Nicolas Mahut | Paulo Cleto

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sexta-feira, 17 de junho de 2011 Tênis Masculino | 13:49

Destino

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Por vezes fico abismado o quanto o destino pode ser surpreendente e cruel. Assim que chegou a Londres, o francês Nicolas Mahut, perdedor contra John Isner no ano passado, quando foi derrotado por 70/68 no quinto set, na épica e mais longa partida da história, procurou os organizadores com um compreensível e singelo pedido.

O francês implorou que não o colocassem para jogar na quadra 18, cenário daquele que ele considera, com a mais absoluta razão, o jogo maldito de sua carreira e com o qual tinha horríveis pesadelos. Afinal, como sempre estou a escrever neste Blog, para o desassossego dos sofasistas, só quem joga tênis pode compreender a dor de uma derrota. Só quem perdeu um jogo de 11hs sabe qual a dor que acompanha tal derrota. Mahut confessou que foi acometido de uma tristeza indescritível após a derrota e durante os três meses seguintes sofreu de depressão e teve seu sono e humor alterados para bem pior.

Os ingleses ouviram seu pedido e, com a fleuma e o distanciamento de sempre, disseram que o levariam em consideração. O que eles, e muito menos Mahut, ou qualquer outra pessoa podia prever é que o Destino interviria com sua imprevisível mão no momento do sorteio da chave do torneio.

Sim, a maldição se repete. Nicolas Mahut e John Isner se enfrentarão na primeira rodada de Wimbledon de 2011 para o assombro de todos – Andy Murray tuitou que a é a coisa mais incrível que já viu no tênis e sugere que a partida seja jogada na Quadra Central, o que dá o tom do que a incrível coincidência está causando nos vestiários e na mídia em Wimbledon.

O que ainda não se sabe é como os protagonistas estão se sentindo e, menos ainda, como reagirão, em quadra. Seja lá qual for que os ingleses escolherão.
Isner foi a todos os “talk-show” nos EUA, ganhou fama e fortuna com a vitória que, se no Brasil saiu no Jornal Nacional, imaginem a repercussão no seu país. Será que o americano está bem com o fato de ter que dar uma revanche? Será que está confiante ou vacila?

E quanto a Mahut? O que será que passa pela cabeça do rapaz? Será que até o dia do jogo ele conseguirá se acertar emocionalmente? Porque, ao receber a notícia, eu imagino que o urubu tenha pousado no seu ombro e a “mardita” tenha tentado se instalar novamente. Ou será que ele conseguirá encontrar em seu coração a força e a motivação para a vingança, que afinal é um prato que se como frio.Acho que os meus mais prolíficos e talentosos comentaristas terão algo a dizer a respeito do assunto– tal matéria prima parece ser moldada para estilo do Sr. Glads.

Quanto ao meu sentimento a respeito, repito o que escrevi antes. O grande herói daquela batalha um ano atrás foi o francês Mahut, pois até o mais preguiçoso dos sofasistas pode imaginar o feito de um tenista que conseguiu por 137 games lidar com o massacrante estresse de defender o seu serviço, feito que, faço questão de lembrar, duvido, e muito, que mais alguém realizará na história.

Isner x Mahut – diferentes lembranças.

Notas relacionadas:

  1. Dez horas!!
  2. 68 dragões e um vencedor.
  3. Na negra
Autor: paulocleto Tags: ,

quinta-feira, 24 de junho de 2010 História, Tênis Masculino | 23:54

68 dragões e um vencedor.

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Essa partida de 11 horas está criando mais IBOPE para o tênis do que qualquer outra em memória recente. Saí na rua e as pessoas só falam dela. Falei com um amigo nos EUA, que não tem nada a ver com tênis, e ele comentou a respeito.

Li que até o Blog do Juca Kfoury publicou um texto a respeito, escrito por outro rapaz que lá escreve. Gostei, mas confesso que gostei mais do texto do Martin H, que aparece nos comentários – o enfoque é mais interessante.

Esse enfoque foi a razão de uma discussão filosófica aqui no blog, minha com o mesmo Martin H. No entanto, confesso que ontem e hoje também amaldiçoei o fato de ter que haver um vencedor em uma partida de tênis. Nunca foi tão injusto alguém perder uma partida como hoje. Se eu soubesse o email ou o telefone do Mahut ligava e oferecia o meu conforto e as razões para tal.

E mais uma coisa, que não vi ninguém comentar.

Quando a partida começou a se alongar, comentei que o vencedor provavelmente seria o Isner. Por que?

Não porque ele estava melhor, física ou mentalmente. Pelo contrário. Mahut estava muito melhor. Esbanjava físico, se dando ao luxo de até se atirar atrás de uma bolinha impossível. No início dos games, ficava pulando, mostrando disposição e atitude, isso com 8, 9 horas de jogo. Os pontos de seus serviços exigiam muito mais dele do que os do Isner e ele, Mahut, não mostrava sinais de esgotamento. Pelo contrário.

Sua postura era muito melhor do que a de Isner, que se lamentava, reclamava da sorte, abaixava os ombros e dava sinais de que logo se derreteria.

Então porque eu acreditava que o francês perderia? Porque ele sacava atrás.

Invariavelmente quem saca atrás em um 5º set longo sucumbe primeiro. A pressão é enorme, imensurável, inimaginável. Vocês lembram do Roddick contra Federer na final de Wimbledon no ano passado?

No entanto, Mahut suplantou todas as minhas mais ridículas e exageradas expectativas. Eu posso imaginar alguém sacar atrás até uns 15 x 15, antes de entrar em total parafuso, começar a falar sozinho, destruir uma raquete, chorar como se fosse uma criança. Posso até compreender uma dupla sobreviver mais alguns games.

Mas um tenista jogar atrás e segurar os games de seu serviço por 68 games consecutivos é algo que espelha uma força interior que eu considero super humana. As duvidas que devem ter assaltado a mente do tenista, a cada vez que ele sentou em sua cadeira, após ter em vão tentado abrir uma única vantagem, durante mais de seis horas, é algo que só ele, em todo o universo poderá dizer que um dia experimentou.

E assim mesmo ele encontrou maneiras afugentar a dúvida, esse mal que destrói nossas vidas, nos mais mínimos detalhes, nas coisas mais cotidianas. A cada vez, levantou-se e foi defender o seu saque com extrema coragem e convicção.

Tive a oportunidade de acompanhar boa parte do quinto set pela internet. Nicolas jogou com muito mais decisão e qualidade do que Isner, que dependia pesadamente de seu serviço. Mahut, a cada vez que falhava na tentativa de quebrar Isner, levantava da cadeira e seguia em direção a linha de fundo, tal qual um cavaleiro determinado e convicto ao enfrentar o seu dragão.

Sei que mais uma vez apelo, ao dizer que só quem enfrentou uma tarefa, de alguma maneira semelhante, mesmo em uma melhor de três sets, ou em um único set, sabe do que se trata. O rapaz jogou seis a sete horas e sessenta e nove games debaixo dessa pressão antes de sucumbir.

E não sucumbiu pela pressão. Sucumbiu porque Isner mudou a tática e Mahut caiu na armadilha.

Hoje Isner veio com uma nova tática. Deixou claro que a cada oportunidade iria à rede no saque do adversário. Com isso, induziu Mahut ao erro tático. O francês vinha ganhando os seus games mexendo o americano de um lado para o outro e metendo umas paralelas de surpresa e indo à rede somente para surpreender. Ao ver Isner tomando a rede, decidiu ir antes, em seu serviço. No game fatal perdeu dois pontos na rede, inclusive o match-point.

Mas esqueçamos esse detalhe. Para mim, o verdadeiro e maravilhoso espetáculo camuflado na partida foi a capacidade de Mahut manter o seu serviço durante 68 games jogando atrás no placar.

Se Isner venceu a partida e passou para a próxima rodada, Mahut fez algo que eu nunca imaginei possível e que nunca ninguém mais neste planeta fará. O verdadeiro vencedor – desta vez não moral, como dizia Claudio Coutinho – e sim mental, foi Nicolas Mahut. Enquanto o mundo enxerga Isner como vencedor e Mahut como o pobre e lamentado perdedor, eu declaro Nicolas Mahut o vencedor. Tenho a certeza que um dia ele encontrará forças para ver também dessa maneira. Porque hoje, infelizmente, entendo, será impossível.

Nicolas Mahut – o vencedor.

Notas relacionadas:

  1. Sonho americano
  2. Dez horas!!
Autor: paulocleto Tags: ,

quarta-feira, 23 de junho de 2010 História, Tênis Feminino | 17:42

Dez horas!!

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Inacreditável. Espetacular. A partida entre o gigante John Isner e o francês Nicolas Mahut que vão tentar amanhã, o terceiro dia de jogo – é isso mesmo, terceiro dia de jogo – decidir quem passa para a próxima rodada.

Cortesia da Be Arruda e o site Meninas Vodka.

Eles estão jogando há exatamente DEZ horas e a partida está empatada em 59 x 59 no quinto set. Isner é o novo de recordista de aces do tênis com 98, até agora, e Mahut vem logo atrás com 94. Ambos são recordistas em tempo de jogo. Duvido que um dia esses números venham a ser quebrados.

Infelizmente não pudemos ver pela TV, mas deu para acompanhar pela internet, mostrando qual é o futuro das comunicações.

Interessante foi, pelo o que acompanhei no quinto set, mesmo após terem atravessado o dia jogando a qualidade era alta e não um jogo de erros. São 333 bolas vencedoras e 53 erros para o americano e 318 e 56 para o francês. Quanto a emoções, nem é preciso falar.

O jogo continua amanhã. Como acabou agora e ainda não tem o horário, eu assumo que deve ser a segunda partida da mesma Quadra 18. Se o 1º for de mulheres, deve acontecer lá pelas 9h e se for após homens lá pelas 10:30h. E como tem jogo da Copa às 11h é bom torcer que seja de mulheres.

Maratona: Isner, Mahut e o juiz. E Isner indo ao banheiro no 57 x 57.

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