Leitor em Paris
Mais uma vez um leitor, Alexandre Macedo da Penha, tem o trabalho e a cortesia de nos enviar seu relato, e fotos, sobre sua visita a um torneio – Roland Garros. Adicionando ao interesse, Alexandre nos conta como foi que adquiriu ingressos, algo que nossos leitores estão sempre perguntando. Como é quase sempre o fato, inclusive para mim, a visita a Roland Garros é mais um caso de emoções do que qualquer outra coisa. Agradeço.
Impressões sobre Roland Garros 2011
Vou relatar as impressões sobre minha primeira ida ao torneio de Roland Garros, edição de 2011. São impressões puramente emocionais e leigas.
Comecei a planejar a viagem e ida ao torneio no fim do ano passado (2010) e procurei saber com algumas pessoas que já tinham ido sobre a compra de ingressos. Fiz meu cadastro no site oficial do torneio e fiquei aguardando a data inicial para comprá-los. Essa data foi no dia 23 de fevereiro. Acessei o site às 8 horas, fiquei esperando na fila de acesso por 1 hora e só consegui comprar um ingresso para o segundo dia (segunda-feira, 23/5). Quando fui tentar comprar outro ingresso para o quarto dia, não havia mais ingressos. Como não queria ir somente para um dia, contatei uma agência conhecida de São Paulo que lida somente com torneios de tênis e comprei o outro ingresso por 5 vezes o valor original do bilhete.
Da confirmação da compra dos bilhetes até a entrada no complexo de Roland Garros, tive que conter a ansiedade, principalmente nos dias próximos ao torneio. O acesso da Champs Elysees (próximo onde estava hospedado) foi feito de metrô, bem tranqüilo. Percebe-se várias pessoas que também estão indo ao torneio. Ao descer da estação e caminhar até a entrada do complexo, a emoção aumentava e a atmosfera do torneio já tomava conta da região.
A entrada para as quadras, para minha surpresa e contrário a alguns comentários, foi tranquila e bem organizada. Ao entrar me veio à memória um fato que me ocorreu há 33 anos, qunado meu pai me levou pela primeira vez ao Maracanã para assistir uma partida do querido Vasco da Gama. Foram sensações que se misturaram, pois entrar naquele templo do futebol aos 8 anos foi uma emoção que até hoje não esqueço. Em Roland Garros, confesso que a emoção não foi a mesma, até mesmo porque ao 42 anos já não nos emocionamos tão facilmente, mas foi uma sensação diferenciada e tive a certeza de ser um privilegiado por estar naquele local.
No princípio fiquei um pouco perdido, pois as indicações das quadras não são muito claras, e como cheguei a Paris na noite anterior, não tive como ver a programação das quadras. Também não é fácil obtê-las, aí percebi que tinha que comprar por 2 euros o jornalzinho do torneio. A partir daí, ficou muito mais fácil para me programar e assistir os jogos das quadras auxiliares e da Philippe Chatrier.
O torneio, apesar dessas pequenas deficiências com relação a indicações das quadras, é muito bem organizado, e as pessoas que trabalham (na maioria jovens) são muito simpáticas e falam várias línguas.
A atmosfera, tanto dentro das quadras quanto no complexo, é fantástica: são torcedores e amantes do tênis que entendem do esporte e o respeitam muito e que, mesmo torcendo por seus favoritos, sempre respeitam o jogo e os jogadores. As exceções são contidas muito rapidamente e com eficiência.
Apesar de tudo funcionar bem, fica a sensação de que realmente o torneio tem que conseguir ampliar seu espaço físico, pois quando acaba um jogo na Philippe Chatrier, ou o jogo não é tão interessante nessa quadra, fica uma aglomeração muito grande no complexo e o acesso às quadras auxiliares fica impraticável. Mas no geral o torneio é bem organizado e não se pode reclamar de falta de conforto nos espaços oferecidos, principalmente com relação aos banheiros, restaurantes, bares e lojas.
Deixo agora algumas impressões sobre os jogos e alguns jogadores que vi, como Federer, Djokovic, Monfils, Bellucci, Berdych, Feliciano Lopes, Hanescu, os irmãos Bryan, Schiavone, Wozniacki, Murray , Gasquet (esses dois últimos treinando) e outros.
O que mais me impressionou foi Federer, que, como me diz um amigo espanhol, se parece com Zidane jogando, dá a impressão de que está flutuando, é um deleite ver o “cara” jogar.
Djokovic, nas duas partidas que vi, estava sobrando, com uma confiança poucas vezes vista, batendo e se movimentando acima da média.
Monfils é um jogador com um físico fabuloso e com uns “tiros” de direita impressionantes, mas a cabeça não ajuda muito.
Bellucci jogava com confiança, mas às vezes parece que demora um pouco a fazer a leitura do jogo.
Mais um dos leitores que teve o trabalho e a cortesia de enviar seu relato e fotos de sua aventura em Roland Garros. Adicionando ao interesse, ele nos conta como conseguiu seus ingressos.
Mas os que me impressionaram muito foi ver os “brothers” Bryan jogando, têm muito entrosamento, movimentação e na rede intimidam os adversários.
Para finalizar, quero dizer que fiz esses comentários para tentar repassar um pouco daquilo que foi a realização de um dos sonhos que tinha, ir àquele que considero o Maracanã do tênis, misturando emoções e prazer ao ver uma espetáculo que jamais esquecerei, tanto quanto aquele que presenciei no distante 1978, no Estádio Mário Filho.

Notas relacionadas:
Autor: paulocleto Tags: ingressos paris, roland garros








Stade Jean Bouin – quadras de tênis e estádio de rugbi.