Nicolas Lapentti | Paulo Cleto

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domingo, 27 de setembro de 2009 Tênis Masculino | 17:02

110 anos.

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O Clube Pinheiros festejou seus 110 anos de história em estilo este fim de semana. Entre as várias competições e celebrações, venceu ontem a Copa Brasil, batendo o Minas Tênis. Aqueles leitores que se animaram como o Antoniel e a Maysa, acabaram se divertido com as partidas apresentadas.

Como eu sempre digo, o tênis competitivo ao vivo é outro jogo. Não vou comentar cada uma das partidas, mas publico algumas fotos abaixo. Porém não resisto em fazer algumas outras observações. As duas primeiras partidas de simples foram ótimas e emocionantes. Nicolas Lapentti derrotando o paraguaio Ramon Delgado, em jogão de três sets. Deu para lembrar a categoria de ambos. Ricardo Hocevar bateu o mexicano Ramon Echeveria em um jogo onde a pancadaria correu solta. Para quem não lembra, o Ramon foi protagonista de um dos momentos mais densos do tênis profissional. Mais tarde, ainda hoje, farei um post a respeito.

Diferenciado mesmo foram as duplas que, apesar de equilibradas – Lapentti e Hocevar x Bruno Soares e Delgado – tiveram o mineirinho como o fator de desequilíbrio. Bruno é dos melhores duplistas do mundo atualmente e sua técnica é um prazer de acompanhar. Decidiu a partida com quatro lobs top spin de direita em momentos decisivos.

Depois de acompanhar a vitória pinheirense, ainda tive tempo para ir acompanhar a exposição de fotos do Cartier-Bresson no SESC de Pinheiros e encerrei a noite, de volta no Clube Pinheiros, com uma apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica, sob a regência do João Carlos Martins e seu convidado Arthur Moreira Lima. Foram do denso Beethoven ao levezinho Mozart. Para completar o fim de semana, um belo joguinho neste Domingo, sem nenhum sinal das minhas dores lombares, um clássico no Morumbi e seja lá o que mais der para encaixar.

Abaixo: João “Feijão” Souza, que venceu a partida decisiva, Nicolas Lapentti que ficou no Rio após a Davis até vir para S. Paulo defender o Pinheiros, Bruno Soares, de bem com a vida e com todos, o simpático Ramon Delgado que deve abandonar as competições no fim de ano, o campeão de RG Andres Gomez e seu filho, que joga um evento esta semana em Itu, e o blogueiro PC com Flavio Saretta, finalmente de bem com a vida e agora tomando conta do tênis palmeirense.

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Notas relacionadas:

  1. Quilometragem.
  2. Troféu Brasil
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009 Tênis Masculino | 16:59

Troféu Brasil

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Hoje fui jogar um pouco mais cedo do que o normal para aproveitar e acompanhar um pouco os jogos da Troféu Brasil, reunindo o Clube Pinheiros, o Minas Tênis Clube, o Clube Paulistano e o Praia Clube de Uberlândia.

Eu acho o evento ótimo, bem bolado e ainda não tão bem divulgado como merece e deveria. Tem o mesmo formato da Copa Davis, quatro simples e uma dupla, só que jogado em três sets, sendo o ultimo um tie-braicão. Hoje foram as semifinais, vitórias do Minas e do Pinheiros, e a final será amanhã às 10h. Entre os tenistas presentes, o carrasco Lapentti, Bruno Soares, Ramon Delgado, Pablo Albano, Pedro Braga, Ricardo Hocevar e outros inclusive alguns bem jovens.

Ontem fui convidado, de ultima hora, para um jantar de confraternização com tenistas e dirigentes, também no Pinheiros. Ali tive a oportunidade de jogar conversa fora com o equatoriano Andres Gomez, para quem não sabe campeão de Roland Garros para cima do Agassi. Ficamos lembrando confrontos anteriores de Copa Davis entre Brasil e Equador. Ele quis jogar um “jaguaré” para cima de mim, dizendo que na história dele estava 2×2 e eu retruquei que nada disso, mané: na nossa história estava 2×0 e não era para ele. Na outras vezes que ele venceu eu não estava presente.

Como capitão, enfrentei o Equador de Gomez, que foi Top 10 durante uns dez anos, em duas ocasiões. A primeira em 1979, no Equador, quando ele tinha uns 19 anos, e já era um baita tenista. Depois em 1987, em São Paulo, ele já Top 10, pouco antes de vencer RG, em um memorável confronto nas quadras do Clube Harmonia. Era uma época em que não perdíamos em casa para qualquer um. Aliás, para quem não sabe (atenção para o jabá pessoal) fiquei invicto como capitão jogando em casa durante 11 anos – fomos perder a invencibilidade para os EUA de Courier, Malivai Washington e a então dupla #1 do mundo O’Brian e Renemberg, que foi derrotada por Kuerten e Oncins.

Para os leitores que estão em São Paulo e querem um bom programa neste sabadão, compareçam no Clube Pinheiros, na portaria da Faria Lima, próximo ao Shopping Iguatemi, a partir das 10h. Vocês vão poder não só ver, entre outros, o Lapentti de perto, como também o Bruno Soares, que está em outra dimensão como duplista, e me contou que após esta semana embarca para a Ásia, e depois para a Europa, onde vai lutar até o fim da temporada para se classificar para o Masters.

bruno e daniel Daniel e Bruno Soares carregando os amigos. O Bocão é o primeiro no trenó.

Notas relacionadas:

  1. Quilometragem.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009 Copa Davis, Tênis Brasileiro | 15:22

Pitadas

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Toda quarta-feira abro jornal “A Folha de São Paulo” procuro o caderno de esportes e lá a coluna do tênis, escrita pelo colega Régis Andaku com um distanciamento que proporciona uma visão peculiar do tênis.

Régis nos deixa saber o que se passa pelo mundo do tênis, fazendo uma interessante mistura do tênis nacional e internacional, de fatos e opiniões. Além da coluna propriamente dita, acrescenta, em coluna lateral, pitadas do tênis nacional, em especial o juvenil e o de tenistas ainda em formação. É sua maneira de expor e auxiliar os que ainda não são noticias mas já estão na luta.

Na imensa maioria das vezes Régis não é polemico, pelo contrário, preferindo passear pelas notícias como um diletante e um escancarado apaixonado pelo esporte.

Por isso, foi com surpresa que li sua coluna de hoje sobre a derrota do Brasil na Copa Davis. Desta vez Régis decidiu ir na veia.

Menciona que houve gente defendendo jogadores “com mais espírito de Davis”, ao mesmo tempo em que diz, com razão, que seria impossível deixar de fora Bellucci e Daniel, assim como a dupla Sá/Melo, pelos resultados obtidos e, acrescento, pela ausência de resultados de outros.

Então, pergunta Régis, se tudo estava certo, o que deu errado, já que tinhamos a grande vantagem de jogar em casa e, no papel, um time melhor rankeado? Ele oferece duas razões.

Primeiro, o show de bola de Nicolas Lapentti. Algo que todos viram, aplaudiram e que não é nenhuma surpresa, mas não o suficiente para sugestificar uma derrota em casa para um tenista de 33 anos, em fim de carreira e com um ranking atual bem pior do que nossos tenistas.

Na próxima razão ele pega na ferida e escreve; “porque faltou um verdadeiro capitão ao Brasil, capaz de mexer com coração e mente, muito mais do que gritar palavras de incentivo. Para um grupo ainda inexperiente em Davis, como o nosso, faz diferença. Um capitão que, além de ser referência, seja personagem do confronto. Sendo a Davis o único torneio que permite a um técnico sentar ao lado da quadra e interferir no jogo, por que não fazê-lo?”

“Não se trata de catimbar, gritar ou tumultuar (às vezes até isso), mas de se levantar nas horas certas e fazer crescer o bom tenista quando tudo parece perdido. Mexer com os brios e mudar, ou a cabeça do jogador, ou o momento da partida, ou o destino do duelo. Com Nico inspirado de um lado e um capitão coadjuvante de um time inexperiente do outro, o resultado, visto agora, não parece surpresa, infelizmente.”

Pensei em ligar para o Régis e perguntar: onde assino embaixo? Já que tenho o blog, achei interessante publicar esse trecho da coluna. Eu vinha pensando como abordar o tema, que para mim é um tanto mais delicado. Por conta disso, acrescento minhas pitadas.

Nico Lapentti deitou, rolou e fez a festa porque deixaram. Não que para isso fosse necessário agredir ou mesmo intimidar o “gentleman” equatoriano. Longe disso e não é por aí. Mas, para isso seria necessária uma vivencia, conhecimento e, especialmente, uma liderança que não houve e já não há a algum tempo – para colocar todas as peças nos seus devidos lugares. Mas isso é uma questão de personalidade ou, no caso, a ausência de uma.

Chico Costa nunca fez um impacto como tenista e muito menos como técnico, dois critérios utilizados para a escolha de um capitão de Davis. Mas tem feito um impacto como um personagem que sabe se aproximar de pessoas no poder e se prestar ao papel que lhe oferecem. Por um bom tempo foi o de criticar e atacar aqueles que lutavam para construir, como ele agora pensa que faz. Foi recompensado com um cargo um tanto além de suas capacidades.

Hoje tenta se estabelecer “formando” tenistas, o que não fez até agora e, quando inquirido, batendo na tecla do que acredita ser “politicamente correto”, liberando aos ventos idéias pueris, simplórias e batidas como se fossem pensamentos profundos e inéditos. Isso quando não está criticando dura e publicamente jovens tenistas por aceitarem bolsas de estudos em ótimas universidades nos EUA. Não tenho certeza, mas acho que ele não tem esse currículo.

Mas Chico Costa é o capitão indicado e mantido pela CBT. Infelizmente, por motivos diretamente opostos a que Régis Andaku oferece como as razões que poderiam ter evitado essa derrota em uma excelente oportunidade desperdiçada.

Notas relacionadas:

  1. PEGADINHA?
  2. Faltou vontade.
  3. Mais uma vez
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domingo, 20 de setembro de 2009 Tênis Masculino | 23:14

Quilometragem.

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Nicolas Lapentti jogou muito tênis nos dois primeiros sets. O Marcos Daniel até tentou acompanhar, mas não conseguiu. Existe uma diferença técnica e uma experiência de jogo entre os dois que ficou evidente nesses dois sets.

O equatoriano, enquanto teve pernas, fugiu constantemente da esquerda para gerar força com a direita, montar os ataques e terminar os pontos com bolas vencedoras, forçando erros ou indo à rede. Como sua esquerda é também um belíssimo golpe de contra ataque o cenário estava montado.

Mas, aos poucos, Marcos Daniel foi minando o físico adversário, alongando os pontos, especialmente, com as direitas abertas na cruzada, uma bola que se não matou o Lapentti fez um estrago no seu físico e na sua tática.

No terceiro set o equatoriano bateu na parede. Parou. O brasileiro aproveitou para se soltar e subir de padrão. Jogou muito durante dois sets, enquanto que Lapentti parecia ter naufragado.

Boris Becker já dizia, só para usar um nome de peso no argumento, já que conhece tênis conhece essa verdade, que o quinto set é na raça e na emoção.

Ambos sabiam que aquele set decidiria o evento, já que o quinto jogo seria bem mais para o Brasil. Lapentti, já quase morto de cansaço, foi buscar forças naquele local que só os “copeiros” conhecem. Abriu a 5×2 e tudo levava a crer que fecharia a partida.

Foi nesse momento, a partir do 2×5, que a mágica da Copa Davis tomou conta do Gigantinho. Os dois tenistas passaram a jogar muito bem concomitantemente, o que deixou o espetáculo emocionante e maravilhoso. É nessas horas que eu digo, sem pestanejar, que Copa Davis é a grande competição e cinco sets é o cenário inigualável.

Eu, em casa acompanhando pela TV, comecei a sentir aquelas emoções que me invadiam e torturavam quando eu ficava sentado na cadeira de capitão. Não encontrava posição na cadeira. Um suplício.

Os dois tenistas apresentaram então um tênis de primeiríssima linha; isso após quatro horas de correria em quadra. Um combate de titãs. Quando Nico Lapentti sacou bem aberto no match-point, invadiu a rede para o voleio final e Marcos deu aquela passada magistral de esquerda por fora, em cima da linha, lembrei de uma passada igualzinha do Jaime Oncins, na mesmíssima situação, no Rio de Janeiro, contra o alemão Markus Zoecke. Naquele momento pensei que Marcos Daniel encontraria uma maneira de vencer, assim como Oncins encontrou naquela ocasião ao ganhar por 7/5 no quinto set e fechar a vitória contra a Alemanha de Becker.

Mas, apesar da luta e coragem de Daniel, a vitória ficou com o tenista mais experiente. Nicolas Lapentti tem 33 anos e 61 vitórias na Davis, entre simples e duplas. É um recorde dos mais ricos, especialmente porque Nico quase sempre teve que levar o time nas costas jogando os três dias. Ou seja, o cenário, por mais bicudo que fosse não lhe era estranho. Marcos Daniel, apesar de ter 31 anos, tinha somente duas vitórias na Davis. Faltou quilometragem.

Notas relacionadas:

  1. PEGADINHA?
  2. Dois a menos
  3. Gstaad na ESPN
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quarta-feira, 15 de abril de 2009 Porque o Tênis. | 20:23

Porque o Tênis

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Acho que vou criar uma seção no blog chamada “Porque o Tênis”. Porque volta e meia surge algo para me relembrar do porque sou apaixonado por esse esporte. Desconfio, no meu intimo, que não são exatamente as mesmas razões de todos os meus leitores, o que não me impedirá de dividir as minhas razões e conhecer a de vocês. Por isso, daqui para frente, quando surgir um fato relevante, pelo menos na minha visão, e eu conseguir escrever a respeito, farei um post. Sejam meus convidados para fazer o mesmo.

O que me pegou hoje foi o jogo entre o gentleman Nicolas Lapentti e o maluco-beleza Marat Safin. Confesso que quando liguei a TV não sabia por quem torcer, ou melhor, por quem sofrer. Porque o jogo oferecia ambas as oportunidades.

Só assisti o terceiro set, a partir do 2×0 Safin. O que aconteceu daí para frente foi uma montanha russa de emoções, bem ao gosto de quem vibra com as alternâncias e possibilidades que o jogo oferece.

Ao contrário do que o comentarista da TVcomentou, e mesmo o que alguns leitores escreveram, não vejo a coisa pelo prisma sugerido. Como fã não acompanho a partida julgando e condenando os jogadores por suas falhas e deslizes. Especialmente em um jogo equilibrado como esse.

Só para lhes fazer salivar, se não acompanharam esse terceiro set, Safin abriu 4×0, perdeu os dois brakes, quebrou novamente no 4×4, sacou para jogo no 5×4 e não conseguiu fechar, estraçalhou sua raquete, pirou e perdeu o primeiro ponto do game seguinte por conta de uma punição. Lapentti sacou no 6×5, teve dois match-points, não conseguiu fechar, perdeu seu saque, abriu, se não me engano, 4×1 no tie-break, perdeu a vantagem e ainda encontrou uma maneira de ganhar o jogo. Tudo isso recheado de alternâncias emocionais e pontos maravilhosos.

Na minha visão, são dois tenistas experientes, talentosos lotados de possibilidades tenisticas, atualmente considerando a aposentadoria e lutando, dentro de seus limites, para acompanharem as dificuldades do circuito. O jogo que apresentaram foi lindíssimo e de alto padrão. Se os erros aconteceram, eu lembro que o jogo de tênis exige, o tempo todo, que cada um dos oponentes tente sempre desequilibrar e destruir o adversário, uma exigência mental desconhecida e incompreensível por quem nunca viveu situação semelhante.

Se os dois em quadra não são um Nadal da vida, ótimo, até porque o meu saco tem limite para Nadal, Federer e perfeições. Adoro ver dois atletas lidando com suas próprias limitações e apresentando suas soluções. Adoro ver um jogo jogado, disputado, sofrido e resolvido. Sim, porque a grande tragédia do tênis é que não existe empate, a coisa mais mariquinha que alguém já inventou para o esporte.

Neste jogo alguém ganha e alguem perde. Empate é para bambis.

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