Publicidade

Posts com a Tag navratilova

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 Light, Tênis Feminino | 01:44

Decepção da Temporada

Compartilhe: Twitter

Para quem não lembra, ou para quem na época pensava que tênis era tão somente algo para se calçar, o tênis feminino viveu épocas ambíguas antes do surgimento da russa Anna Kournikova.

Para quem imagina que a sensualidade e feminilidade no circuito apareceram somente com o surgimento da ninfeta moscovita é porque não conheceu as calcinhas rendadas de Karol Fagero nos anos 50 ( um prêmio para quem achar uma foto dela na internet) – infelizmente o uso de calcinhas rendadas não assegurava a feminilidade de tenistas em quadra – ou viu, entre muitas outras fêmeas, Chris Evert mostrando a muito machão como unir feminilidade e força interior.

Mas a russa chegou chutando a porta das tradições e o mundo do tênis estava mais do que pronto para seu sensual ataque. Lembro de seu impacto, ainda aos 16 anos, no players lounge. Posso garantir que vocês nunca viram nada igual. Centenas de pessoas, tenistas de ambos os sexos, técnicos, agentes, parentes, cartolas, executivos, todos reduzidos a capacho e boquiabertos quando a ninfeta entrava com a barriguinha de fora, shortinho curto e colado, seios transbordando, pernas suadas lustrosos em rabo de cavalo e make-up. O mundo do tênis nunca tinha visto aquilo.

Até então o players lounge era um local onde ninguém chamava a atenção e o padrão feminino era cara lavada, cabelos escorridos, calções longos, blusas largas – sensualidade zero. Isso quando não se vestiam de homem, o que Martina Navratilova e suas amigas adoravam fazer e influenciar. Na época, se dizia que o vestiário das moças tinha mais macho do que o dos rapazes, um exagero que tinha sua mensagem.

Anna Kournikova mudou isso. Eu soube que o circuito jamais seria o mesmo no ano em que, indo para Wimbledon, vi pelo caminho vários outdoors da Kournikova posando para um audacioso comercial de soutiens. Dias depois Martina Hingis chutou o pau da barraca ao quebrar, unilateralmente, seu contrato com a marca de roupa italiana Sergio Tachini e ir para a Adidas porque esta lhe prometeu vesti-la igual a Anna Kournikova. Hingis era a número 1 do mundo, mas queria mesmo era ser sexy.

Hoje a tenista tem que ser muito macho para se vestir de homem – elas querem ser fêmeas e vistas como tal. As últimas que encaravam uma transgressão eram a Mauresmo, que atenuou o sotaque nos últimos anos, e a habilidosa grega Daniilidou, que vi deitada no gramado da entrada do estádio da Costa do Sauípe, na frente de dezenas de pessoas, alisando as pernas de uma amiguinha enquanto lhe cochichava ao ouvido.

Estou escrevendo isso para colocar a idéia da importância da sensualidade no tênis feminino na última década. No entanto, elegi o tênis feminino como um todo “A Grande da Temporada”. Pelo andar da carruagem, as moças parecem acreditar que é mais importante ser uma Kournikova do que, digamos, para não ir longe no tempo, uma Henin.

Hoje as meninas parecem preocupadas em demasia com capas de revista e fotos sensuais (?!) do calendário da WTA e uniformes modelitos, do que focarem em suas carreiras tenisticas. Para não se falar no pesadelo de ter que acompanhar, mesmo à distância, Serena Williams usar aquelas suas roupas em quadra como se fosse a resposta tenística da mulher-melância, acreditando ser uma rival da Stella McCartney, se achando um presente dos deuses e ameaçando juízas de linha. A maioria não está nessa viagem, nem estou dizendo que o problema se reduz a isso, mas a coisa desandou.

O problema se tornou gritante com a inesperada, beirando o absurdo, vitória de Kim Cljisters no U. S. Open, depois de pendurar a raquete, ser mãe e ficar mais de dois anos sem jogar. Nada contra a moça – que é o contraponto de tudo descrito acima, e talvez até por isso realizou tal feito – mas já imaginaram isso acontecendo no masculino? Pat Rafter larga a mulher, volta às quadras, bate Federer no quinto set da final de Wimbledon, depois de um juiz roubar uma bola longa na paralela e o suíço arregaçar as mangas da camisa e ameaçar estourar o cérebro do juiz com uma raquetada?! No way, Mané!

Isso para não falar sobre o delirante fato de que as mulheres se derretem emocionalmente na frente de milhões de pessoas cada vez que tem que manter seus serviços e surtam quando chegam ao topo do ranking, algumas sem ter ganhado um único Gran Slam. Aliás, será que o Murray conseguirá tal façanha na ATP? Depois que a belíssima noiva dele disse, a semana passada, que o largou porque ele preferia jogar Wii a bater umas bolinhas com ela, eu vou mesmo é dormir e sonhar com a Eleninha. Mentirinha…

BE031823

anna-kournikova-fiji

anna-kournikova

Vamos bater umas bolinhas?

ivanovic_vogueaug09_2flaviat

Navratilova

dement

Notas relacionadas:

  1. Lindas e frágeis
  2. As moças
  3. A diferença?
Autor: paulocleto Tags: , , ,

sexta-feira, 30 de outubro de 2009 História, Tênis Masculino | 14:00

U$29,99

Compartilhe: Twitter

Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.

Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.

Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.

Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.

Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.

Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?

Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.

Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.

O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.

andre-agassi-open

Notas relacionadas:

  1. Todo Março
  2. Agassi conta
  3. Em Las Vegas
Autor: paulocleto Tags: , , , , ,

terça-feira, 17 de março de 2009 Tênis Feminino | 00:36

A diferença?

Compartilhe: Twitter

Sempre me perguntam; qual a diferença para que a Argentina produza tantos bons tenistas e o Brasil não? Não existe uma razão única e com certeza não é porque eles são melhores do que nós. Mas, com certeza, tem um componente cultural forte na equação. Um exemplo?

Enquanto as arquibancadas ficavam vazias na arena do Rio de Janeiro, levando Fernando Meligeni se indignar todo pela ausência de um público condizente, em Buenos Aires as arquibancadas do tradicional Buenos Aires Lawn Tennis ficaram lotadas com a exibição que reuniu a formosa – dêem só uma olhada nas fotos abaixo – Gabriela Sabatini, a ativista Martina Navratilova, por muitos a melhor da história, e as duplistas argentinas Paola Suarez, vice em Roland Garros com Jaime Oncins e Patricia Tarabini. A grana arrecadada foi para a Myasthenia Gravis Foundation, para pesquisas da cura da miastenia grave, uma terrível doença muscular.

Gabi e Martina lotaram as arquibancadas.


Autor: paulocleto Tags: ,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 Tênis Brasileiro | 15:58

Voleios

Compartilhe: Twitter

Já que os leitores gostaram tanto de falar sobre golpes, que tal falar sobre o voleio, o golpe mais emocionante do tênis e, tristeza, cada dia mais em desuso?

Imagino que a origem do jogo passa mais pelo voleio do que por deixar a bola quicar, idéia que, penso, foi posterior. Como o esporte foi inventado como Lawn Tennis, ou “tênis sobre a grama”, imagino era mais óbvio volear do que deixar quicar. Fato que, até pouco tempo, ainda era uma verdade.

Lembremos também que até pouco tempo, três dos quatro GS eram jogados sobre a grama – Roland Garros sendo a eterna exceção. E até não muitos anos atrás um tenista era olhado com suspeita se não tivesse bons voleios em seu arsenal – e quanto mais sólidos melhor. Hoje, para a minha surpresa e de muitos, há jogadores que só vão à rede para trocar de lado e muitos que, quando se aventuram ou são atraídos, se sentem tão à vontade por ali quanto um zagueirão, daqueles bem pernas-de-pau, tenta armar o jogo no meio de campo.

O tênis está repleto em sua história de grandes voleadores, até porque, esquecendo os tempos recentes, eles eram a história. Não terei a pretensão de lembrar e discorrer sobre todos ou mesmo muitos, até porque a esmagadora maioria dos leitores os desconhece – o que também não deve servir de argumento, pelo contrário.

Também é interessante lembrar que no início nem todos os tenistas eram “enfermos de la net”, como são conhecidos os voleadores pelos fundistas sul-americanos. Ia-se bastante à rede, mas foi só nos anos quarenta que Jack Kramer instituiu o “serve and volley”, assim como codificou e instituiu o tênis-porcentagem (quantos leitores estarão ambientados com este?). E Kramer, como confessou, só o foi à rede com tanta insistência para lidar com Bobby Riggs – aquele da “Partida do Século” com B.J King – que era extremamente agressivo e adorava ir à rede em qualquer oportunidade, algo como Stepanek atualmente.

Quando analisamos voleadores, poderíamos ser detalhista como quando analisamos os golpes do fundo de quadra, o que quase nunca é feito, com considerações rasas e abrangentes. Análises genéricas são perigosas, fáceis e confortáveis, já que, no caso, o golpe deveria ser quebrado em vários para melhor análise; voleios de esquerda, de direita, ambos, baixos, altos, com toque e finesse, força, de reação, atléticos, da linha do saque (1º voleio), junto à rede (segundo voleio), bate-pronto etc. Mas, descansem, passarei rapidamente por isso.

Deixarei de fora grandes voleadores, em um ou outro quesito, por não terem sido tenistas de impacto e, consequentemente, desconhecidos do grande público.

McEnroe, ágil e repleto de finesse junto à rede, tinha todas as variantes, sendo o de esquerda mais na reação e toque. Edberg era rápido e atlético, excelente esquerda e mais fraco de direita, e chegava muito bem à rede, uma arte em si, dono de ótimo primeiro e crucial voleio.

Rafter era atlético, rápido, forte, também boa esquerda e nem tanto direita. Krajicek era bom dos dois lados, inclusive nos baixos se considerarmos sua altura. Rod Laver era magnífico dos dois lados, nos baixos, nos toques, na reação e na força. Alias, era magnífico ponto!

Stan Smith era alto e duro, porém sólido dos dois lados. Seu parceiro Bob Lutz tinha uma pedrada de esquerda, assim como Lew Hoad – ” o braço” e Peter McNamara, dono de uma chicotada. Jack Kramer vinha do fundo abrindo o bração para volear de direita, assim como John Newcombe, talvez o melhor de direita que já vi – quase um swing volley e uma pedrada. Tony Roche tinha um manhoso toque de ambos os lados e deve ter inspirado McEnroe.

Sampra era sólido dos dois lados, sabia dar toques, ótima antecipação, excelente bate-pronto, que era obrigado a usar pois não era tão atlético e rápido. Mais do que nada, aproveitava bem a força de seu serviço, assim como Becker. Mais recentemente, Henman tinha ótima esquerda e bons reflexos, mas sua direita miava nas horas importantes. Stepanek é um colírio para os olhos atualmente, pelo menos para aqueles que gostam de voleios e os da Vaidisova, que deve estar cega de amor.

Não posso deixar de mencionar os voleios de Martina Navratilova, talvez a grande tenista da história, com certeza a maior voleadora, pela qualidade, antecipação, atleticismo, força e toque. E, antes que os brasileiros esqueçam, porque o mundo não esquecerá, Maria Esther Bueno, que encantou com sua graça, atleticismo e toques, conquistando seus títulos em Wimbledon e U.S Open graças, acima de tudo, a arte de seus voleios.

Minha lista seria ainda mais incompleta sem mencionar os melhores voleios do Brasil. Os toques e a irreverência de Arnaldo Moreira, o criador do smash-curtinha, os de esquerda de Ronald Barnes, que era pura poesia e de Jaime Oncins, capaz de gerar tanto solidez e força como delicadeza e finesse. O de direita de Thomaz Koch, uma arma que em tempos atuais não seria permitido portar nas ruas. E, finalmente, o jogo de rede de Carlos Kirmayr, um artista como nenhum outro que vi, em qualquer lugar, com uma antecipação mágica, destreza impressionante e toques imprevistos e alucinantes, qualidades que os verdadeiros amantes do tênis nunca deixarão de admirar e, deus nos proteja, sentir falta.

Rod Laver, com quase 37 anos, mestre do saque/voleio, enfrenta Connors, mestre do contra-ataque, aos 23.

Autor: paulocleto Tags: , , , , , , , , , ,