Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.
Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.
Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.
Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.
Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.
Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?
Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.
Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.
O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.
Sempre me perguntam; qual a diferença para que a Argentina produza tantos bons tenistas e o Brasil não? Não existe uma razão única e com certeza não é porque eles são melhores do que nós. Mas, com certeza, tem um componente cultural forte na equação. Um exemplo?
Enquanto as arquibancadas ficavam vazias na arena do Rio de Janeiro, levando Fernando Meligeni se indignar todo pela ausência de um público condizente, em Buenos Aires as arquibancadas do tradicional Buenos Aires Lawn Tennis ficaram lotadas com a exibição que reuniu a formosa – dêem só uma olhada nas fotos abaixo – Gabriela Sabatini, a ativista Martina Navratilova, por muitos a melhor da história, e as duplistas argentinas Paola Suarez, vice em Roland Garros com Jaime Oncins e Patricia Tarabini. A grana arrecadada foi para a Myasthenia Gravis Foundation, para pesquisas da cura da miastenia grave, uma terrível doença muscular.
Já que os leitores gostaram tanto de falar sobre golpes, que tal falar sobre o voleio, o golpe mais emocionante do tênis e, tristeza, cada dia mais em desuso?
Imagino que a origem do jogo passa mais pelo voleio do que por deixar a bola quicar, idéia que, penso, foi posterior. Como o esporte foi inventado como Lawn Tennis, ou “tênis sobre a grama”, imagino era mais óbvio volear do que deixar quicar. Fato que, até pouco tempo, ainda era uma verdade.
Lembremos também que até pouco tempo, três dos quatro GS eram jogados sobre a grama – Roland Garros sendo a eterna exceção. E até não muitos anos atrás um tenista era olhado com suspeita se não tivesse bons voleios em seu arsenal – e quanto mais sólidos melhor. Hoje, para a minha surpresa e de muitos, há jogadores que só vão à rede para trocar de lado e muitos que, quando se aventuram ou são atraídos, se sentem tão à vontade por ali quanto um zagueirão, daqueles bem pernas-de-pau, tenta armar o jogo no meio de campo.
O tênis está repleto em sua história de grandes voleadores, até porque, esquecendo os tempos recentes, eles eram a história. Não terei a pretensão de lembrar e discorrer sobre todos ou mesmo muitos, até porque a esmagadora maioria dos leitores os desconhece – o que também não deve servir de argumento, pelo contrário.
Também é interessante lembrar que no início nem todos os tenistas eram “enfermos de la net”, como são conhecidos os voleadores pelos fundistas sul-americanos. Ia-se bastante à rede, mas foi só nos anos quarenta que Jack Kramer instituiu o “serve and volley”, assim como codificou e instituiu o tênis-porcentagem (quantos leitores estarão ambientados com este?). E Kramer, como confessou, só o foi à rede com tanta insistência para lidar com Bobby Riggs – aquele da “Partida do Século” com B.J King – que era extremamente agressivo e adorava ir à rede em qualquer oportunidade, algo como Stepanek atualmente.
Quando analisamos voleadores, poderíamos ser detalhista como quando analisamos os golpes do fundo de quadra, o que quase nunca é feito, com considerações rasas e abrangentes. Análises genéricas são perigosas, fáceis e confortáveis, já que, no caso, o golpe deveria ser quebrado em vários para melhor análise; voleios de esquerda, de direita, ambos, baixos, altos, com toque e finesse, força, de reação, atléticos, da linha do saque (1º voleio), junto à rede (segundo voleio), bate-pronto etc. Mas, descansem, passarei rapidamente por isso.
Deixarei de fora grandes voleadores, em um ou outro quesito, por não terem sido tenistas de impacto e, consequentemente, desconhecidos do grande público.
McEnroe, ágil e repleto de finesse junto à rede, tinha todas as variantes, sendo o de esquerda mais na reação e toque. Edberg era rápido e atlético, excelente esquerda e mais fraco de direita, e chegava muito bem à rede, uma arte em si, dono de ótimo primeiro e crucial voleio.
Rafter era atlético, rápido, forte, também boa esquerda e nem tanto direita. Krajicek era bom dos dois lados, inclusive nos baixos se considerarmos sua altura. Rod Laver era magnífico dos dois lados, nos baixos, nos toques, na reação e na força. Alias, era magnífico ponto!
Stan Smith era alto e duro, porém sólido dos dois lados. Seu parceiro Bob Lutz tinha uma pedrada de esquerda, assim como Lew Hoad – ” o braço” e Peter McNamara, dono de uma chicotada. Jack Kramer vinha do fundo abrindo o bração para volear de direita, assim como John Newcombe, talvez o melhor de direita que já vi – quase um swing volley e uma pedrada. Tony Roche tinha um manhoso toque de ambos os lados e deve ter inspirado McEnroe.
Sampra era sólido dos dois lados, sabia dar toques, ótima antecipação, excelente bate-pronto, que era obrigado a usar pois não era tão atlético e rápido. Mais do que nada, aproveitava bem a força de seu serviço, assim como Becker. Mais recentemente, Henman tinha ótima esquerda e bons reflexos, mas sua direita miava nas horas importantes. Stepanek é um colírio para os olhos atualmente, pelo menos para aqueles que gostam de voleios e os da Vaidisova, que deve estar cega de amor.
Não posso deixar de mencionar os voleios de Martina Navratilova, talvez a grande tenista da história, com certeza a maior voleadora, pela qualidade, antecipação, atleticismo, força e toque. E, antes que os brasileiros esqueçam, porque o mundo não esquecerá, Maria Esther Bueno, que encantou com sua graça, atleticismo e toques, conquistando seus títulos em Wimbledon e U.S Open graças, acima de tudo, a arte de seus voleios.
Minha lista seria ainda mais incompleta sem mencionar os melhores voleios do Brasil. Os toques e a irreverência de Arnaldo Moreira, o criador do smash-curtinha, os de esquerda de Ronald Barnes, que era pura poesia e de Jaime Oncins, capaz de gerar tanto solidez e força como delicadeza e finesse. O de direita de Thomaz Koch, uma arma que em tempos atuais não seria permitido portar nas ruas. E, finalmente, o jogo de rede de Carlos Kirmayr, um artista como nenhum outro que vi, em qualquer lugar, com uma antecipação mágica, destreza impressionante e toques imprevistos e alucinantes, qualidades que os verdadeiros amantes do tênis nunca deixarão de admirar e, deus nos proteja, sentir falta.
Rod Laver, com quase 37 anos, mestre do saque/voleio, enfrenta Connors, mestre do contra-ataque, aos 23.
Foi técnico de jogadores como Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Kirmayr e Cássio Motta. Dirigiu a equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos e a equipe olímpica em Seul, Barcelona e Atlanta. Foi chefe da equipe no Panamericano de Winnipeg e técnico de equipes juvenis brasileiras campeãs Sul-Americanos e Mundiais.