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Posts com a Tag Roger Federer

domingo, 5 de julho de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 22:26

A final

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Esta vitória de Roger Federer merece dois posts, distintos e complementares. Um sobre a partida em si, outra sobre seu significado dentro de um contexto mais amplo e histórico.

A partida foi, como o próprio Federer admitiu, muito estranha. O suíço só saiu de quadra vencedor depois de conseguir quebrar o adversário uma única vez, após 4:16h de jogo. Devem ter sido 4:16h imensamente frustrante para um campeão de seu calibre. No entanto, não mais frustrante do que foi para Andy Roddick, que esteve a uma bola, por mais de uma vez, de liderar a partida por 2 x 0.

Roddick jogou muito tênis – um padrão que já havia mostrado na semifinal contra seu xará. Sacou muito, em termos de qualidade e não só de força, uma das mudanças que pode ser creditada a seu técnico. Também soube jogar do fundo da quadra, mesmo enfrentando um adversário que, notadamente, tem mais golpes do que ele – hoje isso não ficou evidente.

Uma partida decidida por 16 x 14 no quinto set obrigatoriamente foi decidida nos detalhes. O mais crucial, pelo menos para aqueles que conhecem o esporte, foi o fato do americano ter jogado atrás durante todo o quinto set. Só ali foi uma hora e meia e catorze games de pressão administrada por Roddick até a ultima bola. Lembrei-me de uma vez, como capitão da Copa Davis, quando Carlos Kirmayr venceu o terceiro set de uma partida contra um alemão no Ibirapuera, por 23 x 21. No intervalo, do 3º para o 4º, ele sentou na cadeira e, com a cabeça debaixo da toalha, chorou como uma criança durante um minuto e meio até se acalmar. Imaginem o alemão.

Enorme crédito deve ser dado a Federer por ter administrado o seu emocional ao longo da final. Imaginem o turbilhão de emoções, considerando o contexto e as circunstâncias. Ele estava tão ligado que notou quando Pete Sampras entrou, atrasado, na Quadra Central – e ainda o cumprimentou, o que deve ter sido a primeira vez que fez isso na sua carreira.

A partida foi tão maluca que apresentou os protagonistas em papéis trocados. Federer bateu seu próprio recorde de aces e executou muito mais deles do que o sacador Roddick. Já o americano foi o homem que teve a faca e o queijo na mão e ditou o ritmo da partida.

Se a partida foi dramática pela troca de liderança no placar e pela extensão do set final, foi menos densa emocionalmente e interessante tecnicamente do que outras disputas que temos acompanhado, neste e em outros GS, até porque foi um jogo muito dentro do contexto da quadra de grama. O serviço falou alto, as trocas de bolas foram curtas e maioria dos games sem grandes disputas. Dois sets no tie-break, um 7/5 e um 16/14 espelham isso.

Já tive a oportunidade de comentar que finais, na maioria, não são partidas de grande nível técnico pelas circunstâncias. Porém, mesmo notando um Federer mais tenso e, especialmente, conservador do que o normal, os dois tenistas se comportaram excepcionalmente, técnica e emocionalmente. Roddick não jogou, em nenhum instante, como um tenista inferior, enquanto Federer não cedeu às pressões que, mesmo quando bem mais leves, derretem tenistas menores. São dois grandes tenistas que realizaram um tremendo confronto como dois grandes campeões.

 

     

Notas relacionadas:

  1. A final
  2. Classe
  3. A bola
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Grand Slam, Tênis Masculino | 16:42

O futuro

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Às vezes tenho dificuldades em entender algumas pessoas da imprensa. E não é porque não entendam de tênis, algo bem melhor nos dias de hoje, mas ainda aquém do padrão esperado para alguém que vai à publico no assunto.

Imediatamente após a partida me ligou uma repórter, gentil e educada comme il faut, perguntando qual a minha expectativa sobre o que o Federer ainda pode fazer na carreira. O tenista, que já tem um livro recheado de recordes, aproveitou o ultimo mês para acrescentar alguns detalhes cruciais que devem, pelo menos por um tempo, tornar inatingível os seus números.

Quanto ao que ainda vai conseguir, a minha opinião vale tanto quanto a de qualquer um, até porque se valesse muito eu viveria de meus acessos a sites de apostas – e garanto que nunca o fiz.

O que posso adiantar é que Federer vive agora a faixa de idade conhecida como o possível auge do tenista. A idade onde físico, emocional, mental, experiência convivem, teoricamente, em uma harmonia que o tempo se incumbe de sacrificar.

Sendo assim, o melhor que todos os seus fãs, e os fãs do esporte, podem fazer é acompanhar com interesse, curiosidade, atenção e alegria os espetáculos que um tenista, com a categoria, talento, habilidades, confiança e vivendo tal momento possa nos oferecer.

Na entrevista à imprensa, após o jogo, Federer apareceu com uma camiseta escrito: “There is no finish line. Far from done” Esta aí a resposta, vinda da fonte.

Roher Federer

O futuro a Deus, e a Roger Federer, pertence.

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. A idade da razão?
  3. Engano?
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sexta-feira, 3 de julho de 2009 Tênis Masculino | 12:11

Clássico

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FederAir no Match Point e na final

Como é legal voltar a assistir um jogo de tênis envolvendo saque/voleio, idas à rede, bons voleios, grandes devoluções e passadas de esquerda, bolas de ataque decisivas de direita, tudo aliado a uma grande dose de categoria, habilidade, finesse e elegância na execução. Isso foi o que nos foi ofertado na semifinal entre Federer e Haas. Se não foi um espetáculo em termos de emoções, o foi em termos de resgatar o tênis clássico, um estilo preciosamente plástico que, aos poucos, vem perdendo espaço para o tênis força.

Notas relacionadas:

  1. Duas bolas
  2. Eterno conflito
  3. Caça e caçador
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segunda-feira, 22 de junho de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 18:47

Saindo pelo ladrão

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Feder Air voleando, visão cada dia mais rara.

Quando os dirigentes, especialmente os ingleses, começaram a pensar duas vezes em mudar algumas sutilezas no tênis, foi porque ninguém mais aguentava assistir uma partida de tênis em Wimbledon. Eu inclusive.

Os tenistas estavam fazendo tantos aces e forçando tantos erros com seus saques que não saia mais jogo. Era campeonato de saque, algo tão excitante quanto campeonato de enterradas da NBA.

Ivanisevic foi o símbolo dessa era, na qual Pete Sampras deitou e rolou. Talvez alguns de vocês não acompanhassem o tênis na época, mas garanto que era mais chato do que o programa do Jô Soares, inspirado, ou desfile de roupas masculinas.

Depois de muitas confabulações e bem na surdina, como é hábito por lá, deixaram a grama crescer alguns milímetros e pediram à Slangenzer, fornecedora de bolas há décadas, para modificar a borracha e o feltro. Mal sabiam onde estavam se metendo.

Com uma mudança aqui e outra ali – sem falar na revolução liderada pelo Alex Corretja na ATP, mas isso é outra conversa – e com a cada dia mais comprovada teoria da seleção natural – aliás, este ano celebram-se dois centenários do nascimento do velho Charles – o tênis foi mudando para algo que nem o mais desvairado cartola previu. Hoje os caras ganham do fundo da quadra, jogando como as mulheres jogavam já há algum tempo – é a época dos devolvedores, contra-atacadores, corredores.

O cenário saltou aos olhos no início desta década. Em 2000, Sampras venceu, sacando e voleando. Em 2001, Ivanisevic, venceu sacando. Em 2002, Lleyton Hewitt venceu devolvendo e contra-atacando. Em três anos Wimbledon foi da água para o vinho, ou do vinho para a água? Era o começo da revolução. Só não ficou mais gritante porque em 2003 começou a era o Federer, que sabe misturar ambas as culturas. Ufa; e ainda tem gente que o critica – alôôôô!

Os sacadores, que já imperaram nas quadras do All England, ainda fazem uma diferença, mas não são mais os matadores que um dia foram. Karlovic saca 6.96 aces por set (320 no total em Wimbledon), mas não passa da primeira rodada há quatro anos. Ancic saca 4.05 aces por set (336) e Roddick 4.36 (527), mas nunca levaram o título.

Ninguém sabe exatamente onde tudo isso vai dar. O grande confronto de estilos na grama ficou adiado por conta de desistência de Nadal. Outros candidatos surgirão, tanto no estilo contra-atacador como, mais difícil, no estilo mais agressivo. O primeiro grupo tem membros saindo pelo ladrão, o segundo me parece em extinção, se algo não for feito a respeito.

Tirem o suíço e mais alguns desses insistentes e sou obrigado assistir o Djoko vencer o Benetteau em quatro sets indo em direção à rede só para trocar de lado. Vou me fantasiar de garotinha e ir à Quadra 4 gritar e torcer pelo Galã de Praga.

Radek – ele é o cara. Voleador e matador.

Notas relacionadas:

  1. Raro e triste
  2. Engano?
  3. Os números do Tubarão
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sexta-feira, 19 de junho de 2009 Grand Slam, Minhas aventuras | 21:59

Tumbleweed

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Estou triste. Longe de casa, à beira mar, o vento sul que vem na direção da casa impede que eu fique lá fora. Apesar de linda, a noite está fria e sou obrigado a vestir mais roupas do que estou acostumado. O melhor lugar da casa torna-se a cozinha, a não ser que eu vá para baixo das cobertas e esqueça que existe um mundo além do colchão. Abri um Bourgogne feito com uvas Pinot Noir – li em algum lugar que os médicos afirmam que essa uva ajuda a manter o câncer longe. Ele desce bem mais leve dos que um Bourdeaux, o que acho ótimo. Como estou na idade em que meu pai morreu dessa doença dos infernos, toda ajuda é bem vinda. Um cálice já me aquece, o corpo e o coração. Começo a dançar pela cozinha. Ouço Michael Brecker, que não tem a menor cerimônia em improvisar e barbarizar com seu sax. Não posso dizer que minha mulher seja fã de jazz – seu único comentário foi que a música parece a abertura do Jô Soares, o que, tenho certeza, não foi um elogio. Não harmoniza, como dizem os sommeliers da vida.

No caminho para a praia paramos no Mercado dos Peixes em Ubatuba e escolhemos um polvo. Quando cheguei em casa, caminhei para uma pedra enorme a beira do mar e, como fazem os italianos do sul, dei uma coça no polvo. Jogava o coitado contra a pedra enquanto mantinha, no coração e mente, os melhores pensamentos sobre como ele proveria uma ótima refeição. Por via das dúvidas, já na cozinha, dei umas poucas porradas nele com o martelo.

Cozinhamos o bichinho na panela de pressão. Conforme nos foi dito, esperávamos o silvo da panela para então marcarmos 12 minutos. Depois de ½ hora nada de apitos e sim um delicioso odor escapando da panela. Minha mulher insistiu que abandonássemos a idéia original e abrissimos a panela. Foi a conta. O pedaço do tentáculo que cortamos estava no ponto. Já havíamos preparado uns tomates cerejas com cebola, cheiro verde, balsâmico e muito azeite para fazer companhia. Patrícia experimentou e aprovou – ela já estava mais calma após eu tirar Brecker do ipod e colocar “Bare Bones” da Madeleine Peyroux. Agora, toda orgulhosa e tranquila foi ver o Jornal Nacional. Brecker, tocando “Tumbleweed”, de volta no ipod.

Estava escrevendo que estou triste. É lógico, Rafael Nadal desistiu de Wimbledon por conta das dores nos joelhos. Não existe nada pior na vida de um esportista do que contusões e dores. As minhas costas estão me matando enquanto escrevo isto. Dá vontade de jogar o laptop longe e deitar curtindo o efeito do Bourgogne aliado ao sax de Brecker.

Desde há muito tempo, anterior ao blog, escrevo sobre a falta que fazia um grande rival para a carreira de Federer. Tivemos que ter um monstro como o espanhol para ver do que era realmente feito o suíço – e não sei ainda muito bem o que penso a respeito. Pelo menos não sei se quero dividir isso com o mundo.

Rafael Nadal é um tremendo campeão. Um dos poucos para quem tiro o chapéu ou, no caso, brindo com meu cálice do ótimo Bouchard Père e Fils, safra 2006, que alias está maravilhoso e desce macio como um slice bem dado. Não se enervem os fãs do Federer, porque a esse já brindei enquanto o polvo ainda estava na panela de pressão. A ausência do maiorquino – será que isso existe? – dará um “downgrade” no torneio, especialmente se Federer conseguir confirmar o favoritismo e bater o recorde de Pete Sampras. Sei – azar de um, no caso dois, e sorte do outro – mas seria mais interessante se o cara batesse o recorde do americano vencendo seu rival maior, no local onde perdeu a coroa no ano passado e tendo sua almejada revanche; ou não. Fica para uma outra vez. Porém, não sei se teremos o mesmo enredo, no mesmo cenário, com os mesmos personagens e o mesmo em jogo em uma outra oportunidade.

Bem, that’s life. Nadal vai para casa, Federer abre mais um champagne e eu vou domar minha tristeza – passageira tristeza – com minha mulher, o polvo e o Bourgnone. Ah, estou bem! 

Notas relacionadas:

  1. Escada abaixo
  2. A realidade
  3. Duas bolas
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terça-feira, 16 de junho de 2009 Tênis Masculino | 17:27

Os números do Tubarão

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Sem querer colocar mais lenha na fogueira, já colocando, deixo saber que caso Roger Federer venha vencer o Torneio de Wimbledon, e Rafael Nadal venha perder antes das semifinais, o suíço voltará a ser o 1º do ranking mundial.

Lógico que jogadores como Novak Djokovic e Andy Murray não pretendem assistir das arquibancadas e entregar tudo de mão beijada. A participação deles influenciará na história dos dois melhores do ranking.

Como o Torneio de Wimbledon possibilita diferentes cenários, publico abaixo um gráfico feito pelo amigo Greg “Tubarão”, um sulista que conseguiu sobreviver a inundações e tempestades dentro da ATP e é o homem encarregado das estatísticas do tênis profissional masculino. Divirtam-se.

Tenista/Rodada    Nadal    Federer    Murray    Djokovic
R128                     10745    9230        8740     7800
R64                       10780    9265        8775     7835
R32                       10825    9310        8820     7880
R16                       10915    9400        8910     7970
QF                         11095    9580        9090     8150
SF                          11455    9940        9450     8510
vice                       11935    10420      9930     8990
campeão               12735    11220      10730   9790

Notas relacionadas:

  1. Jedi
  2. A diferença
  3. Piscou
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sexta-feira, 12 de junho de 2009 Tênis Masculino | 12:45

Salameiro??

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Dizer que o Laver era um salameiro e baloeiro demonstra certa ignorância, por favor sem nenhuma ofensa envolvida, como o leitor que fez o comentário admite, ao dizer que foi conhecer o tênis do australiano no “you tube”, o que não deixa de ser um ótima idéia.

Primeiro que o Laver, além do slice, já batia a esquerda flat ou ainda com um leve top spin, como faz o Federer, bem antes da mãe do suíço conhecer o papai Federer. Segundo aquela era uma época que os tenistas sabiam variar o estilo de jogo de acordo com as circunstâncias, o que cada vez mais raramente acontece nos dias, que é o que a variação de spins, slices alturas oferece. Atualmente o tenista tem um estilo, geralmente na pancadaria de um jeito só, e, pelo engessamento dos golpes, acaba sendo mais fiel do que mulher de malandro. Como disse a Navratilova, o equipamento atual “emburreceu”um bocado o tênis jogado. Mas, c’ést la vie.

Além disso, o suíço é o primeiro a admitir que seu estilo tenistico é inspirado no estilo da velha guarda australiana, do qual Laver é um expoente. Até porque seu primeiro técnico foi o australiano, já falecido, Pete Carter.

Por isso, fica a sugestão, de que antes de se aventurar por águas desconhecidas é de bom tamanho investigar um pouco mais sobre o assunto, seja lá qual for, antes de oferecer opiniões definitivas. Até para que os comentários agreguem como é a idéia. Porque gosto é uma coisa, fato é outra. O primeiro não se deve discutir, o segundo não se deve contestar.

Pupilo e mentor.

Laver – revés de ataque na grama.

Notas relacionadas:

  1. A elite
  2. Engano?
  3. Premonição.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009 Light, Tênis Masculino | 13:15

Bola de cristal

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Não sei se fico contente ou frustrado. Contente pelos elogios, não só pelo último post, como também pela minha “premonição”. Frustrado porque acho que não consegui passar exatamente o que eu queria dizer.

A premonição não foi a minha previsão, mas o do fato em si, que agora, seis anos depois, descobrimos, reuniu, naquela quadra e naquele momento quando um começava a brilhar e o outro começava a empalidecer, os dois maiores vencedores dos torneios Grand Slams. Premonição foi a vitória do jovem Federer, que seis anos depois iria conseguir o que então parecia impossível – destronar Pete Sampras

Junto postei as colunas que descreviam minha admiração e intuição sobre o jovem, algo que lembro fiz também durante alguns torneios na TV ESPN, e pelas quais volta e meia sou relembrado por colegas da TV.

De qualquer maneira, agradeço o crédito, especialmente porque percebo que a maioria esmagadora dos leitores está contente por dividir comigo esta janela na História, algo que nos possibilitou acompanhar tal brilhante carreira.

Eu e minha bola de cristal.

Notas relacionadas:

  1. Raro e triste
  2. O melhor da história! ? !
  3. Premonição.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009 Copa Davis, Juvenis, Masters, O Leitor no Torneio, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 21:04

Premonição.

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Federer x Sampras, Wimbledon 2001.

Existem momentos mágicos em nossa história que, não raro, só realizamos sua importância e magia mais tarde. Durante onze anos seguidos fui a Wimbledon, escrevendo para o Jornal da Tarde e O Estadão onde contava minhas aventuras e desventuras no torneio e na cidade de Londres.

Com o tempo consegui algo que, infelizmente, com o tempo decidi abrir mão; uma cadeira cativa na Quadra Central, o palco mais restrito e famoso do mundo esportivo. Posso garantir que essa cadeira, que tem um número limitado, é imensamente difícil de merecer e conseguir e que todo mês de Julho tenho saudades dela.

Em 2001, Pete Sampras, então com 30 anos incompletos, defendia seu título do ano anterior, assim como os sete conquistados anteriormente no All England. Nas oitavas de final, quis o destino que ele enfrentasse Roger Federer, 20 anos incompletos, dono de um único título no ATP Tour, em Milão, em Fevereiro daquele ano.

Eu já tivera a oportunidade de ver o suíço jogar, como juvenil e como profissional, em algumas oportunidades anteriores. Conhecia seu talento natural, suas habilidades e tinha curiosidade em ver aonde suas qualidades poderiam levá-lo. Achei que assisti-lo enfrentar o hepta-campeão na Quadra Central seria um bom programa.

Fiz um lanche rápido, escrevi minha coluna do dia e fui ao templo sagrado do tênis completar o programão do dia – acompanhar o jogo que começou no meio da tarde. O que presenciei naquele dia foi História.

A partida, vencida por Federer por 7/6 5/7 6/4 6/7 7/5, foi a única entre esses dois tenistas que marcaram a história do tênis. Até ontem, com a vitória de Federer em Paris, havia a dúvida sobre o “Melhor da História”. Talvez ainda exista. Mas se o leitor quiser um tira-teima, um divisor de águas, um símbolo, esse é o confronto.

De um lado da quadra, onde conquistara o mais reconhecido sucesso de sua magistral carreira, o experiente Sampras começava a contemplar o crepúsculo de sua carreira – só venceria mais um Grand Slam, em Nova York no ano seguinte. Do outro lado da rede, um jovem talentoso, habilidoso e desinibido como poucos em palco tão exigente, no qual pisava pela primeira vez, só conquistaria seu 1º GS naquela mesma quadra dois anos depois.
Sampras era, claramente, o favorito – do jogo e do público. Federer a auspiciosa promessa. O confronto foi inesquecível, pela qualidade, pela surpresa, pela circunstância. Como uma premonição do por vir, Federer saiu vitorioso, na que foi a melhor partida do torneio, derrotando um campeão que estava a 31 partidas consecutivas invicto no torneio. Naquele dia, Roger mostrou todas as qualidades, técnicas, emocionais e mentais, que o levaram a bater o então campeão e o levariam a um dia desbancar o então melhor da história.

O jogo foi um dos últimos e inesquecíveis confrontos do mais purista e clássico saque-voleio do tênis. Uma exibição para fazer sonhar todos aqueles que cresceram admirando o tênis original praticado sobre a grama e que hoje, por N razões, começa a pertencer a um passado tão distante quanto o das cartas de amor e viagens de trem. E, com certeza, são as essas imagens, das quais apresento breve amostra no vídeo abaixo, mais uma das razões pela qual o mundo se curva e cede, com tranqüilo desprendimento, aos encantos do tênis praticado por esse terrivelmente “cool” tenista dos Alpes.

Como curiosidade, coloco abaixo trechos pinçados da minha coluna do Jornal da Tarde da época, onde menciono o garoto Roger Federer. Eles estão exatamente como foram escritos, pouco mais do que oito anos atrás.

“ Na segunda semana de Wimbledon as partidas concentra-se nas quadras principais. As secundárias passam a ser usadas pelos juvenis e os veteranos. O evento juvenil, que é disputado desde 1947, é oficial e tem suas inscrições por mérito. O dos veteranos é um evento por convites. Entre as garotas tivemos uma semi-finalista na figura de Vera Lúcia Cleto em 1968. Entre os garotos já tivemos dois finalistas. O paranaense Ivo Ribeiro em 1957 e o carioca Ronald Barnes – brasileiro com o tênis mais bonito e vistoso que já pegou numa raquete – em 1959. Quem me lembra o seu estilo é o suíço Roger Federer, tenista que é um prazer assistir.”

“O suiço Roger Federer, de 19 anos, é, junto com o russo Marat Safin, o maior talento da nova geração. O seu, além de ser um tênis de resultados, é também o mais vistoso das quadras. Elegante, do instante em que entra na quadra, ao momento que cumprimenta o adversário, é um “gentleman” também fora delas. Durante as partidas mantém uma postura raramente vista em tenistas da sua idade. Às vezes parece carecer uma pitada de garra. Talvez o tênis lhe seja tão fácil que nos parece sem esforço. Sua vitória sobre Pete Sampras veio como uma surpresa somente para aqueles que não tem tido a oportunidade de acompanhar a sua breve carreira.”

“ Somente as agruras de Sampras não seriam o suficiente para causar sua derrota em Wimbledon. Ele precisaria encontrar um adversário a altura. E foi isso que aconteceu ao enfrentar o maravilhoso tenista Roger Federer. O amigo leitor pode ficar sossegado. Ainda vai ver muito esse “young gentleman” suíço. Isso porque, insisto, o rapaz tem o tênis mais bonito que freqüenta as quadras do tênis profissional.”

Confesso, sem maiores inibições, uma pitada de orgulho em ter escrito essas linhas, assim como uma alegria interior em ter presenciado essa premonição da história oito anos atrás.

Notas relacionadas:

  1. A elite
  2. Casou
  3. Chora Federer.
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Grand Slam, Light | 00:50

O melhor da história! ? !

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Federer, tênis exuberante, clássico, vistoso e vitorioso.

Se olharmos a história encontramos inúmeros momentos quando o universo e suas forças conspiraram para que certas áreas da humanidade brilhassem com uma luz diferenciada. A filosofia e o pensamento na Era Helênica, o iluminismo da Renascença, a pintura do fim do século XIX, e por aí vai; o leitor termine a sentença.

Cada um dos esportes que nos entretêm nos dias de hoje, também nos propiciam seus momentos mágicos, em uma bem mais curta história; a de um dos entretenimentos favoritos do homem moderno – o esporte. No caso específico deste blog, o tênis.

Muitas vezes pela quantidade desproporcional de talentos e rivalidades, como foi, para não ir muito longe, a época de Laver, Rosewall, Emerson, Santana, Ashe e Hoad, que precedeu outra também rica como a de Borg, Connors, Vilas, MacEnroe e Lendl, que se estendeu o bastante para se misturar com a de Edberg, Becker, Wilander, Sampras e Agassi. Como se vê, épocas onde quantidade na qualidade não foi um problema.

Sampras, tenis clássico, vistoso e vitorioso.

Determinar o melhor é algo que invade áreas um tanto subjetivas e arriscadas. Como comparar um tênis que era jogado com raquetes de madeira, pouco mais do que tacapes com couro em uma ponta e tripas de gato esticadas a mão na outra, com o praticado com raquetes com grips sintéticos em uma ponta, cordas sintéticas em outra, completados por uma série de materiais dos quais sequer ouvíamos falar 25 anos atrás?

Como comparar a capacidade física de um atleta treinado com as mais recentes descobertas e experiências no campo da fisiologia, ou mesmo da psicologia esportiva, com uma época onde os “cangurus” eram a maneira de se construir a força das pernas, uma cerveja após a partida era a técnica universal de “alongamento” e psicólogo coisa de louco?

Por isso, tenho meus receios em determinar “o melhor da história”, algo que os americanos não tiveram nenhuma cerimônia ao nomear Pete Sampras poucos anos atrás. No entanto, essa minha reserva não é dividida com os outros principais indicados ao título; Sampras e Laver. Ambos mostraram graça e cavalheirismo ao declarar que, com a vitória em Paris, Roger Federer é o “melhor da história”. O que, convenhamos, deve ser endosso mais do que necessário para o suíço dormir profundo e satisfeito nas próximas noites. No entanto, o próprio Federer, que os mencionou ainda em quadra, declarou na entrevista que provavelmente nunca virá o dia no qual se saberá com certeza qual o “Melhor da História”; mas que sente estar lá em cima com os outros.

Talvez a razão de tal desprendimento, quase unânime, tenha muito a ver com o personagem. Federer traz ao esporte o melhor dos cenários. Um tenista que respeita a história do esporte e seus principais personagens, um cavalheirismo impar no trato com imprensa, público e colegas, uma postura acima de qualquer restrição e um classicismo, tanto no estilo de jogar como o de se apresentar – ou alguém espera vê-lo com uma camiseta sem mangas em quadra? Isso faz com que seja adorado e respeitado, mesmo nos vestiários.

Mas, acima de tudo, Roger trouxe às quadras uma aliança raríssima de técnica, finesse, exuberância física, talento natural, disciplina, plasticidade e determinação. Todas essas são qualidades que, por vezes, sozinhas são o bastante para construir um campeão. No entanto, juntas, constroem um ídolo, uma unanimidade.

Não sei como seria a carreira e o sucesso de Federer se ele vivesse na mesma época de um gênio da raquete como Rod Laver, dono de estilo, talento e habilidades tão grandes como as dele, se tivesse que disputar títulos no saibro e na grama com Borg ou mesmo se tivesse que se digladiar nas quadras duras de Nova York, para não falar na grama de Wimbledon, com Sampras, com quem agora divide o mesmo número de títulos nos Grand Slams, assim como agora tem suas dificuldades com Rafael Nadal.

Laver, tênis clássico, vistoso e vencedor.

Roger Federer brilhou mais forte durante alguns anos onde o tênis vivia uma entressafra, o não é tão raro no esporte. No meu ponto de vista, foi só com o surgimento da força do tênis de Nadal que o suíço realmente encontrou uma grande e severa rivalidade, sendo obrigado a procurar em seu íntimo o necessário para fazer jus a pertencer a uma restrita e curtíssima lista dos melhores da história. E, convenhamos, ele tem tido enormes dificuldades em fazê-lo.

Mas vencer em Paris também é um credito que não pode ser negado a Federer. Ele venceu Wimbledon aos 21 anos. Levou seis anos para conseguir o título em uma quadra central onde, confessa, demorou a se sentir à vontade e pegar o jeito. Ou seja, ele soube trabalhar e perseverar para conquistar.

Mas a história também se escreve por linhas tortas e por momentos mais extensos do que um ou dois anos de uma carreira. Aos 27 anos, Federer vem nos entretendo como poucas vezes fomos no tênis, remetendo a épocas de gênios como Pelé, Michael Jordan, Muhamed Ali, Senna e outros que nos assombraram com suas qualidades e estilo. Se a sorte é também um componente na história de cada individuo, como Federer admite, ele também deixa claro seu papel ao afirmar que “não é que tenho sorte, mas é preciso saber usá-la quando ela aparece”.

A última década teve uma importância desproporcional para os brasileiros fãs do tênis, pelos feitos de Gustavo Kuerten que se foram mais modestos do que os de Maria E. Bueno nos encontrou em uma época onde já éramos mais informados, não só do mundo, como também de outros esportes que não o futebol. No entanto há uma tendência em considerar Kuerten o “Melhor tenista brasileiro da história”.

Tudo considerado, vejo com bons olhos o fato de tantos elegerem Federer o “Melhor da História”. Talvez se Laver vivesse nos tempos de torneios televisionados semanalmente e não tivesse sido proibido de jogar durante cinco anos pela hipocrisia do mundo de então a história fosse diferente. Mas esta é a época em que vivemos e Federer, por todas as razões acima, é o mais próximo da perfeição que o mundo teve oportunidade de assistir e acompanhar cada detalhe da carreira. E, convenhamos em que boas e habilidosas mãos estão o título.

Roger, tênis admirado e respeitado até nos vestiários.

Notas relacionadas:

  1. Exuberância
  2. Duas bolas
  3. Engano?
Autor: paulocleto Tags:

  1. Primeira
  2. 10
  3. 14
  4. 15
  5. 16
  6. 17
  7. 18
  8. Última