Rafael Nadal | Paulo Cleto - Part 2

Publicidade

Posts com a Tag Rafael Nadal

sexta-feira, 15 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:40

Eu não

Compartilhe: Twitter

Normalmente, trago para os Posts um Comentário diferenciado de alguma forma; na maneira que se apresenta e se expressa, no ineditismo da idéia, no lirismo, que acrescente ou inicie um debate. Pretendo fazer isso com mais frequencia, sempre dependendo do que é apresentado. Alias, ontem, tive tremenda surpresa agradável, quando no meio de uma conversa importante no Clube Pinheiros, foi brevemente interrompido por alguem que se apresentou como o Becker, nosso arquiteto preferido, e que, como ele mesmo confessou, está afastado dos comentários do Blog. Eu havia saído da quadra e ele estava indo para uma – quase cai de surpresa e espero vê-lo novamente por lá.

Voltando ao assunto inicial. Hoje escolhi este texto do Bet@  porque é um texto que se resume a reportar o que aconteceu ontem à noite na partida Nadal x Federer (acho que a primeira vez que inverto a ordem dos dois). Isso, porque simplesmente eu me recuso a escrever sobre um confronto que não aconteceu e que beirou o desrespeito. O mínimo que se espera em um espetáculo pago e envolvendo prêmios em dinheiro é que os participantes se entreguem de corpo e alma ao confronto, algo que ontem simplesmente não aconteceu por parte do Sr. Federer.

Bastaram dois games para se saber o que iria rolar no jogo da dupla dinâmica. No primeiro, serviço do suíço, dificuldade para cacifar e só fechou porque o saque entrou bem várias vezes. No segundo, serviço do espanhol, as devoluções mal voltavam para sua quadra, fechou sem a menor dificuldade. Daí pra frente, era questão de apostas:

- Em qual game Federer será quebrado?
- Quantos games ele conseguirá fazer na partida?

A primeira pergunta escapou por pouco no quinto game, mas no sétimo não teve jeito. Isso ainda porque o suíço sacou bem no começo desse game e fez 40×15. Dali pra frente, tudo errado e quebra. Fazer 4 games no primeiro set foi lucro, como escreveu o Querubim lá pra cima.

A segunda, pelo início do segundo set, apontava para chance de um pneu ou algo próximo. Porém, durante dois games, o quarto e o quinto, Federer jogou um pouco mais de tênis e Nadal um pouco menos. Foram as últimas oportunidades de se ver algo de bom saindo da raquete do Federico. Final: 6/4 e 6/2.

Não há dúvidas que Nadal tem a receita básica para derrotar o suíço, mas há algumas condições mínimas para isso ocorrer. Ontem, parecia que Nadal jogava em Cincinatti e Federer em Monte Carlo, tal a diferença de velocidade da bola de cada um.

O radar do placar mostrava que a velocidade dos saques do suíço eram bem inferiores a sua média, confirmando em números o que se via na quadra. Nas trocas, enquanto Nadal fazia a bolinha voar, Roger parecia estar empurrando as bolas. E quando vinha alta então, parecia um jogador com reumatismo, tamanha a dificuldade em bater de forma decente na peluda.

Nadal tem um revés muito potente e que sempre andou muito, desde que ele chegue inteiro na bola e se posicione bem. Aí, gera uma potência significativa. Quando ele não consegue chegar nessas condições, seu revés é bem mais comum e deixa de ser incisivo. Ontem, com a bola do Federico andando em terceira marcha, foi um prato cheio para o espanhol, que fez aquela festa toda.

Outra coisa que finalmente o Rafa resolveu fazer (e nunca entendi porque levou tantos anos para isso) é usar aquele seu monstruoso forehand como arma de ataque e não só de contra-ataque. Além dessa batida poder variar facilmente entre uma veloz e uma cheia de spin estratosférico, encurta os pontos e mostra quem manda no jogo.

Federer teve um mérito ontem a ser reconhecido: mesmo estando visivelmente torto, foi lá, apanhou calado e permaneceu em quadra mesmo sabendo que ia ser feio. Não houve nenhum c’mon, não vibrou em nenhum ponto e aceitou passivamente sua condição de inferioridade. Morte anunciada. A Mirka até que acreditou um pouco no começo, mas depois relaxou e ficou lá brincando no seu celular, esperando o apito final.

A dificuldade que ele estava em se movimentar lateralmente era evidente, tanto que ele não chegava em algumas bolas que até um manco chegaria sem problemas. Comparando com sua movimentação no AO, por exemplo, a diferença era gritante. Não havia movimentação de pés, mal conseguia fugir da esquerda para bater de direita (tática que usou e resultou em vitória nesse mesmo IW ano passado) e as suas batidas de esquerda nunca completavam o movimento, parava o braço no meio do caminho.

Junto à rede estava duro, não conseguia se posicionar corretamente, não vergava o tronco, tudo que não se deve fazer para um voleio. Fora que as subidas eram quase todas com aproaches curtos, sem velocidade e mal colocados. Seus melhores voleios vieram em cima das poucas bolas que voltaram flutuando e altas, sendo que seu último voleio foi algo patético de se ver.

O único momento em que conseguiu fazer algo decente foi nos dois games que cacifou no segundo set, pois os do primeiro set foram ganhos principalmente por ter conseguido fazer bons saques. Nos games do segundo set que ele ganhou, uma quebra e um serviço seu, jogou dentro da quadra, conseguiu pegar as bolas na subida (só nessas ocasiões sua bola andou um pouco) e devolvê-las fundas, baixas e no pé do espanhol, tanto que foram os dois únicos games em que Nadal errou bastante.

O resto do jogo foi um disparate a favor do espanhol, que foi disciplinado taticamente (como sempre) e não tinha nada a ver com os problemas de movimentação do seu oponente. Jogou muito bem, fora aqueles dois games já citados, atacou muito, sacou bem e fez o seu.

Nas devoluções, Nadal ficou lá atrás, como de costume, e contou ainda a falta de velocidade de muitos serviços do suíço, principalmente o aberto no iguais. A bola vinha tão lenta que, mesmo angulada, dava todo o tempo do mundo para o espanhol chegar nela, se posicionar e meter aquele revés com spin alto lá no fundo, complicando a segunda batida do suíço.

O forehand do espanhol está andando muito e, aproveitando a espantosa velocidade de braço que ele tem, tá conseguindo jogar mais dentro da quadra. A mistura de antecipação na batida com a velocidade gerada está fazendo estragos em cima dos adversários. A movimentação ruim que foi vista no Chile e no Brasil desapareceu e, se não é exatamente a mesma dos bons tempos, está muito próxima disso.

Resumindo: ganhou quem já vinha fazendo um torneio melhor e está jogando bem. O outro, apesar de alguns problemas físicos evidentes, perdeu porque está jogando pior e isso é incontestável.

Derrota da semi do ano passado devolvida, Nadal segue firme para a final, pois é mais fácil o Federer ganhar dele no saibro do que o Berdych fazer isso em qualquer ocasião. Agora, do outro lado da chave, vai sair faísca hoje …

Não foi só eu que não gostei…….

Notas relacionadas:

  1. E o desafio?
  2. O acaso
  3. Federer x Nadal
Autor: paulocleto Tags: ,

terça-feira, 5 de março de 2013 O leitor escreve, Tênis Masculino | 09:11

O tempo

Compartilhe: Twitter

Não é de hoje que a leitora LuA nos brinda com seus textos. Este uma reverberação do meu texto anterior. Divirtam-se

Boa Noite!
.

Tenho um tiquinho de embaraço ao tentar entender esta relação tatuada entre pai e filho. Uma conjunção entre Catavento e Girassol. Quando há.
Ao justo, melhor mesmo separar o coração: o pisar lento do piso rápido e mortal. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Isto eu não sei. Só sei que estes dois aí são dois lugares num raio só. Não caem.
Se raio, lembrança. Rememorada como outras, mas não como as outras. Veio.
.
O televisionamento dos principais torneios foi, realmente, uma lenha na alma dos fãs do Tênis e no coração dos Fedalmaníacos. Estes ardem de modo diferente daqueles, todavia com enlevo igual. Também no tempero a internet, o marketing, a beleza física (a outra é subjetiva e deixo para os fãs) e o carisma de ambos, com a marca de O Melhor de Todos os Tempos (já vistos) e o Rei do Saibro (até então).
Impossível mais!
.
O velhinho tem mesmo que arriscar se preservando. A manhã será triste quando Mirka resolver que o pai precisa levar as filhas para a escola e sossegar o facho em casa. Quando chegar o anoitecer dele, meu choro de gratidão e saudade escorrerá, tem jeito não, é assim. Sempre foi.
.
O novinho, dizem, sempre conviveu com a dor. O mal de todo atleta. E a terra vermelha com o pó beirando a rótula sempre foram um santo remédio. Não duvido que o novinho fique mais por aí. Mais na terra que no ar. Há muito mistério ainda nesta volta . Ele já mostrou outras vezes uma capacidade enorme de se reinventar.
.

Nunca tive medo do novo que virá. Que já veio! Ortodoxo e fazendo o sinal da cruz para espantar os maus olhados. Como se dissesse “está repreendido” para os olhares cansados que se miram contra ele. Sinal da direita para a esquerda. Tanto faz! Vou com ele. O moreno queixudo me atrai e “pra mim não é qualquer notícia que abala o coração”. Se o Tênis não fosse também um constante Renoir, digo, Renovar, não teria o mesmo charme. Negócio seguinte. É entrar no barco e descobrir outras paisagens.
Levo também o mala com a mala tentando tirar uma roupa diferente da bagagem. Não resisto a uma novidade e não dispenso roupas com estações e formas diferentes. Fico sempre na esperança de sair de lá uma combinação boa que fuja do cotidiano. Chega de “me sorri um sorriso pontual “. Déjà vu com gosto de hortelã é bom, mas todo dia e toda hora enjoa.
.
Fazer o que? Novos tempos. Aliás, o Tempo. O Tênis – a girar e a pulsar como a vida de quem está sempre entrando na quadra.
.

Notas relacionadas:

  1. Ceia
  2. Engoliu
  3. Para quem?
Autor: paulocleto Tags: ,

domingo, 3 de março de 2013 Tênis Masculino | 20:39

Juras e promessas

Compartilhe: Twitter

Os dois protagonistas da maior rivalidade tenistica da década vivem momentos delicados e distintos. Por conta disso, o tênis profissional masculino caminha por um fio da navalha que pode fazer com que a temporada 2013 apresente mudanças radicais no topo do ranking e nos corações dos fãs. Especialmente aqueles, em enorme número, que aprenderam a acompanhar e apreciar o tênis através do televisionamento dos melhores torneios profissionais, realidade que se instalou quase que concomitante na realidade brasileira com o surgimento desses dois protagonistas.

Como escrevi anteriormente, com a idade Roger Federer adquiriu certos direitos no circuito ATP. Um deles é sobre a obrigação de participação nos Masters 1000. Agora joga só o que quer, sem se preocupar com multas e pontos. Por conta disso, avisou que jogará Indian Wells, que caminha para ser o “O Torneio”, e dá uma esvaziada no Torneio de Miami e uma cutucada na IMG, dona do evento. Independente de cutucadas federinas, o torneio continua o favorito dos brasileiros. E vai ficar ainda melhor com os investimentos que farão, agora que a prefeitura estendeu o contrato.

Após Indian Wells, Federer só volta a jogar em Madrid e Roma, para treinar para Paris, e Halle para treinar para Londres. Com a petulância que lhe é costumas, ainda deve pensar em vencer um Grand Slam, mas o fato é que, a cada um deles, a tarefa fica mais difícil. Jogar bem uma quinzena de cinco sets é diferente de jogar bem uma semana em três sets. Por isso elegeu o blefe e o andar na corda bamba. Chegará a Paris sem ritmo, porém totalmente fresh, que é sua aposta. Como não poderia deixar de ser, acredita que o talento fará a diferença. A checar.

Para nós fãs é lucro. Quanto mais tempo Federer achar que dá para ficar competitivo – e a nos encantar – melhor. E, em um evento como Wimbledon, ele ainda pode surpreender sues adversários. É só os ingleses cortarem um pouquinho mais a grama e, nos dias certos, o tempo estar úmido que o bicho pode pegar. Mas com o MalaMurray por perto eu duvido que o façam.

Rafael Nadal também vai segurar as rédeas daqui para frente. O quanto, talvez nem ele saiba. Será interessante ver como o Animal irá se domar. O fato é que a sua carreira dificilmente será mesma daqui para frente. Aquela entrega que surpreendeu o mundo dificilmente será a mesma. Além disso, terá que administrar a carreira – e aí me refiro a pontos, ranking, pisos e torneios. Não dá para ficar no topo só jogando no saibro – por isso sua insistência em tentar intimidar, e dobrar, a ATP em aumentar o número de eventos na terra. Bom para ele, não necessariamente para o tênis, os fãs e o resto dos tenistas.

Sua vitória em São Paulo e Acapulco mostrou que o cara é fera e fora de série – como se ninguém soubesse! É só ver como uma mortal como a Venus, que teve problemas de saúde e ficou longe das quadras, encontra dificuldades em pegar o ritmo de vitórias, bem diferente de ritmo de jogos.

Esta 2ª feira Rafa vai a New York judiar de seu joelho por um saco de dinheiro. Será uma maneira de ver como o bichado reage nas quadras duras. Lá mesmo deve dizer se vai ou não à Califórnia. Eu apostaria um cachorro quente e uma coca que sim. E não duvido que o tal do Ellisson, dono do evento, não lhe de uma telefonada encorajadora. Vai lá e vê como funciona. Se não machucar muito, vai a Miami também. Mas depois não vá reclamar! Ou então joga no seguro, pega um voo da Ibéria de volta para casa, vai gastar o saibro europeu e dar graças a Deus que ainda joga na terra. Mas, como todo mundo que já teve problemas com contusão sabe, uma coisa é quando dói; a gente faz juras e promessas, outra é quando a dor some e a euforia toma conta. Aí voltamos a acreditar que somos inquebrantáveis e invencíveis. Doce ilusão.

Notas relacionadas:

  1. Djoko, panquecas e coca light.
  2. Mudanças
  3. A chave masculina
Autor: paulocleto Tags: , , , ,

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 Tênis Masculino | 22:58

Vale a regra?

Compartilhe: Twitter

Agora que as transmissões de torneios vão emplacar, vale ressaltar a mudança, sutil, porém importante da regra dos 25 segundos que está sendo imposta pela ATP. Ela existe desde os anos 80, quando um mala sem alça chamado Mark Dickson, quase levou o publico a loucura com o ritual de seu saque. Isso porque antes dele não existia uma regra clara sobre o tempo para iniciar o ponto, porque não existiam os malas que existem atualmente em quadra. Os caras pegavam as bolinhas e sacavam.

Dickson não fazia muito mais do que sacar no seu jogo e por conta disso ficava ali na linha batendo N bolinhas a cada saque, como se fosse um Djokovic enfrentando um match point que valia a honra da mãe. Eram 30, 40, batidas por saque, e o cara errava 1º saque como todo mundo. Só que um dia o fulano caiu na Quadra Central do US Open e seu jogo foi televisionado para a TV costa a costa nos EUA. Os telespectadores foram à loucura e a imprensa caiu de pau. No mês seguinte tínhamos a regra dos 25’.

Só que essa é uma daquelas regras/leis que os brasileiros gostam de dizer que não “pegou”. E não pegou mesmo. Os juízes de cadeira não tinham coragem de enforçá-la e, quando o faziam, os tenistas agiam como se os juízes fossem ladrões. Nadal e Djoko são especialistas em usar e abusar dessa contravenção e aproveitar seu status de estrelas para levar vantagem sobre adversários impotentes.

Sabe-se lá quem tomou coragem lá na ATP; o fato é que é os juízes voltaram machos de dar dó. Uma em cada 15 vezes eles chamam os burladores à fala e ainda ouvem o que não querem.

Para facilitar a vida dos juízes de cadeira a ATP mudou também a regra. Continua 25 segundos de intervalo, contando logo após o término do ponto até o momento que o sacador bate na bolinha para sacar.

Vale lembrar os sofasistas, e muitos tenistas também, que o jogo deve ser no ritmo do sacador e não do devolvedor – sempre dentro dos 25’, algo que só vi valer no squash.

Na primeira vez que não sacar no tempo o sacador será advertido. Na 2ª vez perderá um saque. Na terceira e em todas as outras a mesma punição.

Como sempre, questões irão surgir. Qual o tempo para sacar entre 1º e 2º saque? Mais importante, e esta aposto que logo irá criar enormes confusões e só quero ver como o juiz agirá:

Logo o sacador dirá que se atrasou porque esperava pelo adversário que não estava pronto. E aí, José? Começará uma onda de sacador correr para o centro e servir antes do adversário estar pronto? E este, poderá chiar? E a regra de que tem que acompanhar o ritmo do sacador, como fica?

A regra é boa, só que a ATP não quer ter o ônus do bônus. Esse negócio de chamar uma a cada 10 vezes que há a infração só deixa o pessoal mais revoltado quando a punição aparece. O certo seria a regra ser imposta todas as vezes em que a infração acontece – poderiam até colocar um relógio como existe no basquete ou no futebol americano. Traria um pouco mais de emoção. Lógico que os tenistas chiariam, como chiaram quando veio o tie-break e o desafio. Os jogadores teriam que se adaptar a realidade, como já está nas regras! Basta os responsáveis agirem como tais e não como burocratas protegendo seus empregos.

Notas relacionadas:

  1. Amizades à parte
  2. Alterações
  3. Et tu…?
Autor: paulocleto Tags: , , ,

domingo, 17 de fevereiro de 2013 Tênis Masculino | 23:13

A diferença

Compartilhe: Twitter

Durante uma semana de tênis em São Paulo ouvi tudo quanto é tipo de rumores e teorias de conspiração sobre Rafael Nadal, todos eles muito bem fundamentados, segundo quem repetia a história. Estas iam desde a afirmação, de fontes seguras, diretas da Espanha, de que Nadal havia se afastado do circuito porque havia sido pego no antidoping, a afirmações que jogaria somente até Roland Garros, ou Wimbledon, conforme a versão, recheadas com comentário de que não é mais o mesmo e por aí afora. É a cultura sofasista do futebol. O pessoal tem dificuldades em curtir o tênis pelo o que é; um magnífico confronto entre dois indivíduos, com filigranas sutis de diferenças de personalidades, técnicas, físicos e mentalidades. Tem que trazer a cultura de conversa de bar para temperar a conversa e não tem acordo. Temperada com uma cerveja gelada e um calor sufocante não vejo problemas.

Aos poucos, Nadal vai adquirindo o seu match play e afiando a faca. Hoje ele mostrou a Nalbandian que o argentino continua, e sempre será, um competidor de menos qualidade que ele. Ganhou porque quis mais, o que sempre foi seu lema. E o argentino, para variar, levaria a taça se esta caísse no seu colo, caso contrário… Bem longe do jogador que bateu Almagro, na que foi a melhor partida do torneio. Porém não lhe exijam continuidade.

Das pessoas com quem falei que tinham algum acesso aos vestiários, ninguém arriscou um prognóstico sobre o futuro nadalino. O máximo que se permitiam era um discreto aceno de cabeça indicando que a coisa não estava nada bem, a comentários que ele trabalha bastante com o fisioterapeuta.

Jogo por jogo a final foi uma decepção. O confronto nunca engrenou, muito mais por conta de Nalbandian que, pelo jeito, perdeu ainda no vestiário, e no fato de que sua esquerdinha cruzadinha não entrou e acabou com sua estratégia.

Uma característica define ambos. Quando Nalbandian se chateou e reclamou da quadra, perdeu o foco, entrou em um terço de erros e se resignou com a derrota. Quando Rafa se zangou, quando levou uma advertência do juiz Carlos Bernardes, por atrasar o jogo, se irritou, fez cara feia, reclamou falou para todos os lados. Porém usou a contrariedade para ficor mais intenso, subir seu padrão, fugindo do revés para ser agressivo e enfiar a mão na bola, e quebrar o oponente. Eis aí a diferença entre ser campeão e vice.

Notas relacionadas:

  1. Os match points
  2. A diferença
  3. As quartas masculinas
Autor: paulocleto Tags: ,

sábado, 16 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 22:22

Sabadão

Compartilhe: Twitter

A imprensa é privilegiada. Enquanto o público paga uma bela grana para assistir Nadal e companhia, somos convidados, teoricamente, para ajudarmos a trazer mais publico. Suspeito que no prisma dos jornalistas o prisma de suas presenças deve ser de crítica. Aí fico pensando se o ético não seria o jornalista (ou seu patrão) pagar para entrar e aí ser crítico à vontade. Mas estou delirando, afinal passei algumas horas no mesmo recinto com 10 mil pessoas e não havia ar condicionado para amenizar – lá vem crítica e fui convidado.

Tenho assistido às partidas na companhia de alguns jornalistas. Entre eles o Dalcim, que pelos anos de estrada têm sempre histórias para contar, fora quando mergulha no seu computador e me faz pensar o que tanto escreve. O Sylvio Bastos, que conheço desde que era garoto, há tempos técnico no Rio, e mais recente como comentarista da Fox é outro que troco mil figurinhas com direito a telefonemas a amigos em comum, como o grande Carlos Chabalgoity, e fotos das antigas no seu computador – tinha até uma quando o Larri ainda tinha cabelo.

Quem também vem dividir seus conhecimentos esportivos, assim como sua gentileza e tranquilidade, é o Bruno Sassi, experiente jornalista, editor do site da FIFA em português e bissexto comentarista de tênis na ESPN. Não o conhecia pessoalmente e só fui suspeitar quem era quando prestei atenção à sua voz durante um ponto.

Hoje apareceu o Osvaldinho Maraucci, que veio de Serra Negra para comentar o Torneio de San Jose, que a ESPN mostra enquanto acontece o nosso maior evento. Ali a conversa vai longe, mas ele tinha que vazar. Ao meu lado hoje também o Alexandre Cossenza, do Blog Saque e Voleio. Ele que já é meio calado calou todo o jogo. Por quê? Inventou de fazer a estatística dos toques nadalinos. Acho que entrou pelo cano; o espanhol tem muito mais toque do que aparenta. Uma loucura! A estatística foi tomando forma durante a partida e mostrou ser algo divertido de se acompanhar, pelo menos por quem não ficou com a responsa do trabalho que exigia atenção integral. Acho que ele ainda a posta hoje.

A final do torneio é aquela que todos pediram como segunda alternativa – a primeira seria Belo x Nadal, algo que o sorteio descartou e Belo carimbou. Será uma partidaça. Os dois querem a vitória por razões diversas. El Pança dá seus últimos suspiros no circuito e quer eles sejam relevantes. Nadal tenta fazer que os meses seguintes sejam do nível que ele se acostumou e há de se começar em algum lugar. Como já perdeu no Chile na final não vai querer perder novamente por aqui. Divirtam-se!

O milongueiro Nalba estará na final.

Notas relacionadas:

  1. O esperado.
  2. Os bons.
  3. Larga!
Autor: paulocleto Tags: ,

Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 14:34

Que sexta!

Compartilhe: Twitter

Ja vi que vou ter que fazer um Post focando nos assuntos polêmicos do Brasil Open. Entre eles, as quadras, as bolinhas; sobre Bellucci eu já escrevi. Algum outro que merece comentários, entre os polêmicos. Mas isso só pela 2a feira.

Ontem foi o dia no evento. Dois jogos para encher os olhos de torcedores e fãs do Tênis. Pelos comentários que ouço fica ainda mais evidente que o planeta-tênis e povoado por sofasistas. E mais claro que o pessoal que frequenta o Blog, incluso sofasistas, entende mais do esporte e a competição que a maioria.

Dificilmente teremos melhor partida, considerando todas as variáveis, do que El Pança e El Mala, vulgos Nalbandian e Almagro. Tênis para todos os gostos. Dois talentos com arsenais distintos e com vontade de progredir no torneio – era claro que esses dois acreditavam que poderiam vencer o torneio, não só aquele tremendo confronto. Se adicionarmos a qualidade técnica à emoção e a apresentação do arsenal o jogo foi em nível altissimo, provando que quando os quesitos corretos estão presentes os atletas conseguem passar por cima de dificuldades várias.

O jogo do Nadal foi um confronto típico das circunstâcias. Berlocq via uma oportunidade ímpas e fez tudo que podia para tirar proveito. E que espetáculo. Sua esquerda é uma arma do quilate da do Wawrinka e foi um prazer ver alguem executar um golpe tão bonito e eficaz sem receio de errar. Por outro lado Nadal mostrou que se sete meses lhe roubaram o ritmo de competição não lhe tiraram o espirito competitivo, o que sempre foi seu maior asset.

Hoje é dia das semifinais, os ingressos estão todos vendidos e o publico vai lotar o estádio. Mas duvido que teremos o mesmo padrão de qualidade tanto no quesito emoção como qualidade, casamentos que prporciona o orgasmo tenistico.

Notas relacionadas:

  1. Animal que ronda
  2. Presente.
  3. MÃOS AO AR
Autor: paulocleto Tags:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:31

Ônus e Bônus

Compartilhe: Twitter

Mais uma noite que Thomaz Bellucci preferiria não ter vivido. Sair de quadra vaiado pela própria torcida tem que estar no fim da lista de coisas que um atleta quer viver. O outro lado da moeda foi João Feijão Souza terminar o jogo derrotado por Rafa Nadal e ouvir seu nome gritado pela mesma torcida.

Crucificar Bellucci pelo acontecido não é exatamente a coisa a se fazer – é o movimento da massa ignara. Mas também vale lembrar que essa massa, desde os tempos de Roma, está acostumada a baixar, ou levantar, seu dedão conforme as performances apresentadas e seus sentimentos mais primitivos. Os que mostravam atitudes excepcionais, mesmo derrotados, tinham chances de saírem vivos da arena. Os outros sabiam que corriam sérios risco – e, pior, não tiveram opção de carreira.

Não custa lembrar que essa mesma massa ignara também é conhecida como torcida e pode, se bem manipulada, ou pelo menos satisfeita, mostrar carinho e vibração, com isso podendo fazer maravilhas pelo emocional do tenista em quadra, tendo até a capacidade de ressuscitar um Lázaro – mas é preciso fé. Que o digam Luiz Mattar, Jaime Oncins e Gustavo Kuerten que com sua raça e determinação levantaram e levaram ao delírio inúmeras arquibancadas Brasil afora. Thomaz declarou ontem que “não é fácil jogar no Brasil”. Aqueles outros adoravam.

Há mais de uma coisa a se considerar.

Diferentes personalidades reagem de diferentes maneiras a diferentes circunstâncias. Não vejo como Thomaz vá se comportar diferente do que já conhecemos. Não acredito que esteja em sua agenda agir de maneira diversa. Talvez fosse possível, talvez não. Eu sou um que acredito que podemos mudar certas características se assim quisermos – e coloquem a ênfase nesta ultima palavra.

Outra consideração é que Bellucci jogou pressionado – algo que ele odeeeia e lida pessimamente – enquanto Feijão jogou sem expectativas. Dois universos paralelos. Aí novamente a personalidade. Você colocava Mattar e, especialmente, Kuerten sob pressão e viravam grandes competidores. Nem todos são assim.

Pelo o que conheço Thomaz, que não é muito, mas é algo, ele é uma pessoa do bem. É aquela história; o mundo está repleto de pessoas do mal que são ótimos marqueteiros de si próprios e com isso ludibriam as pessoas da A a Z, e isso vale para esportes, política e todo o resto, assim como está recheado de pessoas do bem que são carentes de carisma e habilidades marqueteiras e por isso sofrem no seu relacionamento coletivo.

Atletas são pessoas publicas. E há algo que eles tendem a ignorar. Eles focam suas carreiras no seu próprio umbigo. A sobrevivência do esporte, e consequentemente as suas, faz parte da área de entretenimento. E essa área exige a participação do publico que irá influenciar toda a máquina que gere o dinheiro para fazer a carreira do atleta uma realidade. Quando você tem dificuldades com esse prisma da carreira sofre, quando tem fácil entendimento e boa reação ao fato o céu é o limite. Que digam os Federers e os Neymar do universo.

Mas uma coisa fique clara. Se Thomaz Bellucci trava daquela maneira, há fortes indícios de ser por conta de nervos, estresse e a angustia da frustração. Não vejo falta de vontade e displicência pela competição. Por isso não concordo com as vaias. Essas deveriam aparecer em outros casos, em outras áreas, para outras pessoas. Bem mais apropriado seria o estádio ser encher de temperança e benevolência. Mas, suponho que não é isso que o publico procura em uma arena esportiva. E o atleta fica, como todos nós mortais, com o ônus e o bônus.

Notas relacionadas:

  1. Ajuste
  2. Duvida
  3. O close
Autor: paulocleto Tags: , ,

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 10:22

Um bom dia

Compartilhe: Twitter

Esta quinta-feira promete ser um prato cheio para o fã do tênis brasileiro. Quem tem ingresso verá ao vivo e a cores. O resto pode assistir pela TV e tanto a SporTV como BandSports estão presentes.

A rodada de hoje completará a rodada das oitavas de final e tem jogo para todos os gostos. Apesar de a maioria sofasista restringir o gosto pelo óbvio, e o óbvio deste evento é, óbvio, Rafa Nadal. Ele entrará no Ginásio do Ibirapuera não antes das 20h.para enfrentar o paulista João “Feijão” Souza.

Antes teremos, às 12h, Monaco X Bolelli, que deve ser um jogo interessante; o italiano é imprevisível e Monaco começou o ano da mesma maneira.

Almagro deve bater Capdville com facilidade, mas é sempre interessante ver jogo plástico e vistoso desse espanhol.

Não antes das 17h, Bellucci encara o mão mole Volandri, reedição de confronto do ano passado. Bellucci, pressionado, quer a vingança para ter a chance de jogar contra o AnimalNadal em casa. Chance que dificilmente acontecerá novamente, a não ser nas Olimpíadas.

Rafa abandonou as duplas ontem e o publico chiou quando descobriu. O anuncio oficial aconteceu após o jogo do Chardi, l´pelas 22.30h. Nos tempos atuais de redes sociais e celulares, boa parte do publico descobriu durante o jogo do Chardi. Teve um gaiato que começou a berrar lá no ultimo anel que a organização deveria informar da desistência. Tem cada um. Ele queria que interrompessem a partida para fazer o anuncio? Com seus berros ele interrompeu – os tenistas ficaram olhando com aquela cara de “quem é o mala” – mas poucos entendiam o que ele tanto berrava.

O joelho do Nadal parece não estar novinho em folha – às vezes parece que lhe dói. Hoje vamos ver melhor. Mas não deve ter sido só isso a razão do abandono das duplas.

Primeiro que o Nalbandian estava espumando e reclamando das quadras e bolas. Até aí nenhuma novidade. Pode reclamar das quadras, que não estão boas, mas não das bolas, que são oficiais. Além disso, descobriu, depois que quase perdeu para o qualy Aguiar, que lhe colocaram para jogar na Quadra 2, a pior delas. O cara deve ter xingado todas.

Não deve ter sido difícil ele e Nadal chegar à mesma decisão. Rafa entraria em quadra ontem quase 23h. Para jogar duplas? Ia dormir que horas? Não seria ele que convenceria Nalba de jogar as duplas.

A ATP não protege mais os torneios e o publico como fazia. Antes se um jogador saísse das duplas alegando contusão teria que sair também das simples. Hoje as estrelas mandam e as duplas valem cada vez menos. Mas, o que vale; temos uma bela quinta-feira de jogos!

Notas relacionadas:

  1. As quartas masculinas
  2. Nadal fora de Miami
  3. Vai comer?
Autor: paulocleto Tags: , ,

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 11:54

Vai comer?

Compartilhe: Twitter

A razão, a estratégia de Rafael Nadal dar o ar de sua graça no circuito latino-americano, algo que caiu como uma luva para ele e seus fãs locais, é testar e trabalhar seu corpo, afiar seus golpes e fortalecer sua mente, arsenal que foi prejudicado e enfraquecido por sete meses longe das competições, um tempo enorme no circuito masculino. Entre as mulheres pode até rolar, entre os homens isso normalmente tem um custo pesado – é só lembrar o passado e a história de inúmeros tenistas.

Por conta disso, chegar à final no Chile deve ser considerado um sucesso e ter deixado o espanhol feliz. Afinal, chegou à final de simples e duplas, sendo que corpo e mente perderam nos últimos meses um pouco daquele que sempre foi o diferencial do Animal.

Se não tiver nenhuma recaída por conta de alguma dor, algo que ele não acusou, o torneio em São Paulo deve acrescentar à preparação de Nadal. Vale lembrar que na sua aritmética estes torneios valem pouco mais do que por aquilo que mencionei acima. Os pontos são poucos e a grana já está no banco. Para ele, vale mesmo é chegar à Europa “jogado” – é lá que as onças vão beber água – nos Series 1000 e, culminando, em Roland Garros. Para o espanhol, este ano, tudo é aquecimento até Monte Carlo, “seu” evento e, especialmente, Roland Garros.

Para os fãs brasileiros, uns pequenos detalhes sobre o espanhol em São Paulo. Interessante que ele preferiu jogar duplas por aqui com Nalbandian e não com Bellucci, algo que, talvez, o mais marketeiro Federer faria. Afinal, jogar com Monaco, outro argentino, no Chile, é compreensível por serem “amichelos”. Que jogasse com Nalba em Buenos Aires. Suspeito que o relacionamento com Bellucci não passe de “hollas”.

A “vingança”, no bom sentido, pois o fato é totalmente marginal e somente curioso, sem conotações pessoais, pode vir na quadra do Ibirapuera. Explico. São Paulo é uma cidade que Belo está acostumado a jogar, terá a torcida a seu favor (bem que alguém poderia lhe dar umas aulinhas de como aproveitá-la) e um detalhe que não deve passar desapercebido. São Paulo fica a pouco mais de 600 metros de altitude, parecido com Madrid, algo que lhe convém e importuna Nadal – o circuito europeu onde ele deita e rola é todo jogado na altura do mar Paris fica a 90m, irrelevante) e os melhores resultados de Belo aparecem justamente em maiores altitude; Gstaad e Madrid, por exemplo. É só um detalhe e até uma possível semifinal entre ambos terão que passar por dificuldades. Nadal na luta com tudo que mencionei acima e Bellucci com sua tendência de naufragar frente a adversários mais inexpressivos e quando todos esperam um pouco mais dele. Mas a oportunidade está à mesa e braço para o feito ele tem. Mas tem que comer.

Notas relacionadas:

  1. No quarto
  2. Grande jogador
  3. Ele vem?
Autor: paulocleto Tags: ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. Última