto, fundo, sempre incomodando. Ele saca com bastante facilidade. É jogador pra ficar no top 50 por um bom tempo, se tiver cabeça (pelo jeito não tem… um cara que se afeta por ser chamado carinhosamente de “maricón”… lembro de uma Davis em Floripa, Brasil x Austrália, que a galera xingou o Hewitt de coisa infinitamente pior; mas o cara usou isso pra bater na gente… essa é a diferença). Com certeza o Giraldo vai incomodar muito o Bellucci no quarto jogo. Caberá ao Thomaz e à galera que está em Rio Preto tirá-lo do sério, isso pode funcionar.

Já o Feijão é um jogador carismático, envolvente pra caramba, que chama a torcida, tira força dela e interage com ela (olhando nos olhos dos torcedores quando recebe apoio), mas vai ter que trabalhar duro na carreira, e seu estilo merece uma análise mais detalhada:
Ao contrário do Giraldo, o Feijão faz uma força tremenda pra bater na bola, e a bola dele anda bem menos do que poderia andar. A mecânica dele, em TODOS os golpes, é excessivamente elaborada. No saque isso não faz tanta diferença, porém, há um detalhe que merece atenção. Como eu estava bem no rumo da linha de fundo, no setor coberto, pude ver aonde cada jogador coloca o arremesso pra sacar. O do Feijão é o que menos invade a quadra. Mesmo assim, ele chegou a sacar a 226km/h (o mais rápido de todo o dia). Com pequenos ajustes no toss, ele pode virar um sacador espetacular.
No forehand, dois detalhes: o movimento dele é muito grande, o que faz com que ele muitas vezes perca o tempo da bola; e ele gera velocidade demais na cabeça da raquete, e na vertical. Seria interessante uma abreviação da armação no forehand e um ajuste de raquete para que ele possa transferir melhor essa velocidade da cabeça da raquete para a bola (ou colocando peso na cabeça da raquete, ou até usando uma raquete de cabeça maior, para que ele tenha maiores chances de pegar bem na bola). Esses “defeitos” fazem com que ele espalhe muitos forehands e deixe-os curtos na maioria das vezes.
O backhand é um pouco mais curto, mas ainda não o suficiente para aguentar jogos mais rápidos. Também achei que ele não consegue puxar spin o suficiente para se defender, tendendo a bater bem reto quando está na corrida ou quando é empurrado para trás. Outra coisa que notei é que ele tende a bater o backhand bem mais “em pé” do que o forehand. Bolas baixas na esquerda o machucam.
O que talvez mais mereça atenção, uma vez que é bastante complicado mexer com a mecânica de um jogador formado, é a movimentação do Feijão. E aí está a maior deficiência dele (e, felizmente, a mais fácil de corrigir com treinamento). Ele se locomove lateralmente sempre com passadas grandes, e raramente dá aqueles pequenos passos laterais para ajustar sua distância à bola. Isso o deixa em dificuldade com bolas mais rápidas, fazendo com que ele atrase algumas batidas. Porém, com treino específico, isso pode melhorar bastante.
Depois dessa autópsia do jogo dele, é preciso ressaltar que mesmo com todos esses detalhes, ele está batendo na porta do top 100. Isso inegavelmente é prova de grande potencial. Um Feijão bem trabalhado pode nos dar muitas alegrias futuras, especialmente na Davis, pois hoje, interagindo com a galera, ele mostrou que tem DNA pra essa competição.

O jogo do Bellucci com o Falla foi uma montanha-russa muito louca. No primeiro set, o Bellucci começou devagar o jogo, errando forehands seguidos. Nisso o Falla foi ganhando confiança até que, entre o meio do primeiro set e o final do segundo, ele jogou um tênis de altíssimo nível. O Bellucci estava enterrando saques a mais de 200km/h o tempo todo, e o cara simplesmente metia tudo de volta no pé do Thomaz. Não é a toa que esse cara quase tirou o Federer de Wimbledon. Nos dois primeiros sets, o Falla foi um MONSTRO devolvendo. Ele não errava devolução de PRIMEIRO saque, e um respeitável primeiro saque. Não tenho os números, mas dá pra contar na mão manca do Lula os erros não-forçados do colombiano nos dois primeiros sets. E tudo com bola funda, reta, pesada, limpa.

Porém, não dá pra jogar a noite inteira desse jeito. Se desse, o Falla tinha tirado o Federer de Wimbledon… O jogo do colombiano desmontou no terceiro set, e o Bellucci aproveitou esse set pra fazer 6×1, voltar a acreditar, fazer a torcida tirar a viola que já tinha enfiado no saco e, principalmente, deixar o Falla menos à vontade no jogo. Daí pra frente, o jogo foi bem equilibrado, o Falla melhorou em relação ao terceiro set, e o Thomaz ganhou o resto no coração. Ele teve várias dificuldades, começou mal a imensa maioria dos games. Teve game de saque que ele encaixou 1 primeiro saque em 10. Muitas vezes o Thomaz insistiu em paralelas de backhand que quase nunca entraram (e, coincidentemente ou taticamente, a maioria dessas paralelas veio no primeiro ponto de seus games de saque, por isso, muitas vezes, ele teve de erguer de 0-15). Mas ele teve culhão de ir para algumas bolas em momentos delicados, e isso deixou o Falla retraído e sem opções.

Sim, a galera foi junto com o Bellucci e ajudou a fazer essa vitória acontecer. Mas o mérito disso é sempre do jogador que se coloca em posições de poder voltar nos braços da torcida. Então, resta ao pessoal que gosta de bater gratuitamente no Thomaz respeitar o que o segundo melhor ranqueado da história do tênis masculino do Brasil faz em quadra. Ele virou um jogo que estava PÉSSIMO pra ele.

Então respeitemos mais uma vitória do Bellucci com a torcida! Tenho certeza que a superlotação da quadra se repetirá no sábado e no domingo, e ajudará nossos jogadores a tentar ganhar um confronto que certamente é mais duro do que muitos de nós imaginávamos, pois os colombianos jogaram demais nessa sexta. Porém nossa galera jogou muito também!

Amanhã tem a dupla, estarei lá, com o pouco de voz que me resta! Vou encerrando, pois o resumo do dia ficou grande demais. Mas foi um grande dia pra quem adora tênis!

Abração e boa noite!


Cheguei das duplas!

Primeiramente, os assuntos aleatórios:

- Quem pagou mais barato se deu melhor! A arquibancada não pega sol na cara, toma um ventinho e não cozinha, não pega fila pra entrar (seguraram o pessoal do camarote uma meia hora antes de entrar), e não senta em cadeira menor que a bunda; fora o fato de que a galera é mais animada e não tem bêbado chato que pensa que pode gritar o que quiser só porque tem uma pulseirinha VIP e é sócio do clube sede. Hoje teve gente querendo aparecer mais que os jogadores na quadra…

- Surpreendente o número de camisas de times de futebol do interior de SP nas arquibancadas, vi gente com camisas do Paulista de Jundiaí, Grêmio Catanduvense, Rio Preto E.C., e teve até uma bandeira do Botafogo de Ribeirão (sem contar as que eu não consegui identificar). Isso é para aqueles que desejam a morte dos times caipiras! (PS: fiz minha parte futebolística ontem, com uma camisa verde e amarela com o escudo do meu querido Santos; na cidade, sou Rio Preto, e há simpatia também pelo Catanduvense, de minha cidade natal, e que tem uma bruxinha de mascote, e pelo Guarani de Campinas, cidade aonde estudei e vivi os melhores anos de minha vida).

- Festinha social da Davis: 150 pila a entrada, seco (nada de open-bar). Vai encarar?

- Presenciei um milagre musical hoje: Na cidade onde vigora uma ditadura do sertanejo em todas as suas vertentes (moda de viola, música raiz, sertanejo universitário, breganejo e cornomusic), o hit nas arquibancadas foi “Elas estão descontroladas”. Graças ao arremesso de raquete do Farah e aos chiliques do Cabal! Meus ouvidos agradecem a variação!

- Sim, eu vi. O comentarista do Sportv rebolou até as calças quase caírem. Figuraça! Taí um cara feliz!

- Thiago Alves, Feijão e Thiago Monteiro puxaram a galera pra fazer barulho o tempo todo. Agitaram pra caramba!

Sobre o jogo em si:

Eu adoro ver jogo de dupla. É tênis instintivo, de toque, de VOLEIOS (quando eu jogava eu adorava enfiar a cara na rede o tempo todo, não tenho saco e nem físico pra correr e passar bolinha). É tênis de reflexos. É tênis diversão. Nada de ralis intermináveis, maratonas ou vitórias no físico. Ganha a dupla que reune os melhores tenistas, e pronto!

Nossa dupla entrou ligada no 220 e não desligou nunca! O Marcelo Melo não errou um voleio até o game no qual teve seu saque quebrado. E foi inteligente ao aproveitar o fato de que a quadra 7 do Harmonia Tênis Clube é pequena e estreita. Isso te dá duas opções nos voleios altos: ou você crava pra baixo e encobre a quadra, ou você crava pros cantos, angulando bem. Inclusive teve um ponto onde rolou uma polêmica, pois a bola foi na direção de alguém da nossa delegação, lá fora da quadra e ele desviou a bola, já fora dos limites da quadra. Os colombianos chiaram, mas o Cabal não chegaria naquela bola, mesmo se não tivesse nada para impedi-lo. Quanto à técnica, o saque dele tem um defeito, que tira muito da eficiência esperada nesse fundamento em um cara de mais de 2 metros. O arremesso dele fica longe demais do corpo, o que faz com que ele busque demais a bola na frente. Quando você pega a bola muito na frente, aparecem duas tendências: a de sacar muito pra baixo e mandar na rede, ou a de não conseguir escovar a bola o suficiente para pegar efeito no segundo saque, então você fica com um segundo serviço mais flat (e lento o suficiente para ser atacado) e mais errático, pela falta de efeito. Quem viu Jaime Oncins sacando nota uma certa semelhança. Apesar de uma pequena queda de nível no segundo set, o mais alto de nossos duplistas manteve as devoluções afiadas o tempo todo, e se recuperou a tempo do passeio no terceiro set.

O Bruno Soares foi a personificação da categoria. Saques bem colocados, devoluções precisas, dobrando e esticando os colombianos igual sanfona. Voleios limpos e um lob melhor que o outro. O pessoal tinha que ir embora, comprar outra entrada, e voltar. Uma entrada para o jogo e outra para a aula de duplas que o Bruno deu. Ganhou até homenagem especial, com o grito de “Au au au, o Bruno é animal”.

Robert Farah é sacador. Meteu um a 224km/h. Tem uma mecânica muito boa para sacador e voleador, com arremesso lá na frente, inclinação do tronco lá pra frente e movimento abreviado de cabeça de raquete. Só que na rede, ele deixou seu parceiro vendido muitas vezes ao se adiantar e cruzar antes da hora, o que arreganhava a paralela para os brazucas socarem as devoluções. Teve um incidente com ele, que ao tomar um voleio por cima da cabeça, atirou a raquete, que foi na direção dos brasileiros e bateu na rede. Apesar de ser complicado julgar intenções, o negócio foi bem na minha frente e pareceu deliberado. Quando a bola passa por cima da sua cabeça, você joga a raquete pra cima, não para a rede e na direção de um oponente (se eu não me engando, foi na do Bruno).

O Cabal sacou fraquinho, com movimento grande e sem profundidade. Somado ao parceiro que telegrafava as intenções na rede, isso resultou em apenas 1 game de saque confirmado por ele. O resto ele faz direitinho: devolve legal, voleia decentemente, antecipa bem. Até sabe jogar, mas perdeu a cabeça em alguns momentos, e a galera pegou no pé sem dó.

Mesmo com o placar folgado, o jogo foi intenso e muito veloz. Tão rápido que exigiu muitas vezes voleios de duas mãos, uma blasfêmia para os puristas do tênis e uma necessidade, tamanha a rapidez das bolas e a qualidade dos voleadores. Nenhum dos quatro voleou mal e nenhum dos quatro alisou a bolinha. Foi hardcore o negócio!

2X1 pra gente. Mas amanhã tudo pode acontecer. Pode acontecer de o Bellucci jogar o que pode e ganhar. Pode acontecer do Giraldo perder a cabeça e o jogo. Pode acontecer do Giraldo continuar espancando a bolinha e ganhar do Thomaz. Pode acontecer do Thomaz não estar um um bom dia…

Caso não fechemos no quarto jogo, o Feijão tem condições de ganhar do Falla. Não esperem que o colombiano deslanche. Se o Feijão jogar bem, ele subirá o nível. Se o Feijão jogar mal, ele não vai dominá-lo. Acho que se o Feijão se manter positivo, envolver a torcida como sabe fazer, ficar sempre perto dele no placar, e dar corda, errando pouco e sustentando os ralis, o Falla não capitaliza. Foi assim com o Federer em Wimbledon. Foi assim com o Bellucci ontem. Tomara que, se necessário, seja assim amanhã também, contra o Feijão. As evidências estão contra o Falla, não contra o Feijão, que é relativamente virgem em momentos de decisão como um jogo importante ou um último jogo de confronto de Davis, o que ele faz com que ele não tenha fantasmas do passado a assombrá-lo…

Aula de tênis hoje, emoções a vista amanhã. QUE FINAL DE SEMANA!!!!

Abraço a todos!


Boa noite amigos do blog!

Não fiquei para o quinto jogo pois tenho viagem amanhã cedinho e quero aproveitar esse tempo pra fazer as malas!

Outros assuntos aleatórios:

- Algo que me deixou um pouco chateado. Cheguei com meus pais (ambos idosos) cerca de 70 minutos antes do confronto. Na portaria do clube, nós e outros torcedores que vieram de lugares distantes como Campinas e Londrina fomos barrados por meia hora (na porta do clube, não na porta da quadra, ou seja, na rua). Fui o primeiro a entrar no clube para ter acesso aos camarotes.Ao chegar lá, estavam sócios do clube já ocupando lugares nos camarotes comuns e, pior, vários abanadores de uma das patrocinadoras da Davis marcando lugares para outros sócios que chegariam depois do público geral. Quando os outros torcedores dos camarotes chegaram e foram aos assentos marcados, os mesmos sócios que estavam lá repreenderam esses torcedores, de forma não muito gentil. Apesar de concordar com alguns privilégios aos sócios do clube-sede (que puderam comprar suas entradas antes de todo mundo), que fosse feito um setor específico para que eles tenham seu lugar garantido, e não levando vantagem em cima de gente que viajou e fez esforço pra estar lá. Para mim é chato falar mal dessa organização, uma vez que conheço gente muito boa do Harmonia, mas errado é errado em qualquer circunstância.

- Sim, consegui ir à baladinha da Davis! Meu ingresso me dava direito, então enfiei a cara e fui. Cheguei por volta das 10 da noite e presenciei a saída dos jogadores colombianos de lá, nesse mesmo momento. A equipe do Brasil já tinha saído. Foi beleza! Muita mulher bonita, a fina flor da cidade. Tudo muito bom (exceto pelo som, alto demais e com microfonia). Terminei muito bem a noite de sábado ;)

- Certamente houve superlotação. Foi possível ver cambistas vendendo entrada nos arredores do clube. E mesmo assim sobrou gente na arena. Não adiantava pedir para não sentar em escada, pois não cabia mais ninguém em lugar nenhum. Simplesmente gente demais e arquibancada de menos.

- Os times do interior voltaram com tudo! Apareceu bandeira do América de Rio Preto e do Guarani. Inclusive haviam dois torcedores do Rio Preto sentados ao lado do torcedor do América, e fazendo barulho juntos, e em paz (não conheço nenhum caso de briga entre torcedores do diabo e do jacaré aqui, apesar da rivalidade entre os dois clubes, o que é exemplo para o país).

- O tempo assustou no começo da tarde, mas melhorou maravilhosamente até a hora da competição!

- Hoje quem comandou o agito da galera foi o Augusto Laranja.

- Durante todo o confronto a circulação de pessoas nos intervalos foi mal coordenada. Muita gente entrava na virada de quadra (que não é intervalo) entre o primeiro e segundo games dos sets, o que causou alguns contratempos aos jogadores no começo dos segundos games.

- O interesse pela Davis em Rio Preto não foi só dos ratos de quadra que lotam os clubes da cidade (Harmonia, Monte Líbano, Palestra, Automóvel Clube e AABB). Muita gente que sequer sabia as regras ou a contagem do tênis foi lá prestigiar e apoiar. O que eu tive que explicar de coisa de tênis para várias pessoas foi uma grandeza. O povo de Rio Preto merece os parabéns e também merece novas chances de sediar a Davis em eventos futuros! Para quem conhecia o clube, foi impressionante o trabalho feito para botar a arena naquele lugar, naquelas condições, e também para deixar a quadra melhor para o estilo de nossos jogadores. Valeu Rio Preto! Não foi perfeito, mas foi bem melhor do que o esperado!

Bellucci x Giraldo:

Sei que muita gente vai falar depois desse comentário: “Falar depois que aconteceu é fácil”. Mas depois do primeiro bate-bola do aquecimento eu tive a absoluta certeza de que o jogo seria do Thomaz. Por uma razão simples: o Giraldo desde a primeira batida não estava sentindo bem a bola. O Thomaz, por outro lado, estava soltíssimo no aquecimento em quadra. E isso foi muito claro e nítido. Provavelmente o Thomaz, que já entrou focadíssimo no jogo, percebeu isso.

Existe uma alternativa para aqueles dias no qual você não sente direito a bola, ou tá sentindo que a coisa tá estranha. Use o começo do jogo para trocar um monte de bolas até voltar a ter confiança nos golpes. Foi o que aconteceu com o Guga na final de Roland Garros contra o Corretja. Ele trocou bolas até o terceiro set, de onde ele deslanchou para o tri.

Não sei se isso foi intuitivo ou se foi estratégia prévia do Thomaz, mas ele começou o jogo a milhão, acertando tudo o que tentava, enquanto o Giraldo fechava com o inferno. Foi um primeiro set quase irretocável do Thomaz, onde ele não deu chance pro Giraldo pegar qualquer ritmo.

No segundo set, o Giraldo teve a chance de tentar trocar bolas para buscar timing e um feeling melhor da bola. Mas não é a dele ter paciência e controle emocional para investir nisso. O Thomaz foi firme quando precisava, e o Giraldo sucumbiu ao seu mau dia e à sua péssima cabeça lá no tie-break. A essa altura, o Giraldo já tinha batido várias vezes nas cordas da raquete, o que confirmou minha percepção inicial de que ele não sentia bem a bola.

Era questão de tempo para o colombiano cair. Só seria necessária uma quebra para a cabeça dele ir de vez pra cucuia. A quebra veio, e daí em diante o Thomaz jamais olhou pra trás. Depois da quebra, saí dos chatos camarotes e fui lá pro meio da arquibancada fazer a festa! E a festa não demorou pra começar!

A equipe toda se virou para o povo das arquibancadas, que foi quem fez a diferença na torcida, e celebrou virado para eles com uma bandeira enorme do Brasil! Justo! Coisa linda!

Páscoa é época de chocolate, que foi doce como o Thomaz e o Brasil mereciam e amargo para os colombianos! Que jogos do Bellucci! Que belíssima dupla temos! E quanto ao Feijão, três coisas boas: sobra potencial no garoto, ele tem cara de Davis e o que precisa ser corrigido nele está muito claro e é corrigível.

Que vitória do tênis brasileiro! E isso não é pachequice! Sejamos um pouco mais justos e vamos dar um pouco de valor aos tenistas que temos, que derrotaram uma equipe cujos singlistas estão entre os 60 do mundo, e cujos duplistas estão entre os 70. Não batemos em time pequeno! A Colômbia em breve estará no grupo mundial.

E o Brasil tem tudo pra conseguir. Que tenhamos um sorteio favorável na quarta-feira!

Agradeço a confiança do Paulo Cleto nas minhas informações daqui de Rio Preto! E, puxando a sardinha pro meu lado, até que minha cobertura deu sorte!

Um abração a todos e até a próxima!




Notas relacionadas:

  1. Definindo
  2. O Primeiro Milhão
  3. Placidez
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segunda-feira, 12 de março de 2012 Curtinhas, Light, Tênis Brasileiro, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 13:29

Surpresas

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Como qualquer um, adoro boas surpresas. Uma vitória de Thomas Bellucci sobre Jurgen Melzer na quadra dura tem que ser considerada uma. Pelo menos pelo o que o brasileiro vinha apresentando em geral desde São Paulo e sua renegação às quadras duras. Como eu já disse antes que ele pode se dar bem nesse piso, pelo arsenal que tem, fico surpreso com a vitória, mas não com o resultado.

Não vi, mas o fato do Melzer não ter cumprimentado direito o brasileiro não é surpresa, ou vocês acham que ele é o MalaMelzer à toa? Talento ele tem de sobra, chatice idem. Mas sua aversão pode ter outra razão.

Vários tenistas tiveram que abandonar o torneio por conta de um vírus que está atacando Coachella Valley, a área de Indian Wells. Os tenistas têm dito que o problema é um vírus estomacal. A organização e as autoridades médicas locais insistem que é um vírus que se autoconsome no período de 24 a 48h é transmitido pelo ar e por contato e não por comida.

Os oito tenistas que abandonaram o evento por conta disso até agora são Zvonareva, Seppi, Kohlschreiber, Rybarikova, Mattek-Sands, Vania King, Monfils e Melzer, que abandonou as duplas após as simples. Federer também reclamou de febre, mas não passou disso. As autoridades dizem que há uma alastro por todo o estado da Califórnia e que muitos jovens têm faltado à escola por conta. Além de tenistas, pegadores de bola, juizes de linha e jornalistas foram atendidos e alguns hospitalizados. A ver se haverá novas baixas no torneio.

Outra surpresa foi a derrota de Murray, que não reclamou de febre ou mal estar. Só sentiu o golpe e que vai avaliar as razões da derrota. O fato é que o espanhol Garcia-Lopez jogou muito tênis e mereceu a vitória, algo que alguns fãs sofasistas tem dificuldades de entender. Para estes o esporte só tem graça se desenvolvido dentro de suas (deles) expectativas. Na verdade, a graça do esporte está justamente na competição e mais no improvável do que no esperado. Mas é mais fácil torcer do que entender.

Uma surpresa final foi o incidente que passou despercebido por muitos, mas não por um jornalista canadense, Tom Tebutt, um dos mais veteranos e respeitados do circuito.

Ele acompanhava o jogo de Llodra e Gulbis quando o francês usou o idioma de Montaigne para ofender uma chinesa que torcia pelo adversário, fato que o jornalista reportou em seu tuiter. O fato, junto com outro – Llodra ofendeu uma pegadora de bola e o supervisor desta durante a partida – levaram o torneio a multá-lo em U$2.500,00.

Não sei o que levou Llodra a tais indesculpáveis baixarias, mas o cara devia estar de mal com a vida para arrumar tanta confusão junta. No entanto, dois pequenos adendos que se não explicam talvez elucidem.

Não sei se é o caso, mas certos torcedores parece que fazem questão de “entrar na cabeça” de um tenista na maneira como torcem. Às vezes um único chato atrapalha mais do que 5 mil torcedores contra. Isso acontece muito em torneio juvenil e eventos menores.

Dá para perceber que quase todas as pegadoras em Indian Wells são bonitinhas, mas nem todas eficientes. Algumas não conseguem lançar uma bola e muito menos pegá-las quando elas chegam mais fortes. Vai ver as prioridades do francês não são as mesmas dos organizadores. Mas educação cabe em todo lugar. O assunto parece ter trazido mais incovenientes do que foi divulgado, até pela derrota de Llodra nas duplas, em parceria com Zimonic, perdendo para Nadal e Lopez, o que é uma surpresa sem tamanho.

Uma pegadora, uma toalha e Roddick

Notas relacionadas:

  1. A quarta.
  2. Surpresas
  3. 1000!! e sem surpresas
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Light, Minhas aventuras, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 00:54

Karma tenístico

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Outro dia, aproveitando uma dessas tardes maravilhosas que vem se repetindo, nestes tempos em que o verão ameaça, ainda sem sucesso, se instalar, me alojei em uma cadeira, à mesa, debaixo da jaqueira que orna e sombreia a seção de tênis do melhor clube do país – E.C. Pinheiros.

Estava a ter uma conversa um pouco mais séria do que o cenário exigia quando fui interrompido por um amigo, ansioso por me contar uma história. História que é a alma deste Post, história que o meu leitor que não seja um sofasista de almofada cheia conhece várias e que, com a mais absoluta certeza, viveu e sentiu na pele. De um jeito e do outro.

Estava o amigo a enfrentar um de seus maiores rivais – e atentem, são tenistas de categoria, 2ª classes, na pior das hipóteses, dos mais encardidos. O adversário abriu, no set decisivo, um 5×1 que, para quase todos os efeitos, davam as favas como contadas. Como todos, incluindo os amigos do sofá, sabem, o jogo só acaba quando termina. Mas 5×1 é 5×1, pelo amor dos meus filhinhos, como diria o endiabrado Silvio.

A essa altura, o amigo – deixarei os nomes de fora, até porque, como já disse, a história é universal – começou a desviar o assunto pelas mudanças táticas que executou, lembrando; nada acontece de graça. Mas as suas táticas não são o ponto da história, por conta disso privarei os leitores de uma aulinha tática. Só vale lembrar que a não mudança de uma tática claramente perdedora só é uma alternativa para os mais teimosos, burros, ou se preferirem sem imaginação; ou se seu nome for Roger Federer, que não cai em nenhuma das alternativas anteriores, seria o que me faltava, mas tem uma só sua.

Pois é. O amigo foi lá, mudou o jogo e começou a cacifar. Esqueci de dizer; era 5×1 40×0, o que não é mole não. E, no game seguinte, 2×5, 15×40. Pois é. O amigo escapou de ambas sinucas. E aos poucos, que nem a galinha enche o papo, foi vencendos os pontos, adquirindo a água benta dos tenistas, a santa confiança, e virou o jogo. Sim, 7×5.

O amigo babava enquanto nos contava seu feito nos mínimos detalhes. Dava para ver o prazer saltando de seus olhos, sorvido como saliva pré churrasco em reunião de peão. Como é linda a vitória, especialmente uma tão arduamente conquistada, uma tão improvável.

O amigo se despediu, sem muita vontade, é fato, já que a conversa lhe era prazerosa nas últimas, com um sorriso nos lábios evidenciando que o karma tenistico o acompanharia por mais alguns dias, pelo menos até que um novo infortúnio o atropelasse em quadra, como sempre, mesmo para os Djokovics, acontece.

E não é que não deu 5 minutos, nem dando tempo para eu embalar a conversa interrompida, chega o amigo protagonista, ou seria coadjuvante, da história acima.

O rapaz chegou com aquela cara de quem não sabe ao certo se cumprimenta e passa reto ou se arrisca uma estadia mais prolongada. Pois é, Kurosawa já nos mostrava que os dois lados de uma história quase sempre nos apresenta uma terceira tão ou mais interessante.

Sem nenhuma intenção masoquista, não pude deixar de mencionar o fatídico. E aí, como foi? Ele me contou o seu lado da história, onde ele era muito mais o vilão do que o amigo mútuo o herói. Não importa, até porque não é essa a questão também. Naquele dia, com o céu azul, o conforto do calor aliado às delicias da sombra de uma frondosa árvore, complementados pelo prazer de uma bebida refrescante, a minha mente tinha uma única curiosidade, que não vi porque não a satisfazer.

De sopetão, sem o menor perdão ou cerimônia, perguntei. Quando você pirou?

Sem pestanejar, até porque não se trata de safasista ou mesmo panga, ele voleou de volta – “no 5×3!!”. Alí já comecei pensar muita merda.

Pensei com meus botões – “um pouco cedo, talvez”. Mas lembrei de 40×0, do 15×40 e aquiesci com a cabeça sabendo que nesses affairs melhor se passa sem o julgamento alheio. São cruéis esses percalços mentais. Como lidar com eles? Como os cachorrões conseguem escapar delas – se é que escapam?

Já no fim de sua história, o segundo amigo menciona que um terceiro – adversário de ambos – estava sentado na cadeira do juiz, por conta de uma daquelas recorrentes e danosas contusões, nada mais podendo fazer em uma quadra. Os três saíram da quadra ao mesmo tempo e caminharam para aquela mesma jaqueira que eu então aproveitava. Chegando à mesa, já pedindo e pensando nos prazeres de uma Norteña gelada, o terceiro vira para o segundo e diz: “agora que você nunca mais meta o pau no Bellucci quando ele fizer das dele”. Quanta verdade dita em frase tão curta. E não somente por conta do nosso melhor tenista.

Notas relacionadas:

  1. Plano B
  2. 13 de sucesso.
  3. Talvez
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domingo, 18 de setembro de 2011 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 20:48

Perdas e ganhos

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Esta é a semana mais interessante da Copa Davis, que é a competição mais interessante do tênis. Não vou explicar a segunda colocação, porque já a expliquei inúmeras vezes – quem conhece tênis sabe do que falo, quem não conhece não vai entender mesmo.

É a semana mais interessante da competição porque se joga as semifinais e os “play-offs”. Ou seja, por um lado se decide os finalistas, por outro quem fica no filet-mignon da competição e quem vai amargar uma carne de segunda por mais uma temporada.

Para o Brasil foi, por um lado, mais uma data triste. Por outro, nem tanto. Poderiamos ter subido e não conseguimos. Mas dentro da derrota fizemos uma boa figura, o que tem sempre muito valor.

Em Copa Davis o que importa para o tenista que entra em quadra é ganhar. O resto é resto. Para o analista não é tão preto e branco; existem áreas cinzas. O Brasil ficou fora do Grupo Mundial. Mas, olhando de fora ou de dentro há outras miradas.

Nossos fracassos anteriores na hora da onça beber água não foram nada animadores. Dois deles, que me vêem à mente, de doer; Equador em casa e Índia lá fora. Duas babas que não deveriam ter escapado. Caso encerrado.

A derrota para a Rússia foi outra história. Não importa que a Rússia não é mais um poder mundial como era a poucas temporadas atrás. Jogavam em casa, em suas condições, o que é sempre uma vantagem, mesmo sendo naquele “cemitério” em Kazan – o pessoal de lá não parece dar muita bola para tênis. Ganhar nessas condições é sempre uma enorme dificuldade.

O técnico russo flertou com o perigo, seja lá qual era a razão dele. Alias, ficou a um único ponto de amargar uma séria derrota. Bellucci fez o trabalho dele no 1º dia, a dupla fez a dela no 2º dia – que prazer vem uma dupla afiada e bem jogada – e nossos dois singlistas fizeram o que podiam e mais um pouco no terceiro.

Hoje ninguém teve câimbras, passou mal, vacilou ou pensou na morte da bezerra. Todo fizeram seu trabalho como esperamos que façam. Nessas circuntâncias, vencer ou perder são consequência de entrar em quadra.

A partida que vai dar o que falar, por algum tempo, será a dos dois melhores de cada país. Thomaz Bellucci jogou, assim como no 1º dia, como esperamos que jogue nosso melhor tenista. Sem vacilos emocionais. Se existiram vacilos são parte do jogo. Com certeza, Thomas gostaria de jogar melhor inícios de sets; dois dos três sets que perdeu foram com seus serviços sendo quebrados no 1º game do set.

O terceiro set foi épico. Muito do que penso e sinto sobre Copa Davis esteve presente. Na parte emocional e mental Bellucci não nos decepcionou – pelo contrário. Superou nossas expectativas.

Dois comentários. Poderia ter feito o adversário jogar no 1º match-point. Um erro de devolução é tudo que o oponente pede nesse momento. No segundo MP não há criticas a se fazer. Só elogios à audácia do Youzhny que atacou sem perdão com sua direita na diagonal.

O segundo é que se eu fosse o técnico do Belo o faria assistir, algumas dezenas de vezes, até entrar em seu cérebro e subconsciente, o game onde quebrou o saque do russo no quinto set. Por que ele não joga sempre assim, ao invés de ser tão perdulário com os pontos? Se ele jogasse com essa estratégia em mente, o tempo todo, com o saque que tem, seria extremamente perigoso.

O pecado de Ricardo Mello foi começar tão mal a partida. Talvez ele não tenha se recuperado da derrota de Thomaz antes de entrar em quadra– algo que só foi, aparentemente, assimilado com o transcorrer da partida. A partida mostrou-se mais ganhável do que ele deve ter imaginado e do que o primeiro set mostrou. Como das outras vezes, Ricardo mostrou que tem um bom temperamento para a competição e que luta com seus limites.

A melhor notícia que sai dessa derrota é que os fãs de Thomaz Bellucci podem o encarar com outros olhos daqui para frente. Hoje ele foi o tenista que todos esperam. Aliou seu arsenal técnico a uma mentalidade e uma atitude condizente. Nenhuma séria crítica pode vir por aí.

Eu conversava, durante a partida, que a vitória daria uma enorme injeção de adrenalina na carreira de Bellucci. Não só pelas suas duas vitórias como pela conquista do time. Se não aconteceu, paciência. Thomaz ainda pode pegar tudo o que aconteceu e injetar uma tremenda dose de confiança em sua carreira. Hoje ele viu, assim como todos que quiserem ver, que ele pode ser muito mais tenista do que vem sendo e que os fãs têm visto. Após cinco horas de correria, em um cenário de extrema tensão, que não me venham mais falar que o rapaz não tem preparo físico. O que lhe falta, ou faltava, foi algo que hoje ele encontrou dentro de si próprio.

Em Kazan um novo Bellucci.

Notas relacionadas:

  1. Nas alturas
  2. Probabilidade
  3. Sem bombar
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quinta-feira, 7 de julho de 2011 Copa Davis, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:41

Sem entender

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Acho que o atual capitão do time brasileiro na Copa Davis, João Swetsch, ficou um tanto ressabiado na última edição da Copa Davis. Além disso, mais do que acho, há coisas na escalação do time que enfrenta o Uruguai, em Montevidéu, que não ficaram claras e que não sou eu que vou tentar explicar.

Digo que ficou ressabiado porque decidiu que queria ter um terceiro singlista no time, que pudesse também jogar duplas, abrindo mão de uma dupla formada e aí ficando sem um terceiro singlista para uma eventualidade.

No ultimo confronto, contra a Índia, ficou claro que Thomas Bellucci entrou em quadra para sua segunda partida, que acabou abandonando sem condições, físicas ou emocionais, escolham. A decisão do técnico de colocar o tenista em quadra não tinha o aval do jogador, o que terminou por gerar um estresse entre ambos que deu no que deu. Desta vez, João decidiu que quer ter uma opção tática, já que João Sousa pode jogar simples e duplas, assim como Bellucci e, óbvio, o bom mineiro Bruno Soares que seria sempre o homem fixo das duplas.

O que eu não sei explicar é o porque Ricardo Mello, de longe o mais experiente dos atuais tenistas brasileiros, e o que mais mostrou, até agora, captar o espírito da competição, ficou de fora. Especialmente lá pelo La Plata, onde o bicho pega. Li algo no sentido que ele poderia voltar ao time e que este confronto não era bem o caso, mas nada que explicasse.

Com a ausencia de Ricardo aumenta a responsabilidade de Thomas e Rogério Silva é colocado em quadra para levar o seu tênis combativo a importunar o adversário. Ele joga o primeiro jogo contra o Pablo Cuevas que é o melhor tenista uruguaio e um perigo até para Bellucci, mas que está sem jogar desde Paris por conta de problemas no joelho – sua condição física é uma incógnita. De qualquer maneira, se Rogério conseguir afinar seu emocional pode incomodar, e por que não ganhar, já que não há expectativas e pressão de vitória nessa partida.

Notas relacionadas:

  1. Todos em Baurú
  2. Ironia do destino
  3. Sem bombar
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segunda-feira, 20 de junho de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:04

Imaginando

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Fico imaginando o que aconteceu na partida em que Thomas Bellucci foi derrotado pelo veteraníssimo Rainer Schuettler. Só imaginando. O alemão é, aos 35 anos, o mais veterano na chave. Até já parou de jogar, mas voltou.
 
Tem um tênis feio, mas muito produtivo. Sua direita é algo que eu nunca sei como entra, mas a esquerda, com duas mãos, é excelente. O saque é mais feio do que ofensas à mãe. Na rede, se vira, apesar de não ser um voleador. Foi finalista de duplas nas Olimpíadas, perdendo naquele célebre jogo para os chilenos na final.

Mas não se enganem. O cara é um jogador, que conhece os caminhos da pedra e que consegue dar nó em pingo d’água. Já foi à semifinal em Wimbledon em 2008, não me perguntem como, acho que nem ele sabe. De lá para cá perdeu na 2ª rodada e antes disso perdeu na 1ª rodada duas vezes seguidas. Pior mesmo é em Roland Garros; perdeu 10 vezes na 1ª rodada, sendo sete seguidas. No U. S. Open perdeu na 1a rodada as ultimas cinco oportunidades.
 
Mas é um bom devolvedor, especialmente se sacarem na esquerda. Na direita, pode ir em qualquer lugar, dependendo do dia, até na linha.

Este ano tem jogado mais Challenger, por conta do ranking. Mas entrou em Miami e bateu Ryan Harrison. Em RG não vou nem falar.

Mas passou uma rodada em Queens, onde bateu Reynolds e passou o qualy em Eastborne, onde também perdeu na 2ª rodada.
Bellucci não quis jogar Eastborne, preferindo ficar em Londres, a tática dos cachorrões, que ficam na cidade jogando exibições para treinarem na grama sem sair da cidade. Parece que não funcionou para ele. Hoje era uma rodada administrável e que eu esperava uma vitória. A derrota só imaginando.

Escolhi esta foto porque me emociono com a carinha de ambos – Kiefer e Schuettler - após perder a final para os chilenos.

Notas relacionadas:

  1. Nas alturas
  2. Nanico Voador
  3. Probabilidade
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segunda-feira, 18 de abril de 2011 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:44

Vitórias e derrotas

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Como a SporTV só vai mostrar Barcelona a partir de quinta-feira, só nos resta imaginar como foi a derrota de Thomaz Bellucci para o colombiano Santiago Giraldo, um tenista imprevisível e perigoso, adjetivos que também podem ser utilizados com o brasileiro.

O jogo foi um festival de quebras de serviço, o que diz algo sobre a velocidade das quadras do torneio e sobre as dificuldades de Bellucci, que teve seu saque quebrado cinco vezes, o que não é pouco em dois sets.

Mais uma vez Thomaz sacou para fechar um set, só para ter seu serviço quebrado e terminar por perder o set. A frustração, mais uma vez, lhe abaixou o espírito e fez com que perdesse o set seguinte de maneira mais fácil do que o primeiro. O rapaz segue tendo dificuldades em lidar com os aspectos emocionais e mentais do jogo de tênis da faixa de competividade que frequenta.

Thomaz ainda não encontrou seu melhor caminho, mesmo sob a direção de Larri Passos, o que deve ser frustrante para ambos. Como não poderia deixar de ser, o técnico bate na tecla de que é necessário paciência com a fase de aprendizado e ajuste. Nem todos os atletas maturam, técnica ou emocionalmente, na mesma idade, e torcedores tendem a ser totalmente cegos à qualquer realidade que não seja seus desejos. Faz parte do trabalho do técnico lembrar desse detalhe a todos os envolvidos. Hoje assisti a um documentário sobre Diego Forlan – que esteve entre ser tenista e boleiro – e que só desabrochou como jogador aos 26 anos e atingiu seu ápice, na ultima Copa, aos 30 anos.

Como Bellucci é um tenista ainda com um emocional instável e, de certa maneira influenciável pelo o que acontece durante a partida, duas verdades paralelas se impõe.

As derrotas lhe fazem muito mal emocionalmente e impedem seu crescimento, na mesma medida que vitórias poderiam lhe trazer aquele algo a mais que faria a diferença em sua carreira. O problema segue sendo que uma derrota indiscutivelmente lhe coloca fora de um evento e todas as consequências que com isso vem, enquanto suas vitórias nem sempre conseguem motivá-lo e lhe dar a confiança necessária de seguir vencendo até a final. Esse é o equilíbrio que Thomaz Bellucci ainda busca.

Thomaz ainda busca seu equilíbrio.

Notas relacionadas:

  1. O Primeiro Milhão
  2. Sorriso
  3. A Gira Européia de Bellucci
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  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última