Destino
Por vezes fico abismado o quanto o destino pode ser surpreendente e cruel. Assim que chegou a Londres, o francês Nicolas Mahut, perdedor contra John Isner no ano passado, quando foi derrotado por 70/68 no quinto set, na épica e mais longa partida da história, procurou os organizadores com um compreensível e singelo pedido.
O francês implorou que não o colocassem para jogar na quadra 18, cenário daquele que ele considera, com a mais absoluta razão, o jogo maldito de sua carreira e com o qual tinha horríveis pesadelos. Afinal, como sempre estou a escrever neste Blog, para o desassossego dos sofasistas, só quem joga tênis pode compreender a dor de uma derrota. Só quem perdeu um jogo de 11hs sabe qual a dor que acompanha tal derrota. Mahut confessou que foi acometido de uma tristeza indescritível após a derrota e durante os três meses seguintes sofreu de depressão e teve seu sono e humor alterados para bem pior.
Os ingleses ouviram seu pedido e, com a fleuma e o distanciamento de sempre, disseram que o levariam em consideração. O que eles, e muito menos Mahut, ou qualquer outra pessoa podia prever é que o Destino interviria com sua imprevisível mão no momento do sorteio da chave do torneio.
Sim, a maldição se repete. Nicolas Mahut e John Isner se enfrentarão na primeira rodada de Wimbledon de 2011 para o assombro de todos – Andy Murray tuitou que a é a coisa mais incrível que já viu no tênis e sugere que a partida seja jogada na Quadra Central, o que dá o tom do que a incrível coincidência está causando nos vestiários e na mídia em Wimbledon.
O que ainda não se sabe é como os protagonistas estão se sentindo e, menos ainda, como reagirão, em quadra. Seja lá qual for que os ingleses escolherão.
Isner foi a todos os “talk-show” nos EUA, ganhou fama e fortuna com a vitória que, se no Brasil saiu no Jornal Nacional, imaginem a repercussão no seu país. Será que o americano está bem com o fato de ter que dar uma revanche? Será que está confiante ou vacila?
E quanto a Mahut? O que será que passa pela cabeça do rapaz? Será que até o dia do jogo ele conseguirá se acertar emocionalmente? Porque, ao receber a notícia, eu imagino que o urubu tenha pousado no seu ombro e a “mardita” tenha tentado se instalar novamente. Ou será que ele conseguirá encontrar em seu coração a força e a motivação para a vingança, que afinal é um prato que se como frio.Acho que os meus mais prolíficos e talentosos comentaristas terão algo a dizer a respeito do assunto– tal matéria prima parece ser moldada para estilo do Sr. Glads.
Quanto ao meu sentimento a respeito, repito o que escrevi antes. O grande herói daquela batalha um ano atrás foi o francês Mahut, pois até o mais preguiçoso dos sofasistas pode imaginar o feito de um tenista que conseguiu por 137 games lidar com o massacrante estresse de defender o seu serviço, feito que, faço questão de lembrar, duvido, e muito, que mais alguém realizará na história.
Isner x Mahut – diferentes lembranças.
Notas relacionadas:
Autor: paulocleto Tags: john isner, nicolas mahut





